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11.5.13

Até as gaivotas fogem para terra...

Os tempos definitivamente já não são o que eram.
Sente-se um ar pesado, um ar de chumbo. Pressente-se que algo vai muito mal no reino da Dinamarca.
Até as gaivotas, habituais habitantes de um espaço onde a fronteira entre a terra e o mar se estabelece, decidiram voar para terra, bem dentro e grasnam, como loucas, voando em círculo por cima da janela do meu quarto. Quem me conhece sabe bem que o mar dista do meu quarto perto de 50km e que não há curso de água nem perto nem longe.
Alguém mais avisado dirá que este é o sinal de que a tempestade se aproxima, uma tempestade devastadora, tsunâmica, arrasadora de todos os habitantes marinhos e de alguns terrestres. Não sei. Francamente não sei.
As cabeças bem pensantes e iluminadas continuam a afirmar que estamos no bom caminho. Que tudo o que estamos a passar é um sinal arrebatador do sucesso. Que tudo isto é muito bonito. E que o povo aguenta tudo, ai aguenta aguenta...!
Não tenho tantas certezas.
Mas o futuro aí estará para confirmar ou infirmar estes modos inusitados de olhar o mundo. Espero poder sobreviver ao que aí vem.

15.7.12

Já ardem capitais europeias...

Por esta Europa fora, os escândalos e as fraudes sucedem-se a um ritmo avassalador. Nunca como hoje a face de um capitalismo selvagem, que não olha a meios para maximizar os seus lucros, se tornou tão evidente, condenando milhares à pobreza e, em muitos casos, ao desespero e à morte.
A última bomba - que conhecerá pavorosos desenvolvimentos ao longo dos próximos dias e semanas, com consequências políticas e económicas ainda imprevisíveis - é a maior fraude financeira da história: a manipulação, efectuada por grandes bancos, da taxa de referência Libor. As redes sociais têm vindo a assinalar que não foi apenas o Barclays que esteve envolvido nessa fraude, mas muitos outros bancos, incluindo poderosos bancos alemães e norte-americanos.
Na vizinha Espanha, a anónima deputada Andrea Fabra brindou os desempegrados, em plena sessão de parlamento, com um explícito uso do espanhol vernacular que, além de indignar os presentes, lançou fogo a toda o país. Neste momento, para além do que se diz e se escreve, são já milhares os que exigem a sua demissão.
Por cá, o circo ainda vai no adro. Mas as labaredas já quiemam: um personagem político, exuberantemente conhecido nas redes sociais, e pelos piores motivos, teima em assobiar para o lado, clamando, com o apoio dos ainda poderosos deste país sob intervenção externa, que está tudo bem e que não se passa nada....

Esperemos que a fraude Barclays não venha a contaminar também outros bancos do nosso reduzido sistema financeiro. É que a bancarrota do BPN já nos colocou sob intervenção externa e o BPN apenas representava 3% do sistema financeiro português....

As próximas semanas serão muitíssimo interessantes!

19.2.12

Não são preciasas palavras, pois não?


A imagem pertence ao blogue Ladrões de Bicicletas e exprime o nosso futuro próximo. Um futuro trágico e pavoroso, apesar daquilo que muitos dos fazedores de opinião nos quererem fazer crer.
Claro que, e aqui temos que concordar com todos os que assinaram o Memorando de Entendimento com a Troika, se não fosse o programa de assistência financeira já estaríamos todos na bancarrota. E a fome e distúrbio social que se anuncia já fariam parte do nosso quotidiano.

13.2.12

News from Greece

A caixa de Pandora já foi aberta e todos sabemos como esta narrativa irá terminar.

A recente aprovação de mais um pacote com duríssimas e inexequíveis condições de austeridade, a cumprir pelo povo grego, sob imposição da Troika comunitária, mais não permitirá do que fornecer um ténue balão de oxigénio, tempo considerado mais do que suficiente para que os poucos fundos que ainda detêm dívida soberana grega a possam transaccionar no mercado secundário. Porque é exactamente disso que estamos a falar. Ganhar tempo para que os activos tóxicos possam ir parar a outras carteiras, permitindo que a bancarrota - o default, como agora se diz - seja organizada. Tudo isto é por demais evidente, já que nem os responsáveis políticos alemães o negam.

A Grécia está falida e vai declarar a insolvência num espaço de tempo curto. Aliás, não tem outra hipótese já que não produz nem vai produzir nada com medidas que destroem o parco emprego ainda existente.

A segunda parte da história é que a Europa é bem capaz de se desagregar, pelo menos, como dizíamos há uns tempos atrás, a actual configuração da União Europeia não deverá resistir ao que sucederá a seguir. Mais uma vez, importantes responsáveis políticos alemães já anteciparam e incorporaram esse cenário.

Como fica Portugal?
Muito mal. Aliás, todos os sinais demonstram já que o dito programa de ajuda externa não está a dar os resultados esperados e que, em breve, conheceremos o nosso futuro. Bastará acompanhar, com atenção, o que vai sucedendo na Grécia para percebermos o que nos espera. Mas a história não termina aqui.

Há uma terceira parte e uma quarta parte e, provavelmente, muitas outras partes ainda antes que o filme termine.

Na Grécia, a violência contra os representantes do poder económico e político, e, em larga medida, contra os opressores, já se manifestou: surgiram cartazes, nas manifestações, apelando ao assassínio dos banqueiros, várias esquadras de polícia foram incendiadas, as lojas outlet de grandes marcas multinacionais foram vandalizadas e incendiadas, repartições das finanças arderam, assim como bancos.
Dir-se-ia - pelo menos foi essa a explicação oficial, foi um grupo de anarquistas violentos, porém as imagens controladas da televisão portuguesa mostraram o queimar da bandeira alemã.

Os relatos que chegam directamente da Grécia assinalam a intensificação da repressão da população por parte das forças policiais gregas que chegaram a temer que a população ocupasse e incendiasse o parlamento, aonde se discutia a aprovação do famoso segundo pacote de resgate.

A Troika, liderada pelo governo alemão, tem vindo a impor e a exigir condições humilhantes ao povo grego. Fica-se com a ideia que o povo grego padece de um pecado original ou o que se lhe quiser chamar: é preguiçoso, corrupto, indolente, não trabalha, não produz e merece ser castigado, merece que sejam outros a dar-lhes ordens e a reconduzi-los à dita produtividade.
Este aspecto é tanto mais grave quanto sabemos, pela história, que a Alemanha Nazi ocupou a Grécia e que, em nome de uma ideologia de uma pretensa superioridade da raça ariana, dizimou vários milhões de habitantes europeus.

Aquilo que se passa hoje na Grécia deveria fazer-nos reflectir colectivamente sobre o que é a Europa e o que queremos que ela seja no futuro.

Pela minha parte, eu jamais vou aprender a falar alemão!

18.11.11

Carta Aberta


Há algum tempo, foi publicada, na revista, Stern uma “carta aberta” de um cidadão alemão, Walter Wuelleenweber, dirigida a “caros gregos”, com um título e sub-título: 

Depois da Alemanha ter tido de salvar os bancos, agora tem de salvar também a Grécia.
Os gregos, que primeiros fizeram alquimias com o euro, agora, em vez de fazerem economias, fazem greves.


Caros gregos,


Desde 1981 pertencemos à mesma família. 
Nós, os alemães, contribuímos como ninguém mais para um Fundo comum, com mais de 200 mil milhões de euros, enquanto a Grécia recebeu cerca de 100 mil milhões dessa verba, ou seja a maior parcela per capita de qualquer outro povo da U.E. 
Nunca nenhum povo até agora ajudou tanto outro povo e durante tanto tempo.
Vocês são, sinceramente, os amigos mais caros que nós temos.

O caso é que não só se enganam a vocês mesmos, como nos enganam a nós. 
No essencial, vocês nunca mostraram ser merecedores do nosso Euro. 
Desde a sua incorporação como moeda da Grécia, nunca conseguiram, até agora, cumprir os critérios de estabilidade. Dentro da U.E., são o povo que mais gasta em bens de consumo. 

Vocês descobriram a democracia, por isso devem saber que se governa através da vontade do povo, que é, no fundo, quem tem a responsabilidade. Não digam, por isso, que só os políticos têm a responsabilidade do desastre. Ninguém vos obrigou a durante anos fugir aos impostos, a opor-se a qualquer política coerente para reduzir os gastos públicos e ninguém vos obrigou a eleger os governantes que têm tido e têm. Os gregos são quem nos mostrou o caminho da Democracia, da Filosofia e dos primeiros conhecimentos da Economia Nacional. Mas, agora, mostram-nos um caminho errado. E chegaram onde chegaram, não vão mais adiante!!! 

Na semana seguinte, Stern publicou uma carta aberta de um grego, dirigida a Wuelleenweber:

Caro Walter,

Chamo-me Georgios Psomás. Sou funcionário público e não “empregado público” como, depreciativamente, como insulto, se referem a nós os meus compatriotas e os teus compatriotas. 

O meu salário é de 1.000 euros. Por mês, hem!... não vás pensar que por dia, como te querem fazer crer no teu País. Repara que ganho um número que nem sequer é inferior em 1.000 euros ao teu, que é de vários milhares. 
Desde 1981, tens razão, estamos na mesma família. Só que nós vos concedemos, em exclusividade, um montão de privilégios, como serem os principais fornecedores do povo grego de tecnologia, armas, infraestruturas (duas autoestradas e dois aeroportos internacionais), telecomunicações, produtos de consumo, automóveis, etc.. Se me esqueço de alguma coisa, desculpa. Chamo-te a atenção para o facto de sermos, dentro da U.E., os maiores importadores de produtos de consumo que são fabricados nas fábricas alemãs. 

A verdade é que não responsabilizamos apenas os nossos políticos pelo desastre da Grécia. Para ele contribuíram muito algumas grandes empresas alemãs, as que pagaram enormes “comissões” aos nossos políticos para terem contratos, para nos venderem de tudo, e uns quantos submarinos fora de uso, que postos no mar, continuam tombados de costas para o ar. 

Sei que ainda não dás crédito ao que te escrevo. Tem paciência, espera, lê toda a carta, e se não conseguir convencer-te, autorizo-te a que me expulses da Eurozona, esse lugar de VERDADE, de PROSPERIDADE, da JUSTIÇA e do CORRECTO. 


Estimado Walter,

Passou mais de meio século desde que a 2ª Guerra Mundial terminou. 

QUER DIZER MAIS DE 50 ANOS desde a época em que a Alemanha deveria ter saldado as suas obrigações para com a Grécia. Estas dívidas, QUE SÓ A ALEMANHA até agora resiste a saldar com a Grécia (Bulgária e Roménia cumpriram, ao pagar as indemnizações estipuladas), e que consistem em: 

1. Uma dívida de 80 milhões de marcos alemães por indemnizações, que ficou por pagar da 1ª Guerra Mundial; 

2. Dívidas por diferenças de clearing, no período entre-guerras, que ascendem hoje a 593.873.000 dólares EUA. 

3. Os empréstimos em obrigações que contraíu o III Reich em nome da Grécia, na ocupação alemã, que ascendem a 3,5 mil milhões de dólares durante todo o período de ocupação. 

4. As reparações que deve a Alemanha à Grécia, pelas confiscações, perseguições, execuções e destruições de povoados inteiros, estradas, pontes, linhas férreas, portos, produto do III Reich, e que, segundo o determinado pelos tribunais aliados, ascende a 7,1 mil milhões de dólares, dos quais a Grécia não viu sequer uma nota.

5. As imensuráveis reparações da Alemanha pela morte de 1.125.960 gregos (38,960 executados, 12 mil mortos como dano colateral, 70 mil mortos em combate, 105 mil mortos em campos de concentração na Alemanha, 600 mil mortos de fome, etc., etc.). 

6. A tremenda e imensurável ofensa moral provocada ao povo grego e aos ideais humanísticos da cultura grega. 

Amigo Walter, sei que não te deve agradar nada o que escrevo. Lamento-o. 

Mas mais me magoa o que a Alemanha quer fazer comigo e com os meus compatriotas. 

Amigo Walter: na Grécia laboram 130 empresas alemãs, entre as quais se incluem todos os colossos da indústria do teu País, as que têm lucros anuais de 6,5 mil milhões de euros. Muito em breve, se as coisas continuarem assim, não poderei comprar mais produtos alemães porque cada vez tenho menos dinheiro. Eu e os meus compatriotas crescemos sempre com privações, vamos aguentar, não tenhas problema. Podemos viver sem BMW, sem Mercedes, sem Opel, sem Skoda. Deixaremos de comprar produtos do Lidl, do Praktiker, da IKEA. 


Mas vocês, Walter, como se vão arranjar com os desempregados que esta situação criará, que por ai os vai obrigar a baixar o seu nível de vida, Perder os seus carros de luxo, as suas férias no estrangeiro, as suas excursões sexuais à Tailândia? 

Vocês (alemães, suecos, holandeses, e restantes “compatriotas” da Eurozona) pretendem que saíamos da Europa, da Eurozona e não sei mais de onde.

Creio firmemente que devemos fazê-lo, para nos salvarmos de uma União que é um bando de especuladores financeiros, uma equipa em que jogamos se consumirmos os produtos que vocês oferecem: empréstimos, bens industriais, bens de consumo, obras faraónicas, etc. 

E, finalmente, Walter, devemos “acertar” um outro ponto importante, já que vocês também disso são devedores da Grécia: 

EXIGIMOS QUE NOS DEVOLVAM A CIVILIZAÇÃO QUE NOS ROUBARAM!!! Queremos de volta à Grécia as imortais obras dos nossos antepassados, que estão guardadas nos museus de Berlim, de Munique, de Paris, de Roma e de Londres. 

E EXIJO QUE SEJA AGORA!! Já que posso morrer de fome, quero morrer ao lado das obras dos meus antepassados. 

Cordialmente,

Georgios Psomás

10.9.11

11 de Setembro


O dia 11 de Setembro ficou, infelizmente, marcado na nossa memória colectiva pelas piores razões. O dia da barbárie. O dia da matança indiscriminada. O dia do ódio. A morte, o pânico, a destruição. Se o século XX foi marcado por duas guerras mundiais e mais não sei quantos conflitos regionais, o novo século, infelizmente, já tem essa chancela inaugural.

Hoje, somos todos americanos.

19.4.11

Ideias práticas para o presente momento

Já todos sabemos que a situação é complicada e que tenderá, pelo menos numa primeira fase, a agravar-se.
Não vou aqui retomar a minha visão crítica acerca da situação, mas partilhar com os meus leitores alguns sites que podem representar boas oportunidades. 

Confesso que ainda não experimentei nada do que vou partilhar. Li informação e vi alguns comentários noutros locais.

Forretas - Site que, regularmente, oferece descontos em diversos serviços, desde alimentação, alojamento, tempos livres, etc. 

Good Life - Site do mesmo género do anterior.

Low cost Portugal - Viagens e estadias a preço reduzido, conforme o próprio título indica.

My Guide.pt - Site onde se pode efectuar o download de vouchers com descontos em restaurantes e hotéis de Portugal.

Se alguém conhecer mais alguma coisa ou tiver um testemunho, agradeço que o deixe na caixa de comentários.

25.3.11

Bom senso e honestidade precisam-se. Urgentemente.


Quando todos sabemos a situação aflitiva em que se encontram as finanças públicas, com o risco iminente de falta de liquidez, impossibilitando o pagamento de remunerações, salários, pensões, e coisas tais, quando os títulos de dívida soberana portugueses deixam de ser aceites como colaterais para empréstimos por importantes instituições financeiras, exige-se um mínimo de bom senso e de transparência.
As recentes declarações do ainda primeiro-ministro José Sócrates Pinto de Sousa, em Bruxelas, clamando heroicamente o lema do “orgulhosamente sós”, não augura nada de bom. É que este discurso – porventura intencionalmente proferido para consumo interno – já não é entendido como minimamente consistente com a realidade dos factos e do mundo. E, além disso, faz soar as campainhas de alarme, provocando pânico junto de um povo tradicionalmente conhecido como recatado e calmo.
Para já, a acreditar no que refere o Diário Económico, provocou incredulidade face ao real estado de saúde do senhor primeiro-ministro.
Como digo, os tempos são muito complicados e sê-lo-ão ainda mais nos próximos anos: necessitamos de bom-senso e de honestidade da parte dos nossos representantes políticos. Urgentemente.

8.3.11

Contagem decrescente


A recente vitória dos Homens da Luta no Festival RTP da Canção e a preocupação que alguns comentadores políticos manifestam face a isso pode ser o sinal de alarme de que algo vai muito mal no reino da Dinamarca.

Lendo a opinião de bloggers, comentadores e jornalistas, critica-se muito o facto de a geração que hoje tem 20 anos aspirar a um certo ideal de vida que os pais conseguiram. Argumenta-se que os tempos são outros e que, no quadro de uma economia neo-liberal, cada um deve tratar da sua vida, defendendo-se concomitantemente a necessidade imperiosa da existência de um Estado Social capaz de dar resposta aos mais fracos e desprotegidos. Mas, interessante é reparar, que o grupo da chamada geração à rasca não é incluído neste “lote” dos que devem ser apoiados pelo chamado Estado Social.

Não deixa de me causar estranheza aquilo que está a suceder até porque as aspirações desta geração são tão legítimas como as aspirações dos seus pais. É que todos (repito: TODOS!) fomos educados à luz de um paradigma ideológico que considerava que a marcha da história desembocaria num futuro radioso e muito melhor do que o presente. Recordemos o ideal iluminista da “Liberdade, Igualdade, Fraternidade”, que guiou tantos movimentos revolucionários até hoje! Recordemos o ideal que presidiu ao derrube do Muro de Berlim e ao fim do marxismo-leninismo na esfera da então União das Repúblicas Socialistas Soviéticas! Recordemos a crença exacerbada pelo Sr. Bush e seus acólitos na chamada economia de mercado!

Claro que, entretanto, aconteceu o 11 de Setembro e a partir de 2008 o mundo entrou numa crise profunda de consequências ainda não totalmente determináveis...

Ora, é neste contexto sociológico e politico-ideológico – um contexto que os filósofos Gilles Lipovetsky e Jean Serroy designam como o de uma “Geração Desorientada” – que fenómenos de intervenção cívica como os Homens da Luta ou de intervenção social como a Geração à Rasca têm lugar.

Custa-me a crer que gente com responsabilidade política ora desvalorize a situação – segundo alguns trata-se de uns grupelhos de contestatários ligados a organizações políticas situadas no extremo do espectro político – ora a considere um mero fenómeno de práticas carnavalescas, e, nesse sentido, responda negando a realidade do tsunami que cresce a cada hora que passa. Sim, porque, como me confidenciava há dois anos atrás, um colega que muito respeito e que, na ocasião, tinha importante responsabilidade política e social, o caldeirão está quase a estourar. E quando estourar estourará de facto! Esta geração que hoje se assume como parva e que se considera bastarda de um país que a não respeita é, de facto, uma geração composta pelos mais altos quadros: são jovens com elevadas qualificações académicas (mestrado e doutoramento), com um adequado conhecimento do mundo e acesso a redes sociais, e que, terminados os seus cursos, se vêem lançados ora num call center (a ganhar 250 euros por mês!) ora numa caixa de hipermercado (não sei quanto será a remuneração!) ora condenados a viver em casa dos pais ad eternum... Uma geração sem futuro ou com um futuro muito muito longínquo...

As pessoas com responsabilidade e, em particular, os senhores políticos deveriam olhar, com muita atenção, para esta situação e alcançar uma resposta consentânea. É que negar aos que têm hoje 20 anos a possibilidade de serem os actores do desenvolvimento colectivo do mundo que arquitectamos para daqui a 10 ou a 20 anos significa tão somente criar as condições para que situações muito pouco desejáveis possam vir a ocorrer por cá. E uma vez o circo ardendo não haverá água suficiente para apagar o fogo.

2.12.10

Parece que, do outro lado do Atlântico, haja quem já endoideceu

Segundo noticia um blogue de contestação às regras pidescas de controlo nos aeroportos americanos, o absurdo já tomou lugar: uma criança de 4 anos, deficiente motora, foi obrigada a caminhar sem o auxílio dos implantes para que as autoridades pudessem verificar que não se tratava de um terrorista. A notícia está a ser amplamente divulgada pelo canal televisivo CNN:



Depois do escândalo dos documentos divulgados pelo WikiLeaks, estas notícias deixam-me profundamente apreensivo face ao nosso futuro próximo e imediato. Até porque nada nos garante que, amanhã, não tenhamos estes loucos deste lado do Atlântico.

27.11.10

O pânico segue dentro de momentos...

De acordo com o que noticiam alguns sites, estará para breve a revelação de histórias cabeludas envolvendo a diplomacia mais secreta de grandes países, com elevadas responsabilidades no governo e na gestão do governo global do mundo.

A acreditar que tal venha mesmo a suceder, e que os documentos sejam autênticos, só me resta aguardar já com a percepção que vivemos actualmente num período de profunda decadência moral e ética. O mundo está podre. Se calhar, sempre foi assim. A diferença é que antigamente não existiam homens e mulheres com coragem e meios para mostrar, bem alto, a sua indignação perante uma marcha de acontecimentos errada e vil para tantos. Hoje tal é possível. Ainda bem!

Oxalá que este movimento de denúncia possa ajudar os homens, que têm responsabilidades, a perceber, com clareza, o significado da palavra ÉTICA!

22.11.10

From Ireland...

A imagem é a 1ª página de um jornal irlandês e ilustra bem o sentimento de indignação face à situação. Foi encontrada num passeio pelo fórum do Diário Económico.
Esperemos que nunca venhamos a experimentar, por cá, um tal sentimento. São os meus votos para o Novo Ano, que se aproxima!

19.11.10

Perguntas ao vento que passa

Assisti, como qualquer português de gema e patriota, à chegada a Lisboa de tantas e tantas personalidades de relevo internacional, os Senhores do Mundo, como certa imprensa lhes chama. À medida que ia acompanhando tão ilustre cortejo de personagens, fui colocando ao Vento algumas questões que me pareceram pertinentes:

  • Porque razão a necessidade de segurança exige que as ruas e as praças da capital do país estejam despidas de gente? (Preocupou-me a situação pois todas estas imagens me faziam recordar um qualquer filme de ficção científica que terei visto no passado e cujo contexto seria ou o Apocalipse ou o Ensaio sobre a Cegueira)
  • Porque razão a RTP 1 - canal de televisão pago pelos nossos impostos - só mostrava polícias (em grupo ou sinalizados pela presença de carros-patrulha) e nunca se via gente? Acho que entrevistaram 1 ou 2 pessoas? Será que esta é a população de uma capital europeia fervilhante de actividade?
  • Ou será que a situação já é tão deprimente que não há actividade na capital europeia?
  • Porque razão este canal televisivo insiste tanto em sublinhar que já foram presos X potenciais indivíduos, que representam uma perturbação grave à segurança nacional, quando, depois de analisada a informação, se chega à conclusão que estes perigosos sujeitos o são porque transportam consigo T-Shirts e tarjas contra a Organização do Tratado do Atlântico Norte?
  • Será que isto tem que ver com os custos astronómicos que terão sido gastos com a compra de 5 carros de combate (blindados? Chaimites?) para a protecção neste evento e que, segundo julgo saber, ainda não chegaram ou até serão entregues num futuro não imediato?
  • Porque será que tem sido dada tanta importância a uns portugueses que parece que gostam de fotografar aviões, porque, vivendo nós numa Nação com determinadas especificidades culturais, parece ser natural que haja quem se situe junto dos aeroportos para fotografar esses raríssimos objectos? 
  • Porque razão nos enchem a hora de almoço com não sei quantos directos televisivos para relatar coisa nenhuma?

  • Quanto custa a organização deste evento?
  • Trata-se de um investimento com retorno assegurado? Não me venham com o blá-blá da importância histórica ou simbólica do local ou da associação do nome de Lisboa ao novo conceito estratégico de defesa desta organização porque essas coisas não nos pagam os produtos para a nossa sobrevivência quotidiana!
  • Parece que hoje houve tolerância de ponto no concelho de Lisboa. Será que esta é uma medida adequada para garantir e estimular a produtividade nacional? Isso é ainda uma preocupação, ou não?
  • Porque razão os apelos que têm sido feitos por organizações várias da sociedade civil, incluindo da Igreja Católica, relativos à situação de pobreza de largas franjas da sociedade portuguesa ainda não motivaram a realização de uma cimeira internacional em Lisboa, com o aparato e o investimento da que está actualmente a decorrer, para se encontrarem soluções mais justas e mais equitativas que favoreçam a qualidade de vida, a Paz e a Harmonia de todos os povos?
Adenda: um blogue onde se relatam situações que provavelmente serão desconhecidas de muitos relativamente à situação no Afeganistão

17.7.10

Da barbaridade que ainda existe em pleno séc. XXI

Vivemos num país ocidental e democrático, onde somos livres para expressar os nossos pontos de vista e para agir, no respeito pela liberdade dos outros.
Infelizmente, aquilo que consideramos natural e legítimo não o é para muitos povos nos mais diversos locais do mundo.
No Irão, país onde a pena de morte existe para inúmeras situações, uma mulher, entre muitas, foi condenada à morte por lapidação (acto bárbaro que nunca pensei ser possível existir) pelo facto de ter cometido adultério. Este é o mesmo país onde não há muito foram enforcados uma série de jovens sob acusação de serem homossexuais.
(Vi as imagens no Youtube, mas não coloquei o link porque o achei demasiado chocante).
Não tenho palavras, mas, naturalmente, lanço o apelo à indignação colectiva contra tudo isto. E fica também o link para uma petição internacional contra a barbárie!
9 de julho de 2010: Mohammad Mostafavi, advogado de Sakineh Ashtiani, disse à AFP: "ainda não fui informado de qualquer suspensão da sentença. Minha cliente continua na prisão."
Uma mulher iraniana encara a morte após ser torturada por um suposto adultério. Em 2006, Ashtiani foi condenada por ter mantido .relações ilícitas. e recebeu 99 chibatadas. Desde então, esta mulher de 43 anos está na prisão, onde se retratou da confissão feita sob a coerção das chicotadas. Só recentemente é que ela foi levada ao tribunal e recebeu um novo julgamento. De novo ela foi condenada e, desta vez, apesar de já ter sofrido uma punição, foi sentenciada à morte por apedrejamento. Essa prática desumana envolve enrolar firmemente a mulher, da cabeça aos pés, com lençóis brancos, enterrá-la na areia até os ombros e golpeá-la à morte com pedras grandes. Ontem, no final da tarde, o governo do Irã negou a informação de que Ashtiani seria executada por apedrejamento, embora sua sentença de morte ainda possa ser levada a cabo por outro método, provavelmente o enforcamento. Os ativistas dos direitos humanos no Irã, incluindo a Anistia Internacional, duvidam da veracidade dessa declaração e continuam preocupados com o destino de Ashtiani. Não podemos deixar Ashtiani tornar-se mais uma vítima do tratamento aviltante e desumano dispensado às mulheres no Irã, que se tornou uma realidade cotidiana. Faça sua voz ser ouvida e encoraje outras pessoas a fazer o mesmo Tome uma atitude contra a prática do apedrejamento; tome uma atitude contra o abuso de mulheres, assine esta petição.