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11.5.13

Até as gaivotas fogem para terra...

Os tempos definitivamente já não são o que eram.
Sente-se um ar pesado, um ar de chumbo. Pressente-se que algo vai muito mal no reino da Dinamarca.
Até as gaivotas, habituais habitantes de um espaço onde a fronteira entre a terra e o mar se estabelece, decidiram voar para terra, bem dentro e grasnam, como loucas, voando em círculo por cima da janela do meu quarto. Quem me conhece sabe bem que o mar dista do meu quarto perto de 50km e que não há curso de água nem perto nem longe.
Alguém mais avisado dirá que este é o sinal de que a tempestade se aproxima, uma tempestade devastadora, tsunâmica, arrasadora de todos os habitantes marinhos e de alguns terrestres. Não sei. Francamente não sei.
As cabeças bem pensantes e iluminadas continuam a afirmar que estamos no bom caminho. Que tudo o que estamos a passar é um sinal arrebatador do sucesso. Que tudo isto é muito bonito. E que o povo aguenta tudo, ai aguenta aguenta...!
Não tenho tantas certezas.
Mas o futuro aí estará para confirmar ou infirmar estes modos inusitados de olhar o mundo. Espero poder sobreviver ao que aí vem.

10.4.09

Mas porque é que, nesta cidade, há tanta gente assim?...

Hoje, à tarde, vinha eu a caminho do parque de estacionamento, para recuperar a minha viatura e regressar a casa, quando oiço uma progenitora, dirigindo-se à filhita, num volume consideravelmente elevado e brindando-a com um conjunto de epítetos que me fizeram estacar. Fiquei verdadeiramente surpreendido. Ainda julguei não estar a ouvir bem. Poderia ser o som do vento, porque ventava muito e o frio enregelava-me as orelhas. Mas eis que, de súbito, a progenitora, uma mulher na casa dos 30 anos, bem arranjada, com umas calças de ganga justas, botas de cano alto, e um casaco colado ao corpo, cuja silhueta se reconhecia muito bem, volta a presentear a miúdita com um FO**-SE! Mexe-me essas pernas, GRANDE FILHA DA ****!
Estarreci.
Juro que não queria acreditar!!!!!
A cachopa ia-a acompanhando e não retorquiu qualquer palavra.
Acabaram por se afastar e sairam da minha vista.
Recordei então, uma ocasião em que um Amigo me veio visitar e, confrontado com uma situação similar, me chamou a atenção, inquirindo-me se se passaria alguma coisa com as traseuntes que, com mimos tão inusitados, se tratavam entre si. Na altura, respondi-lhe que já estava habituado a esse discurso. Olhou-me boquiaberto.
Mas, desta vez, fui eu que fiquei profundamente perturbado com o linguarajar daquela criatura. Que aparentemente seria mãe, madrasta ou teria algum tipo de vínculo com a criança em questão.
Entretanto, dirigi-me ao parque de estacionamento, para retirar a viatura. E aí recordei uma outra situação, ocorrida há cerca de 20 anos atrás, numa ocasião em que eu, procurando adquirir uma mobília para a instalação de uma cozinha, me dirigi, repetidas vezes, a um mesmo estabelecimento comercial. Era sempre atendido pela mesma vendedora: uma moça jovem, na casa dos 28-30 anos, bonitinha de corpo e de cara, mas que faria muito melhor negócio se só recorresse à linguagem gestual. É que ela, apesar de eu me fazer acompanhar de uma amiga, acabava sempre por orientar a conversa acerca do custo da mobília para assuntos de natureza pessoal que me perturbavam particularmente (e que faziam rir às gargalhadas a minha amiga).
Passo a explicar a situação: depois da 1ª visita ao estabelecimento, conversa para aqui, conversa para ali, ela disse-me que me conhecia. Ora eu, que tenho uma excelente memória visual (infelizmente, o mesmo não pode ser dito da memória dos nomes das pessoas), não me recordava nada da dita senhora. Mas ela disse-me de onde me conhecia: sabe, o senhor é cliente da loja onde trabalha o meu marido. O meu marido é o C....., da loja X, onde o senhor compra os fatos! Ah..., respondi eu. Já tinha identificado o marido: um rapaz. muito simpático, na casa dos 3o anos. Pois sim, já estou a ver.... 
Bom, como a compra do mobiliário só se efectuou depois de pesadas negociações com o patrão dela (na altura eu contava mais os tostões, até porque só estava a trabalhar há um ano), a senhora, por razões que ainda hoje eu não consigo descortinar, acabava sempre por me confessar, entre uma pergunta acerca da qualidade do material e outra acerca da inclusão ou não do IVA no valor final, que qualquer dia colocaria os pirulitos ao marido! Era assim mesmo, com estas palavras!
A minha amiga, quando pressentia que a louca estaria prestes a atacar, piscava-me o olho e perguntava-lhe sempre a mesma coisa: olhe, e quantas crianças é que estão a pensar em vir a ter? Três ou quatro?
Eu, pela minha parte, tocando na madeira (3 vezes!), respondia-lhe sempre o mesmo:
- Ai sim?!??? Olhe, e esta mobília? Custa quanto?...

8.1.09

Quotidianos

Um frio terrível. Cortante. Áspero. 
Um dia de trabalho intenso, quase só com contacto com a máquina. Sem telefonemas. Sem acesso à net. Offline no messenger. Estranhamente todos os contactos estiveram também offline. Um olhar rápido, uma tentativa de verificar se, de facto, haveria alguém do outro lado do monitor, mas uma pergunta cuja resposta nunca chegou.
Ao fim da tarde, um frio cortante que se foi agravando. As mãos geladas.
Um mal estar e uma preocupação crescentes. Como se, de repente, tivesse ficado orfão. Totalmente inexplicável e racionalmente absurdo. Como se pressentisse uma tragédia de proporções enormes, mas sem nenhum tipo de dados objectivos que comprovassem tal emoção.
Só poderia ser um queda acentuada de glicose na corrente sanguínea. Corrida para o bar. Tomar algo quente e comer qualquer coisa. E a esperança de que o arco-íris regressasse prontamente.
Mas não, novamente um sentimento de insegurança atroz. Uma emoção estranha.
Espero bem que não seja prenúncio de alguma má notícia. Porque a ausência custa-me muito. 

11.10.08

O Circo desceu à cidade, definitivamente.
Tenho acompanhado, com alguma proximidade, os recentes desenvolvimentos nos mercados de capitais e, cada vez me convenço mais, que o Circo já chegou e estará prestes a pegar fogo. Provavelmente já está a arder, mas nós ainda não sabemos.
Obviamente que é importante acalmar as populações e evitar, a todo o custo, actos de desespero. Mas, aquilo que é racional, e com o que concordo, não pode deixar de espantar alguém como eu: estamos no meio do caos, decididamente. A tourada já começou. Com força. Lá, do outro lado do mundo. Depois, numa pequenina ilha, que poucos conheceriam. Mas ainda assim, lá, no meio do mar. E o nosso bacalhau não foi afectado. Por isso, o problema ainda não era nosso.
Por estranho que pareça hoje lembrei-me do pavoroso acontecimento da queda das torres do mundialmente famoso World Trade Center, em Nova Iorque, naquele fatídico dia 11 de Setembro. Eram o símbolo do poderio económico dos norte-americanos. Caíram. E a sua queda surpreendeu muita gente. E levou ao desespero. E à guerra. E ao sofrimento. E...
E hoje essas torres simbólicas - atente-se na sua designação - voltaram a ruir. Ou melhor, encontram-se em fase de decomposição e não parece haver andaime ou estrutura que as sustente ou que as mantenha minimamente estáveis.
Parece cruel.
E, pelos vistos, todos serão afectados. Ou alguns desses todos.
Enfim, não sei o que se virá a passar. Sou optimista e quero acreditar que alguém encontrará uma solução. Mas não a vislumbro, até porque os meus conhecimentos nesse domínio são limitados.
Nacionalizar? Estatizar os prejuízos? Mas haverá estado (finanças públicas) que aguentam tal acção?
Aumentando impostos, naturalmente. Mas isso pode conduzir a uma recessão de consequências inimagináveis...
E, hoje em dia, o caldeirão dos insatisfeitos, dos excluídos, dos marginalizados, dos que são expulsos do próprio país porque, em nome de critérios economicistas que so têm dado prejuízo, não conseguem obter emprego - e falo de pessoas com habilitações académicas muito elevadas e que são jovens - , esse caldeirão encontra-se já em ebulição...
Os próximos tempos poderão trazer ainda muitas surpresas, porque quando a razão a que se apela já não funciona - e toda a argumentação que nos foi vendida acerca dos benefícios do modelo de desenvolvimento económico neo-liberal está prestes a ser enterrada, recuperando os grandiosos valores do colectivismo socialista - , aí já só restarão os actos irreflectidos da loucura.
Leitores, preparemo-nos porque o Circo já desceu à cidade!
(Nota: eu gosto muito do circo, particularmente dos palhaços e dos actos de magia, em que o mágico tira da cartola uma data de coelhos!)
Adenda: já conhecem o boneco voodoo de um dos líderes da Europa? 
Viva o Circo!!!!

28.9.08

Quotidianos VII

Um dia já descansado e cheio de sol. Até parece que voltamos a estar em Agosto, tal é o calor que se sente. E ainda bem porque ontem foi um dia cheio de ansiedade. E de preocupação. Não porque tivesse tido que trabalhar todo o dia na empresa - já estou habituado a estas situações que nos alteram os planos previamente concebidos - , mas porque, não recebendo a informação necessitada em tempo real e verificando que o atraso era já claro, me comecei a preocupar. Valeu a tecnologia. E a possibilidade de ficar a saber, a uma distância que os meus passos, mesmo habituados a correr as muitas maratonas da vida, nunca alcançariam, que chegaste bem. E essa foi a minha melhor notícia. 
Agora, só falta esperar por outra notícia que seja, também ela, excelente e confirmadora de tudo aquilo que tu mereces. Acredito que virá em breve.

26.9.08

quotidianos VI

Trabalhar intensa e duramente até às tantas. Ler, reler, compilar, procurar, pesquisar. Ter uma pilha de livros técnicos à minha volta. Estudar. Muito. Paralelamente olhar lá para fora e ver o Sol. Não o conseguir sentir, mas vê-lo. E começar a entristecer. Não porque o sol já se pôs no momento em que escrevo este post, mas porque ele poderá rarear noutros locais. Mas nunca, se eu puder impedir isso! E farei o que estiver ao meu alcance para garantir que o Sol permaneça sempre, com a sua energia, luz e vigor a iluminar determinados locais.
Conversa no msn que me deixou sobejamente feliz. Ter a certeza que o Sol há-de permanecer como astro rei sempre e que as nuvens escuras que, volta e meia, carregam a chuva, o vento e as tempestades, e nos trazem algum temor e desconfiança, partirão, definitivamente lá para bem longe.

21.9.08

Quotidianos V

Philip West
O anzol, 1977

Óleo sobre tela

99,5 x 65 cm

Ex-colecção Cruzeiro Seixas, doação Eng. João Meireles, colecção Fundação Cupertino de Miranda

Mayanna von Ledebur
A preocupação pelo estado de saúde de um amigo. As notícias acerca do seu estado. A leitura ansiosa dos jornais. A busca, com olhar clínico, de ofertas de emprego numa área específica do saber e da acção. A alegria por ir encontrando algumas coisas. Sempre são alternativas, mas o ambiente económico está, infelizmente, muito degradado. Todavia, há-de-se encontrar aquilo que se deseja. O importante é nunca cruzar os braços. É acreditar. E lutar por aquilo em que se acredita. Com veemência. Com fé. Com entusiasmo. Com alegria. Com vontade de vencer.
No fundo, procurando sempre, nos acasos do quotidiano, a Poesia que nos permite olhar o real e sonhar. E acreditar que, pela imaginação, pelo sonho, a Poesia é possível. Visita minunciosa à exposição sobre o Surrealismo, na Fundação Cupertino de Miranda. Redescobrir, nas palavras do comissário da exposição, toda a Poesia que guia a Vida. A provocação. As origens. O pensamento mágico. O acaso. O jogo. O delírio. A arte e a recusa das convenções estéticas vigentes. Aprender com quem sabe e ter gosto nessa aprendizagem. Banho cultural intenso, prolongado, no dia seguinte, por uma visita solitária ao Blindspot, de Mayanna von Ledebur, no Museu da Imagem. Olhar o corpo humano de uma outra forma. Vivenciar o alheamento. A dor. A solidão. Mas também a imaginação  e o campo de possibilidades que o corpo potencia.

17.9.08

Quotidianos IV

O momento doloroso do último adeus. Pensei que viesse a ser muito mais complicado e emotivamente arrasador do que efectivamente foi. Pensei, porque já perdi o meu pai, após um longo e doloroso processo de doença.
Foi um momento doloroso, mas que me ficará gravado na alma e no coração pelo contexto em que teve lugar: numa igreja de traça visigótica, inspirada nos mausoléus bizantinos, acompanhado por um tenor e música sacra. Foi um evento, sem dúvida, singular.
As crises nos mercados accionistas, a falência de bancos e de empresas. As reuniões intermináveis na nossa empresa, em busca de uma fusão com outra, do mesmo ramo, e concorrente, na tentativa de nos salvarmos todos de um destino pouco auspicioso. A agitação, o nervosismo. Os balanços de contas. As auditorias. Os recursos financeiros que, afinal, não correspondem aquilo de que necessitamos com as actuais despesas. É preciso reduzir custos. Ou reclamar, junto da multinacional, mais verbas. Pois sim, claro, reclamemos. Mas que faremos se eles nos questionarem acerca da redução da produtividade? Oh, senhor kapitão, mas acha que eles nos perguntarão isso? É o que eu faria, senhora doutora! Oh, senhor kapitão, então, é melhor não reclamar nada, não acha? Acho que é melhor aumentarmos a produtividade, senhora doutora! E já perdemos 10 minutos nesta conversa que não leva a nada... nem produz riqueza alguma...

11.9.08

Quotidianos III

Viagem. Uma tromba de água terrível, diluviana, apocalíptica. Nunca tinha visto tanta água junta numa auto-estrada. E a visibilidade péssima. E o receio de levar uma pancada no carro. E o maldito do gps que nem se dignou autorizar-me a introduzir as coordenadas da viagem. Livre, dirão alguns. Sim, livre, ao ponto de ter de seguir as indicações dos placards da auto-estrada. E esses placards numa letra tão reduzida e tão pouco visível com a tromba de água diluviana. Olha lá - diz-me o meu companheiro de viagem, tu já vais na auto-estrada para a Corunha! Não era suposto termos virado para Santiago? Pois era, mas eu não percebo esta sinalética! Ah?!?... Tu não percebes a sinalética? Tu???? Tu, que tens carta de condução!... Tu, que estás habituado a trabalhar todos os dias com a semiótica!....  
Afinal, tínhamos virado no sítio certo e depois de uma data de curvas e contracurvas, com visibilidade zero, e uma longa fila de viaturas atrás com os 4 piscas ligados, lá entrámos na cidade do Apóstolo.
Novo suplício para estacionar o carro na garagem do hotel. Nunca percebi porque razão os arquitectos fazem os acessos tão apertados e os lugares tão diminutos. 
- Olha, aqui está escrito "Solo coches pequeños"!
- Claro, é o tamanho do nosso! Mais pequeno é impossível.
- E se disserem alguma coisa?
- Olha, se disserem, disseram. Eu acho que este carro é pequeno! O letreiro não indica a dimensão do carro, pois não?
- .....?!??......
Uma tarde chuvosa, mas muitíssimo agradável. Calcorrear o centro histórico. Sentir a pedra molhada, ouvir as vozes e as línguas diferentes. Absorver o mosaico de culturas e de gentes, uns peregrinos, outros turistas, muitíssimos outros habitantes da cidade. As lojas de recordações. Todas iguais. Todas vendendo os mesmos artefactos aos mesmos preços. Muita gente. Alguns verdadeiramente divertidos, com comentários muito pouco religiosos. 
Mesmo às portas da catedral, a descoberta inesperada de um pequeno objecto capaz de transmitir a quem não pôde vir toda a atmosfera e toda a vivência desta cidade.
A catedral, o Apóstolo, a religiosidade de uns paredes meias com a ânsia fotográfica e turística de outros. Estranho.
O dia seguinte: o trabalho. Proveitoso, intenso. A marcação de nova reunião da multinacional agora para uma outra cidade europeia. O assumir de compromissos. O telemóvel que não pára de tocar. O trabalho e as responsabilidades na nossa filial. 
Regressado a Portugal, a notícia de um amigo que sofrera um ataque cardíaco. Hospital. Urgências. Um familiar consegue aceder aos Cuidados Intensivos e as notícias que traz não são boas. O desfecho deverá ocorrer nas próximas horas.
Estou desfeito. Cansado. Preciso de adormecer.
Adenda: já recebi a informação. Tal como era expectável. Afinal, o tristemente célebre 11 de Setembro abriu mais uma ferida, agora muito mais próxima, e com alguém meu conhecido. 

7.9.08

Quotidianos II

Domingo. Acordar tarde. Um sol quentinho, luminoso, oferecido por quem tem o dom de transformar os meus dias de chuva em dias de luz.
Ouvir e reflectir, na casa que é de todos, que devemos amar os outros como a nós mesmos. Com sinceridade, com entrega, com dedicação. Não ouvi, mas acrescento: com paixão.
Almoçar um excelente bacalhau assado na brasa, num restaurante da cidade de Barcelos. Hummm, d-e-l-i-c-i-o-s-o! Recomendável! Quando vieres por estes lados, tens que o experimentar!
Passeio pelo centro da cidade. Reflexão sobre o modo como o povo entende(u) a justiça feita pelos detentores do poder: foi preciso um galo morto levantar-se e cantar para evitar que um estrangeiro, rapidamente considerado culpado de um delito grave, fosse enforcado. De facto, a lenda do galo de Barcelos dá que pensar. Claro que é uma lenda. Um mito. Uma história. Mas muitíssimo interessante, sob vários aspectos: as relações de poder e de domínio; o olhar dos que são considerados estrangeiros ou não membros da comunidade; a forma como eles são tratados; o papel e o lugar do juiz; os papéis do povo, i. é, dos não detentores do poder, etc, etc.
Leitura. Descanso. Trabalho.

6.9.08

Quotidianos I

Levantar tarde, muito tarde, da caminha. Acordar com o sol, quentinho, a entrar pelo quarto dentro. Ai que bom! Principlamente depois de uma 6ª feira, desgracionada, com o stress do trabalho. E a chuva. E o vento. E o frio que se pôs. E o incomodar de um Amigo.
Hoje, bem disposto, tirar a manhã para o abastecimento semanal da casa. Porque também é preciso adquirir a comidinha. Toda a manhã numa grande superfície. Comprar pão. Comprar bolinhos, para acompanhar o café da manhã. Comprar fruta e legumes, para fazer uma refeição, em casa. Almoçar fora de casa. Parece estranho, mas foi assim. Acordar tarde e tarde regressar implica não cozinhar em casa. Se calhar para o bem de todos. Assim não é necessário que haja fingimentos relativamente à qualidade do cozinheiro. Está-se mais à vontade.
À tarde, visita a um importante espólio de arte rupestre e de arte romana. Gostei. Gostei particularmente da sala consagrada aos templos funerários. Não porque seja algo de mórbido. Mas porque me pus a pensar o que dirão os vindouros, daqui a 2000 anos, acerca de nós e do modo como encaramos a morte. 
Mais à tardinha, consulta ao email. Alegria por duas mensagens recebidas. A de uma rosa, que me encheu de contentamento, e a de um Amigo, que me sossegou. Passeio pelos blogs. Comentários. Leitura de jornais online. Trabalho. Leitura de livros técnicos. Redacção. Reserva de alojamento para Santiago de Compostela. Irritação. A reserva online deixou de funcionar mal os dados foram colocados na página. Temor por algum desvio de informação. Telefonema para o hotel. Reserva via telefone. Mas porque é que eu ainda acredito, piamente, nas vantagens da tecnologia quando tenho que resolver tudo à maneira antiga?
Jantar. Confeccionar o jantar. Comidinha saborosa. Elogio. Acredito que foi sincero.
Recital da Orquestra de Câmara do Minho. Noite agradável e simpática. Alguma nostalgia. Os luagres e as pessoas. Consulta do email. Gargalhadas sonoras com uma mensagem recebida. Registo no blog.