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18.11.11

Carta Aberta


Há algum tempo, foi publicada, na revista, Stern uma “carta aberta” de um cidadão alemão, Walter Wuelleenweber, dirigida a “caros gregos”, com um título e sub-título: 

Depois da Alemanha ter tido de salvar os bancos, agora tem de salvar também a Grécia.
Os gregos, que primeiros fizeram alquimias com o euro, agora, em vez de fazerem economias, fazem greves.


Caros gregos,


Desde 1981 pertencemos à mesma família. 
Nós, os alemães, contribuímos como ninguém mais para um Fundo comum, com mais de 200 mil milhões de euros, enquanto a Grécia recebeu cerca de 100 mil milhões dessa verba, ou seja a maior parcela per capita de qualquer outro povo da U.E. 
Nunca nenhum povo até agora ajudou tanto outro povo e durante tanto tempo.
Vocês são, sinceramente, os amigos mais caros que nós temos.

O caso é que não só se enganam a vocês mesmos, como nos enganam a nós. 
No essencial, vocês nunca mostraram ser merecedores do nosso Euro. 
Desde a sua incorporação como moeda da Grécia, nunca conseguiram, até agora, cumprir os critérios de estabilidade. Dentro da U.E., são o povo que mais gasta em bens de consumo. 

Vocês descobriram a democracia, por isso devem saber que se governa através da vontade do povo, que é, no fundo, quem tem a responsabilidade. Não digam, por isso, que só os políticos têm a responsabilidade do desastre. Ninguém vos obrigou a durante anos fugir aos impostos, a opor-se a qualquer política coerente para reduzir os gastos públicos e ninguém vos obrigou a eleger os governantes que têm tido e têm. Os gregos são quem nos mostrou o caminho da Democracia, da Filosofia e dos primeiros conhecimentos da Economia Nacional. Mas, agora, mostram-nos um caminho errado. E chegaram onde chegaram, não vão mais adiante!!! 

Na semana seguinte, Stern publicou uma carta aberta de um grego, dirigida a Wuelleenweber:

Caro Walter,

Chamo-me Georgios Psomás. Sou funcionário público e não “empregado público” como, depreciativamente, como insulto, se referem a nós os meus compatriotas e os teus compatriotas. 

O meu salário é de 1.000 euros. Por mês, hem!... não vás pensar que por dia, como te querem fazer crer no teu País. Repara que ganho um número que nem sequer é inferior em 1.000 euros ao teu, que é de vários milhares. 
Desde 1981, tens razão, estamos na mesma família. Só que nós vos concedemos, em exclusividade, um montão de privilégios, como serem os principais fornecedores do povo grego de tecnologia, armas, infraestruturas (duas autoestradas e dois aeroportos internacionais), telecomunicações, produtos de consumo, automóveis, etc.. Se me esqueço de alguma coisa, desculpa. Chamo-te a atenção para o facto de sermos, dentro da U.E., os maiores importadores de produtos de consumo que são fabricados nas fábricas alemãs. 

A verdade é que não responsabilizamos apenas os nossos políticos pelo desastre da Grécia. Para ele contribuíram muito algumas grandes empresas alemãs, as que pagaram enormes “comissões” aos nossos políticos para terem contratos, para nos venderem de tudo, e uns quantos submarinos fora de uso, que postos no mar, continuam tombados de costas para o ar. 

Sei que ainda não dás crédito ao que te escrevo. Tem paciência, espera, lê toda a carta, e se não conseguir convencer-te, autorizo-te a que me expulses da Eurozona, esse lugar de VERDADE, de PROSPERIDADE, da JUSTIÇA e do CORRECTO. 


Estimado Walter,

Passou mais de meio século desde que a 2ª Guerra Mundial terminou. 

QUER DIZER MAIS DE 50 ANOS desde a época em que a Alemanha deveria ter saldado as suas obrigações para com a Grécia. Estas dívidas, QUE SÓ A ALEMANHA até agora resiste a saldar com a Grécia (Bulgária e Roménia cumpriram, ao pagar as indemnizações estipuladas), e que consistem em: 

1. Uma dívida de 80 milhões de marcos alemães por indemnizações, que ficou por pagar da 1ª Guerra Mundial; 

2. Dívidas por diferenças de clearing, no período entre-guerras, que ascendem hoje a 593.873.000 dólares EUA. 

3. Os empréstimos em obrigações que contraíu o III Reich em nome da Grécia, na ocupação alemã, que ascendem a 3,5 mil milhões de dólares durante todo o período de ocupação. 

4. As reparações que deve a Alemanha à Grécia, pelas confiscações, perseguições, execuções e destruições de povoados inteiros, estradas, pontes, linhas férreas, portos, produto do III Reich, e que, segundo o determinado pelos tribunais aliados, ascende a 7,1 mil milhões de dólares, dos quais a Grécia não viu sequer uma nota.

5. As imensuráveis reparações da Alemanha pela morte de 1.125.960 gregos (38,960 executados, 12 mil mortos como dano colateral, 70 mil mortos em combate, 105 mil mortos em campos de concentração na Alemanha, 600 mil mortos de fome, etc., etc.). 

6. A tremenda e imensurável ofensa moral provocada ao povo grego e aos ideais humanísticos da cultura grega. 

Amigo Walter, sei que não te deve agradar nada o que escrevo. Lamento-o. 

Mas mais me magoa o que a Alemanha quer fazer comigo e com os meus compatriotas. 

Amigo Walter: na Grécia laboram 130 empresas alemãs, entre as quais se incluem todos os colossos da indústria do teu País, as que têm lucros anuais de 6,5 mil milhões de euros. Muito em breve, se as coisas continuarem assim, não poderei comprar mais produtos alemães porque cada vez tenho menos dinheiro. Eu e os meus compatriotas crescemos sempre com privações, vamos aguentar, não tenhas problema. Podemos viver sem BMW, sem Mercedes, sem Opel, sem Skoda. Deixaremos de comprar produtos do Lidl, do Praktiker, da IKEA. 


Mas vocês, Walter, como se vão arranjar com os desempregados que esta situação criará, que por ai os vai obrigar a baixar o seu nível de vida, Perder os seus carros de luxo, as suas férias no estrangeiro, as suas excursões sexuais à Tailândia? 

Vocês (alemães, suecos, holandeses, e restantes “compatriotas” da Eurozona) pretendem que saíamos da Europa, da Eurozona e não sei mais de onde.

Creio firmemente que devemos fazê-lo, para nos salvarmos de uma União que é um bando de especuladores financeiros, uma equipa em que jogamos se consumirmos os produtos que vocês oferecem: empréstimos, bens industriais, bens de consumo, obras faraónicas, etc. 

E, finalmente, Walter, devemos “acertar” um outro ponto importante, já que vocês também disso são devedores da Grécia: 

EXIGIMOS QUE NOS DEVOLVAM A CIVILIZAÇÃO QUE NOS ROUBARAM!!! Queremos de volta à Grécia as imortais obras dos nossos antepassados, que estão guardadas nos museus de Berlim, de Munique, de Paris, de Roma e de Londres. 

E EXIJO QUE SEJA AGORA!! Já que posso morrer de fome, quero morrer ao lado das obras dos meus antepassados. 

Cordialmente,

Georgios Psomás

13.3.09

Puxa!!! Nunca pensei... ou a verdade da mentira

Bom, passados uma data de dias, e a pedido insistente e reiterado de numerosas famílias, aqui vai a grande revelação! 
Tam-tam!!!!
1) Quando era miúdo queria muito poder vir a ser arquitecto, quando crescesse. Aliás, sempre tive uma grande queda para o desenho e, particularmente, para ler e desenhar a planta de casas. Cheguei ao ponto de fazer o esboço da planta da casa, que os meus pais queriam construir. VERDADE: também é preciso acrescentar que a dita casa nunca passou de um esboço nem nunca chegou a ser construída... Garante-se, assim, para a posterioridade, a qualidade do feito e a não beliscadura do futuro senhor arquitecto! 
2) Sei fazer um bacalhau com natas que é uma delícia. Até já convidei todos os colegas da empresa para provarem este petisco. MENTIRA: convidar já convidei, mas fomos comer a um restaurante pois eu tenho uma clara consciência das minhas capacidades e esta não é, de facto, das mais fortes... A única vez que me aventurei por um prato mais sofisticado, recebi o seguinte elogio: está muito bom, mas, por tudo aquilo que é mais sagrado, nunca mais, em circunstância alguma, nos convides para sermos testemunhas destas iguarias. LOL
3) Já me saiu um prémio bastante interessante no Euromilhões, graças a uma chave construída aleatoriamente com a participação de um Amigo. VERDADE: um prémio bem agradável e que se foi repetindo ao longo de várias semanas! E depois, sabem como é o ditado: sorte no dinheiro, azar no.... Pois é, eu tenho mais queda para as finanças!!!! LOL
4) Sei falar várias línguas, tendo estudado, entre outras, grego. VERDADE: falo Português (também não faltava mais nada, pois não???), Inglês, Espanhol, Francês, percebo um bocado de italiano e vou lendo um bocadinho de Grego. Esta última língua é, como percebem, de uma utilidade sem precedentes, até porque cada vez mais me parece que todos falam grego. Eu próprio, tenho-me vindo a aproximar desses níveis de exercício da linguagem. Falo, falo, mas ninguém me entende.... LOL
5) Quando concorri para o ensino superior, só assinalei uma opção, tendo deixado todas as outras  possibilidades em branco. VERDADE: se fosse hoje, nunca, em circunstância alguma, faria uma tal parvoíce. Mas aos 18 anos somos todos um bocado convencidos e acreditamos piamente nas nossas capacidades! Por acaso, resultou, mas podia não ter resultado. E aí, teria sido um ano perdido, graças à minha arrogância e burrice (mais burrice, claro!)
6) Quando era miúdo, era extremamente forte. VERDADE: forte é elogio. Era gordo. GORDÍSSIMO!!! Uma baleia! Uiii, nem quero recordar esses tempos.... 
7) Adoro comer comida indiana e, de preferência, bem picante. VERDADE: a-d-o-r-o! Claro que as pessoas acham que esta história do piri-piri na comida é só conversa... Uma ocasião, alguém decidiu provar esse prato estranho, que eu saboreava com explícito prazer, e ia-lhe dando uma coisa, tal o ardor que sentiu! E mirava-me, plenamente convencido que a malagueta estava apenas no pedaço que tinha provado! LOL
8) Já fiz campismo várias vezes e, sempre que tenho oportunidade, agarro na minha mochila e no meu saco-cama e aí vou eu! MENTIRA: nunca fiz campismo! Não tenho saco-cama e a mochila adquiri-a, pela 1ª vez, há três meses. Tenho receio de fazer campismo. Não me sinto seguro. Nem tão pouco confortável. Gosto de ter uma cama fofa, com lençois e com uma certa dimensão. E... gosto de outras coisas que, como facilmente compreenderão, não vou revelar aqui, num espaço público. 
9) Fundei uma banda rock, de garagem, aos 17 anos e percorri o país com ela. MENTIRA: nem aos 17, nem depois; banda de rock, se a tivesse fundado, seria para já ter ganho uns largos milhares com ela... (desculpem a visão materialista do mundo, mas tem que se ter sorte em alguma coisa!!!!)
Muito obrigado à multidão de participantes, que trouxeram inclusivamente as criancinhas nos carrinhos, pela vossa tão concorrida presença neste desafio (cof, cof). Uma palavra de saudação aos magníficos 2 participantes que ousaram comentar, embora saibamos, tenhamos a certeza, fundada em irrefutáveis e inquestionáveis provas científicas, que foram largos milhares os que leram este desafio (cof, cof).
Para a próxima, anunciaremos previamente o prémio associado ao vencedor. E também as empresas que patrocinam este evento.

17.2.09

O mundo: hoje e amanhã

Confesso que só hoje, depois de ler uma série de comentários acerca do programa Prós & Contras, da RTP 1, que abordou a questão dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo, é que fui ver a gravação do programa. Ontem não vi o programa porque tinha mais o que fazer e também porque já estou habituado a ter que filtrar muita da informação com que nos inundam o serão e já não tenho pachorra para certas coisas.

 

Relativamente à questão direi apenas que aquilo que mais parece preocupar os defensores do não se resume ao medo: o medo de que a aprovação do casamento origine um ataque a um certo modelo de família; o medo do que possa vir a acontecer no futuro. E quando se tem medo, a solução parece ser o imobilismo.

 

Relativamente aos defensores do sim, a questão tem que ver com o reconhecimento de direitos e com a não discriminação de que têm sido / são alvo.

 

Os argumentos aduzidos, alguns são bizarros e hilariantes.

 

Não deixa de me causar espanto que a nossa sociedade tenha necessidade de efectuar um debate desta natureza. E que os medos e os pavores ainda condicionem tanto tanta gente.

 

Não sei se já repararam, mas nós estamos a viver o fim de um ciclo. As ideologias que nos governaram parecem ter ruído, com consequências que ainda não conhecemos na sua totalidade. O sistema capitalista estourou (está a implodir!). A ideologia marxista implodiu com a queda do muro de Berlim em 1989. (Restam resquícios, contaminados com ideologia capitalista na China). A ideologia do racionalismo iluminista, cuja raiz mais visível remonta à Revolução Francesa de 1789, foi claramente posta em causa com o colapso do sistema capitalista e com a emergência do fundamentalismo islâmico. O Cristianismo, enquanto sistema organizado de ideias, tem vindo a ser abalado, principalmente no mundo ocidental, nos últimos 20 anos.

 

Francamente, não sei qual é o futuro. Mas acredito que teremos que o construir solidariamente, com tolerância, diálogo e respeito mútuo. E principalmente sem medos. 

7.2.09

Desafio aleatório

A Mik@, bloguista da melhor gema, lembrou-se de me colocar um desafio: escrever 6 coisas aleatórias sobre mim. Devo confessar que resisti bastante a aceitar um tal desafio porque, como já tive oportunidade de partilhar, não gosto muito de falar acerca de mim. Mas, dada a qualidade de quem me desafiou, aqui estão as respostas:
1) Não gosto nada de bebidas excessivamente quentes. 
2) Quando não estou familiarizado com os contextos, pessoas ou com as situações, fico muito ansioso; normalmente, trato todos com um formalismo inusitado que perturba imenso os meus interlocutores, ao ponto de os fazer pensar que, do outro lado da linha, estará provavelmente um E. T.
3) Não gosto de telenovelas, sejam elas de canais de sinal aberto ou de sinal codificado; tenho tendência a adormecer.
4) Adoro séries de humor inteligente.
5) Irritam-me pessoas que me tentem controlar ou que assumam posturas moralistas e/ou paternalistas. Idem no que se refere a pessoas que queiram saber mais do que aquilo que eu estou disposto a contar. Quando tal sucede, activo a "bomba engonhante" e nada, rigorosamente nada ficam a saber acerca de mim. Claro que acabam por me considerar um E.T. LOL
6) O que mais gosto é de estar com os amigos. De conversar, de passear e de partilhar uma refeição. 
E pronto! Já está! Já ficaram a saber 6 coisas aleatórias a meu respeito.
Agora, quem receber este desafio, terá, de acordo com as regras propostas pela Mik@, que:
Escrever as regras do desafio  Linkar a pessoa que enviou o desafio Contar 6 factos aleatórios sobre a vossa pessoa (ou mais…) Passar o desafio a 6 blogs e ir avisar os nomeados
Tam, tam, tam!!!!
Os nomeados estejam atentos, pois contactar-vos-ei por via electrónica! Que eu sou uma pessoa muito tecnológica ou o que é que julgam?!?