Os tempos definitivamente já não são o que eram.
Sente-se um ar pesado, um ar de chumbo. Pressente-se que algo vai muito mal no reino da Dinamarca.
Até as gaivotas, habituais habitantes de um espaço onde a fronteira entre a terra e o mar se estabelece, decidiram voar para terra, bem dentro e grasnam, como loucas, voando em círculo por cima da janela do meu quarto. Quem me conhece sabe bem que o mar dista do meu quarto perto de 50km e que não há curso de água nem perto nem longe.
Alguém mais avisado dirá que este é o sinal de que a tempestade se aproxima, uma tempestade devastadora, tsunâmica, arrasadora de todos os habitantes marinhos e de alguns terrestres. Não sei. Francamente não sei.
As cabeças bem pensantes e iluminadas continuam a afirmar que estamos no bom caminho. Que tudo o que estamos a passar é um sinal arrebatador do sucesso. Que tudo isto é muito bonito. E que o povo aguenta tudo, ai aguenta aguenta...!
Não tenho tantas certezas.
Mas o futuro aí estará para confirmar ou infirmar estes modos inusitados de olhar o mundo. Espero poder sobreviver ao que aí vem.
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11.5.13
15.7.12
Já ardem capitais europeias...
Por esta Europa fora, os escândalos e as fraudes sucedem-se a um ritmo avassalador. Nunca como hoje a face de um capitalismo selvagem, que não olha a meios para maximizar os seus lucros, se tornou tão evidente, condenando milhares à pobreza e, em muitos casos, ao desespero e à morte.
A última bomba - que conhecerá pavorosos desenvolvimentos ao longo dos próximos dias e semanas, com consequências políticas e económicas ainda imprevisíveis - é a maior fraude financeira da história: a manipulação, efectuada por grandes bancos, da taxa de referência Libor. As redes sociais têm vindo a assinalar que não foi apenas o Barclays que esteve envolvido nessa fraude, mas muitos outros bancos, incluindo poderosos bancos alemães e norte-americanos.
Na vizinha Espanha, a anónima deputada Andrea Fabra brindou os desempegrados, em plena sessão de parlamento, com um explícito uso do espanhol vernacular que, além de indignar os presentes, lançou fogo a toda o país. Neste momento, para além do que se diz e se escreve, são já milhares os que exigem a sua demissão.
Por cá, o circo ainda vai no adro. Mas as labaredas já quiemam: um personagem político, exuberantemente conhecido nas redes sociais, e pelos piores motivos, teima em assobiar para o lado, clamando, com o apoio dos ainda poderosos deste país sob intervenção externa, que está tudo bem e que não se passa nada....
Esperemos que a fraude Barclays não venha a contaminar também outros bancos do nosso reduzido sistema financeiro. É que a bancarrota do BPN já nos colocou sob intervenção externa e o BPN apenas representava 3% do sistema financeiro português....
As próximas semanas serão muitíssimo interessantes!
A última bomba - que conhecerá pavorosos desenvolvimentos ao longo dos próximos dias e semanas, com consequências políticas e económicas ainda imprevisíveis - é a maior fraude financeira da história: a manipulação, efectuada por grandes bancos, da taxa de referência Libor. As redes sociais têm vindo a assinalar que não foi apenas o Barclays que esteve envolvido nessa fraude, mas muitos outros bancos, incluindo poderosos bancos alemães e norte-americanos.
Na vizinha Espanha, a anónima deputada Andrea Fabra brindou os desempegrados, em plena sessão de parlamento, com um explícito uso do espanhol vernacular que, além de indignar os presentes, lançou fogo a toda o país. Neste momento, para além do que se diz e se escreve, são já milhares os que exigem a sua demissão.
Por cá, o circo ainda vai no adro. Mas as labaredas já quiemam: um personagem político, exuberantemente conhecido nas redes sociais, e pelos piores motivos, teima em assobiar para o lado, clamando, com o apoio dos ainda poderosos deste país sob intervenção externa, que está tudo bem e que não se passa nada....
Esperemos que a fraude Barclays não venha a contaminar também outros bancos do nosso reduzido sistema financeiro. É que a bancarrota do BPN já nos colocou sob intervenção externa e o BPN apenas representava 3% do sistema financeiro português....
As próximas semanas serão muitíssimo interessantes!
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19.2.12
Não são preciasas palavras, pois não?
A imagem pertence ao blogue Ladrões de Bicicletas e exprime o nosso futuro próximo. Um futuro trágico e pavoroso, apesar daquilo que muitos dos fazedores de opinião nos quererem fazer crer.
Claro que, e aqui temos que concordar com todos os que assinaram o Memorando de Entendimento com a Troika, se não fosse o programa de assistência financeira já estaríamos todos na bancarrota. E a fome e distúrbio social que se anuncia já fariam parte do nosso quotidiano.
13.2.12
News from Greece
A caixa de Pandora já foi aberta e todos sabemos como esta narrativa irá terminar.
A recente aprovação de mais um pacote com duríssimas e inexequíveis condições de austeridade, a cumprir pelo povo grego, sob imposição da Troika comunitária, mais não permitirá do que fornecer um ténue balão de oxigénio, tempo considerado mais do que suficiente para que os poucos fundos que ainda detêm dívida soberana grega a possam transaccionar no mercado secundário. Porque é exactamente disso que estamos a falar. Ganhar tempo para que os activos tóxicos possam ir parar a outras carteiras, permitindo que a bancarrota - o default, como agora se diz - seja organizada. Tudo isto é por demais evidente, já que nem os responsáveis políticos alemães o negam.
A Grécia está falida e vai declarar a insolvência num espaço de tempo curto.
Aliás, não tem outra hipótese já que não produz nem vai produzir nada com medidas que destroem o parco emprego ainda existente.
A segunda parte da história é que a Europa é bem capaz de se desagregar, pelo menos, como dizíamos há uns tempos atrás, a actual configuração da União Europeia não deverá resistir ao que sucederá a seguir. Mais uma vez, importantes responsáveis políticos alemães já anteciparam e incorporaram esse cenário.
Como fica Portugal?
Muito mal. Aliás, todos os sinais demonstram já que o dito programa de ajuda externa não está a dar os resultados esperados e que, em breve, conheceremos o nosso futuro. Bastará acompanhar, com atenção, o que vai sucedendo na Grécia para percebermos o que nos espera.
Mas a história não termina aqui.
Há uma terceira parte e uma quarta parte e, provavelmente, muitas outras partes ainda antes que o filme termine.
Na Grécia, a violência contra os representantes do poder económico e político, e, em larga medida, contra os opressores, já se manifestou: surgiram cartazes, nas manifestações, apelando ao assassínio dos banqueiros, várias esquadras de polícia foram incendiadas, as lojas outlet de grandes marcas multinacionais foram vandalizadas e incendiadas, repartições das finanças arderam, assim como bancos.
Dir-se-ia - pelo menos foi essa a explicação oficial, foi um grupo de anarquistas violentos, porém as imagens controladas da televisão portuguesa mostraram o queimar da bandeira alemã.
Os relatos que chegam directamente da Grécia assinalam a intensificação da repressão da população por parte das forças policiais gregas que chegaram a temer que a população ocupasse e incendiasse o parlamento, aonde se discutia a aprovação do famoso segundo pacote de resgate.
A Troika, liderada pelo governo alemão, tem vindo a impor e a exigir condições humilhantes ao povo grego. Fica-se com a ideia que o povo grego padece de um pecado original ou o que se lhe quiser chamar: é preguiçoso, corrupto, indolente, não trabalha, não produz e merece ser castigado, merece que sejam outros a dar-lhes ordens e a reconduzi-los à dita produtividade.
Este aspecto é tanto mais grave quanto sabemos, pela história, que a Alemanha Nazi ocupou a Grécia e que, em nome de uma ideologia de uma pretensa superioridade da raça ariana, dizimou vários milhões de habitantes europeus.
Aquilo que se passa hoje na Grécia deveria fazer-nos reflectir colectivamente sobre o que é a Europa e o que queremos que ela seja no futuro.
Pela minha parte, eu jamais vou aprender a falar alemão!
18.11.11
Carta Aberta
Há algum tempo, foi publicada, na revista, Stern uma “carta aberta” de um cidadão alemão, Walter Wuelleenweber, dirigida a “caros gregos”, com um título e sub-título:
Depois da Alemanha ter tido de salvar os bancos, agora tem de salvar também a Grécia.
Os gregos, que primeiros fizeram alquimias com o euro, agora, em vez de fazerem economias, fazem greves.
Caros gregos,
Desde 1981 pertencemos à mesma família.
Nós, os alemães, contribuímos como ninguém mais para um Fundo comum, com mais de 200 mil milhões de euros, enquanto a Grécia recebeu cerca de 100 mil milhões dessa verba, ou seja a maior parcela per capita de qualquer outro povo da U.E.
Nunca nenhum povo até agora ajudou tanto outro povo e durante tanto tempo. Vocês são, sinceramente, os amigos mais caros que nós temos.
O caso é que não só se enganam a vocês mesmos, como nos enganam a nós.
No essencial, vocês nunca mostraram ser merecedores do nosso Euro.
Desde a sua incorporação como moeda da Grécia, nunca conseguiram, até agora, cumprir os critérios de estabilidade. Dentro da U.E., são o povo que mais gasta em bens de consumo.
Vocês descobriram a democracia, por isso devem saber que se governa através da vontade do povo, que é, no fundo, quem tem a responsabilidade. Não digam, por isso, que só os políticos têm a responsabilidade do desastre. Ninguém vos obrigou a durante anos fugir aos impostos, a opor-se a qualquer política coerente para reduzir os gastos públicos e ninguém vos obrigou a eleger os governantes que têm tido e têm. Os gregos são quem nos mostrou o caminho da Democracia, da Filosofia e dos primeiros conhecimentos da Economia Nacional. Mas, agora, mostram-nos um caminho errado. E chegaram onde chegaram, não vão mais adiante!!!
Na semana seguinte, Stern publicou uma carta aberta de um grego, dirigida a Wuelleenweber:
Caro Walter,
Chamo-me Georgios Psomás. Sou funcionário público e não “empregado público” como, depreciativamente, como insulto, se referem a nós os meus compatriotas e os teus compatriotas.
O meu salário é de 1.000 euros. Por mês, hem!... não vás pensar que por dia, como te querem fazer crer no teu País. Repara que ganho um número que nem sequer é inferior em 1.000 euros ao teu, que é de vários milhares.
Desde 1981, tens razão, estamos na mesma família. Só que nós vos concedemos, em exclusividade, um montão de privilégios, como serem os principais fornecedores do povo grego de tecnologia, armas, infraestruturas (duas autoestradas e dois aeroportos internacionais), telecomunicações, produtos de consumo, automóveis, etc.. Se me esqueço de alguma coisa, desculpa. Chamo-te a atenção para o facto de sermos, dentro da U.E., os maiores importadores de produtos de consumo que são fabricados nas fábricas alemãs.
A verdade é que não responsabilizamos apenas os nossos políticos pelo desastre da Grécia. Para ele contribuíram muito algumas grandes empresas alemãs, as que pagaram enormes “comissões” aos nossos políticos para terem contratos, para nos venderem de tudo, e uns quantos submarinos fora de uso, que postos no mar, continuam tombados de costas para o ar.
Sei que ainda não dás crédito ao que te escrevo. Tem paciência, espera, lê toda a carta, e se não conseguir convencer-te, autorizo-te a que me expulses da Eurozona, esse lugar de VERDADE, de PROSPERIDADE, da JUSTIÇA e do CORRECTO.
Estimado Walter,
Passou mais de meio século desde que a 2ª Guerra Mundial terminou.
QUER DIZER MAIS DE 50 ANOS desde a época em que a Alemanha deveria ter saldado as suas obrigações para com a Grécia. Estas dívidas, QUE SÓ A ALEMANHA até agora resiste a saldar com a Grécia (Bulgária e Roménia cumpriram, ao pagar as indemnizações estipuladas), e que consistem em:
1. Uma dívida de 80 milhões de marcos alemães por indemnizações, que ficou por pagar da 1ª Guerra Mundial;
2. Dívidas por diferenças de clearing, no período entre-guerras, que ascendem hoje a 593.873.000 dólares EUA.
3. Os empréstimos em obrigações que contraíu o III Reich em nome da Grécia, na ocupação alemã, que ascendem a 3,5 mil milhões de dólares durante todo o período de ocupação.
4. As reparações que deve a Alemanha à Grécia, pelas confiscações, perseguições, execuções e destruições de povoados inteiros, estradas, pontes, linhas férreas, portos, produto do III Reich, e que, segundo o determinado pelos tribunais aliados, ascende a 7,1 mil milhões de dólares, dos quais a Grécia não viu sequer uma nota.
5. As imensuráveis reparações da Alemanha pela morte de 1.125.960 gregos (38,960 executados, 12 mil mortos como dano colateral, 70 mil mortos em combate, 105 mil mortos em campos de concentração na Alemanha, 600 mil mortos de fome, etc., etc.).
6. A tremenda e imensurável ofensa moral provocada ao povo grego e aos ideais humanísticos da cultura grega.
Amigo Walter, sei que não te deve agradar nada o que escrevo. Lamento-o.
Mas mais me magoa o que a Alemanha quer fazer comigo e com os meus compatriotas.
Amigo Walter: na Grécia laboram 130 empresas alemãs, entre as quais se incluem todos os colossos da indústria do teu País, as que têm lucros anuais de 6,5 mil milhões de euros. Muito em breve, se as coisas continuarem assim, não poderei comprar mais produtos alemães porque cada vez tenho menos dinheiro. Eu e os meus compatriotas crescemos sempre com privações, vamos aguentar, não tenhas problema. Podemos viver sem BMW, sem Mercedes, sem Opel, sem Skoda. Deixaremos de comprar produtos do Lidl, do Praktiker, da IKEA.
Mas vocês, Walter, como se vão arranjar com os desempregados que esta situação criará, que por ai os vai obrigar a baixar o seu nível de vida, Perder os seus carros de luxo, as suas férias no estrangeiro, as suas excursões sexuais à Tailândia?
Vocês (alemães, suecos, holandeses, e restantes “compatriotas” da Eurozona) pretendem que saíamos da Europa, da Eurozona e não sei mais de onde.
Creio firmemente que devemos fazê-lo, para nos salvarmos de uma União que é um bando de especuladores financeiros, uma equipa em que jogamos se consumirmos os produtos que vocês oferecem: empréstimos, bens industriais, bens de consumo, obras faraónicas, etc.
E, finalmente, Walter, devemos “acertar” um outro ponto importante, já que vocês também disso são devedores da Grécia:
EXIGIMOS QUE NOS DEVOLVAM A CIVILIZAÇÃO QUE NOS ROUBARAM!!! Queremos de volta à Grécia as imortais obras dos nossos antepassados, que estão guardadas nos museus de Berlim, de Munique, de Paris, de Roma e de Londres.
E EXIJO QUE SEJA AGORA!! Já que posso morrer de fome, quero morrer ao lado das obras dos meus antepassados.
Cordialmente,
Georgios Psomás
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17.9.11
Colapso em contagem decrescente
A Europa enfrenta actualmente um dos seus maiores desafios: sobreviver com a configuração que lhe conhecemos.
As notícias que nos chegam dessa mesma Europa revelam o quão frágil e precário é o entendimento acerca da manutenção do status quo. Temo bem que estejamos a assistir ao início do colapso de uma certa concepção do mundo que inaugurou auspiciosamente o novo século. O que se irá passar a seguir será, dados os ajustamentos estruturais que inevitavelmente se seguirão, pavoroso, principalmente para uma geração que aprendeu a viver em segurança e com uma certa qualidade de vida minimamente garantida.
O extracto do artigo que cito abaixo está publicado no site de análise político-económica do ZeroHedge.com
Eurozone must be honest: Big haircuts for bond
holders, debt limits for all, says Die Zeit (article
in German). The drama of saving European banks that hold Greek debt, and the
debt of other tottering Eurozone nations, has been going on for a year and a
half. Each effort to keep Greece on track follows the familiar script.
Politicians promise spending cuts. Greeks demonstrate. E.U. inspectors check
things out and leave angry. Germans declare that Greece will not get any relief
until it fixes its problems. Then Greece notices that it needs yet more money
and threatens to default. Germany nods. And the next installment gets
paid.
By now, all hope for a happy ending has
dissipated. Greece is suffering from a multitude of problems that defy quick
fixes, among them a huge pile of debt, an inept and corrupt fiscal system where
taxes are simply not collected, dysfunctional institutions, and a
government-dominated economy. Even unlimited amounts of money can only defer the
end game.
But there are already victims. The most recent
one: The concept of an independent, apolitical central bank whose primary
purpose is guarding the value of the currency, rather than monetizing the debt
of countries that have spent beyond their means.
Wolf Richter - www.testosteronepit.com
15.4.11
Portugal: cenas dos próximos capítulos
Estamos a chegar ao fim. A
bancarrota ainda não foi oficialmente declarada, mas já é, em surdina, assumida
por quase todos. Os banqueiros já vieram lançar um grito lacinante. Claro que,
para quem tem acesso à execução das contas, o grito dos banqueiros já tinha
sido histericamente repetido vezes sem conta nos bastidores da grande casa.
Estamos falidos.
Agora que já se começa a perceber
o circo em que vivemos e que a nave dos loucos se encontra definitivamente
desorientada já se vão ouvindo rumores acerca da necessidade de nos libertarmos do euro para assim, segundo opinam certas vozes, recuperarmos a nossa soberania... Francamente, só me dá vontade de rir, embora a situação seja (e
venha a ser) profundamente trágica e, podemos dizê-lo, final. A solução final!
(Explico o que digo: sair da zona euro, com todas as dívidas associadas a esta moeda, seria a bancarrota imediata. E a convulsão social por longos tempos. A regressão para tempos anteriores ao século XIX. É que uma saída da zona euro implicaria um haircut da ordem dos 40-50% na nova moeda, com o consequente aumento da inflação nos produtos importados, facto trágico para um país que nem sequer produz aquilo que come. E depois haveria sempre dívidas - em euros - para pagar. Obviamente que o sistema financeiro entraria em colapso. Sobreviveria quem, com recursos em moeda estrangeira, pudesse, antecipadamente, emigrar.)
A nossa soberania não nos
interessa para nada. Nunca nos interessou. Só é útil quando, em nome de
interesses obscuros, dá jeito para manipular um certo sentido patrioteiro que
alguns ainda possuem. Mas também estes são cada vez menos.
O que nos interessa a todos é que
o nosso modo de vida, qualidade ou o que lhe quiserem chamar, possa permanecer
com os padrões que possuímos ou que possa ser melhorado. Só isso. Nada,
rigorosamente mais nada. Pátria, nação, o que quer que seja, nada disso existe
já. Aliás é curioso que muitos evoquem esse termo quando se trata de mobilizar
as massas: acontece no caso dos jogos de futebol (mas a equipa, por incrível,
só tem um ínfima percentagem de jogadores portugueses!), acontece no caso das
eleições (mas o que interessa a todos é o prato de lentilhas, por sinal, fruto
dos colossais fundos estruturais que os estrangeiros nos têm enviado nos
últimos 20 anos!), e julgo que acontecerá também noutras situações (o inimigo
externo contra o qual é preciso lutar...)
Segundo noticiam os jornais cá do
burgo, o FMI estará por cá durante os próximos 10 anos.
Não acredito. Quanto muito,
estará por cá durante os primeiros 3 meses. É que, por essa altura – falamos em
meados de Setembro -, ou as coisas se modificaram ou o pratinho de lentilhas
acabará de vez e aí, sim, a bancarrota (ou eufemísticamente denominada
reestruturação da dívida) será publicamente assumida.
Será que alguém ainda acredita
que esta gente que vive neste cantinho da Ibéria vai alguma vez modificar os
seus hábitos de vida e a sua mentalidade? Os nossos conterrâneos do norte da
Europa ainda não perceberam o core da mentalidade dos cidadãos da Europa do Sul.
Para além disso, a fronteira que nos separa é muito antiga, tem raízes históricas,
não se afigurando passível de modificação porque um estrangeiro (que nos
usurpou a soberania) nos vem dar ordens, ainda para mais com a ameaça de nos
deixar morrer à fome...
Avanço que ainda vamos ouvir por
aí alguém clamar pela necessidade de se recuperar a força e a raça dos
lusitanos e de, activamente, lutarmos contra o centralismo dos colonizadores,
as vozes e gentes do Norte da Europa...
Os próximos tempos serão deveras
interessantes...
25.3.11
Bom senso e honestidade precisam-se. Urgentemente.
Quando todos sabemos a situação aflitiva em que se encontram
as finanças públicas, com o risco iminente de falta de liquidez,
impossibilitando o pagamento de remunerações, salários, pensões, e coisas tais,
quando os títulos de dívida soberana portugueses deixam de ser aceites como
colaterais para empréstimos por importantes instituições financeiras, exige-se
um mínimo de bom senso e de transparência.
As recentes declarações do ainda primeiro-ministro José Sócrates
Pinto de Sousa, em Bruxelas, clamando heroicamente o lema do “orgulhosamente sós”,
não augura nada de bom. É que este discurso – porventura intencionalmente proferido
para consumo interno – já não é entendido como minimamente consistente com a
realidade dos factos e do mundo. E, além disso, faz soar as campainhas de
alarme, provocando pânico junto de um povo tradicionalmente conhecido como recatado
e calmo.
Para já, a acreditar no que refere o Diário Económico,
provocou incredulidade face ao real estado de saúde do senhor
primeiro-ministro.
Como digo, os tempos são muito complicados e sê-lo-ão ainda
mais nos próximos anos: necessitamos de bom-senso e de honestidade da parte dos
nossos representantes políticos. Urgentemente.
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24.3.11
Censos 2011
Estou siderado!
A droga da aplicação informática do Instituto Nacional de Estatística está sempre a ir abaixo. Será que foi feita pela mesma empresa responsável pelo suporte informático do cartão do cidadão?
Estou para ver como é que vou conseguir preencher aquela informação toda...
8.3.11
Contagem decrescente
A recente vitória dos Homens da Luta no Festival RTP da
Canção e a preocupação que alguns comentadores políticos manifestam face a isso
pode ser o sinal de alarme de que algo vai muito mal no reino da Dinamarca.
Lendo a opinião de bloggers, comentadores e jornalistas,
critica-se muito o facto de a geração que hoje tem 20 anos aspirar a um certo
ideal de vida que os pais conseguiram. Argumenta-se que os tempos são outros e
que, no quadro de uma economia neo-liberal, cada um deve tratar da sua vida,
defendendo-se concomitantemente a necessidade imperiosa da existência de um
Estado Social capaz de dar resposta aos mais fracos e desprotegidos. Mas,
interessante é reparar, que o grupo da chamada geração à rasca não é incluído
neste “lote” dos que devem ser apoiados pelo chamado Estado Social.
Não deixa de me causar estranheza aquilo que está a suceder
até porque as aspirações desta geração são tão legítimas como as aspirações dos
seus pais. É que todos (repito: TODOS!) fomos educados à luz de um paradigma
ideológico que considerava que a marcha da história desembocaria num futuro
radioso e muito melhor do que o presente. Recordemos o ideal iluminista da
“Liberdade, Igualdade, Fraternidade”, que guiou tantos movimentos
revolucionários até hoje! Recordemos o ideal que presidiu ao derrube do Muro de
Berlim e ao fim do marxismo-leninismo na esfera da então União das Repúblicas
Socialistas Soviéticas! Recordemos a crença exacerbada pelo Sr. Bush e seus
acólitos na chamada economia de mercado!
Claro que, entretanto, aconteceu o 11 de Setembro e a partir
de 2008 o mundo entrou numa crise profunda de consequências ainda não
totalmente determináveis...
Ora, é neste contexto sociológico e politico-ideológico – um
contexto que os filósofos Gilles Lipovetsky e Jean Serroy designam como o de
uma “Geração Desorientada” – que fenómenos de intervenção cívica como os Homens
da Luta ou de intervenção social como a Geração à Rasca têm lugar.
Custa-me a crer que gente com responsabilidade política ora
desvalorize a situação – segundo alguns trata-se de uns grupelhos de
contestatários ligados a organizações políticas situadas no extremo do espectro
político – ora a considere um mero fenómeno de práticas carnavalescas, e, nesse
sentido, responda negando a realidade do tsunami que cresce a cada hora que
passa. Sim, porque, como me confidenciava há dois anos atrás, um colega que
muito respeito e que, na ocasião, tinha importante responsabilidade política e
social, o caldeirão está quase a estourar. E quando estourar estourará de
facto! Esta geração que hoje se assume como parva e que se considera bastarda
de um país que a não respeita é, de facto, uma geração composta pelos mais
altos quadros: são jovens com elevadas qualificações académicas (mestrado e
doutoramento), com um adequado conhecimento do mundo e acesso a redes sociais,
e que, terminados os seus cursos, se vêem lançados ora num call center (a
ganhar 250 euros por mês!) ora numa caixa de hipermercado (não sei quanto será
a remuneração!) ora condenados a viver em casa dos pais ad eternum... Uma
geração sem futuro ou com um futuro muito muito longínquo...
As pessoas com responsabilidade e, em particular, os
senhores políticos deveriam olhar, com muita atenção, para esta situação e
alcançar uma resposta consentânea. É que negar aos que têm hoje 20 anos a
possibilidade de serem os actores do desenvolvimento colectivo do mundo que
arquitectamos para daqui a 10 ou a 20 anos significa tão somente criar as
condições para que situações muito pouco desejáveis possam vir a ocorrer por cá.
E uma vez o circo ardendo não haverá água suficiente para apagar o fogo.
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26.2.11
Este é o país que temos...
Segundo noticiam os jornais, uma ambulância do INEM que assistia uma idosa com sintomas de enfarte foi mandada retirar porque o carro de sua excelência o ministro tinha que passar....
E depois ainda há quem se indigne pelo facto de se morrer em Portugal e só se ser descoberto nove anos depois...
Uma pergunta: porque razão o canal pago com dinheiros públicos nos dá a toda hora tanta música e tanta animação? Visto do exterior, até parece que somos um país de gente muito feliz e muito animada...
(Tenho um amigo que me diz que sempre que ouve estes programas de variedades se lembra sempre do triste e trágico episódio do Titanic: enquanto o navio afundava, a orquestra continuava a tocar...)
Uma pergunta: porque razão o canal pago com dinheiros públicos nos dá a toda hora tanta música e tanta animação? Visto do exterior, até parece que somos um país de gente muito feliz e muito animada...
(Tenho um amigo que me diz que sempre que ouve estes programas de variedades se lembra sempre do triste e trágico episódio do Titanic: enquanto o navio afundava, a orquestra continuava a tocar...)
Entretanto tudo indica que a bancarrota chega dentro em breve. Ou isso ou o FMI, que certos políticos tanto têm diabolizado... vai ser lindo vai.... ainda estamos para ver como é que vão descalçar a bota depois de tanto terem acusado os malditos especuladores de estarem a destruir o país e a soberania...
(Do chamado Estado Social, já nem falamos, tantas têm sido as escolas, hospitais e maternidades encerradas, os centros de saúde fechados, a redução dos apoios aos idosos e aos mais desfavorecidos, os cortes nos vencimentos dos funcionários da administração pública e das empresas estatais, a redução das pensões de reforma, o corte nos apoios ao transporte de doentes para os hospitais, o fim das comparticipações na maior parte dos medicamentos, a ideia de vir a impor um imposto para pagamento da saúde, etc, etc, etc....)
Os salários pornográficos e escandalosos dos senhores gestores das empresas estatais, com prejuízos avultadíssimos, esses, como seria de esperar, neste país de treta em que vivemos, são intocáveis, pois claro, assim é que é! Já dizia a minha avozinha, que Deus a tenha, que quem parte e reparte, fica com a melhor parte! Enfim, já nem apetece comentar pois tudo parece estar profundamente inquinado....
Devemos confessar que aquilo que nos divertiu mais nos últimos dias foi a afirmação do senhor Procurador Geral da República - homem muito bem informado e com um extensíssimo poder - que existiriam escutas ilegais em Portugal, orquestradas por entidades do Estado!!!!
Já há tempos falámos aqui do circo que estava prestes a chegar à cidade. Parece que já cá chegou. Pelo menos a acreditar nas palavras do senhor embaixador norte-americano, que o jornal Expresso hoje noticia, parece que isto é, de fato, uma grande alegria...., mas, pelo menos, somos um país pequenino, mas de gente orgulhosa...
Parece que para a semana haverá desenvolvimentos. E dia 12 - já deverá ser conhecido, por essa altura, o pedido formal de resgate ou, para sermos mais sérios, já terá sido, por essa altura, imposto o plano de resgate (talvez eufemisticamente apelidado de plano de crescimento sustentado ou outra coisa qualquer porque o importante é manter tudo e todos na ilusão) - a nossa geração à rasca prepara o seu dia da raiva... a ver vamos se a manifestação, convocada pelo Facebook, não é liminarmente classificada como fruto de grupos similares aqueles que o senhor coronel Kadaffi considerou como estando na origem da revolução em curso na Líbia...
13.1.11
7/01/11
Ouço, neste momento, António Carlos Jobim e reflicto sobre esse brutal e chocante assassinato de que foi alvo o jornalista Carlos Castro. Confesso que os detalhes sórdidos com que a comunicação social nos presenteou e o contexto em que tal ocorreu - numa viagem à cidade da sua vida, acompanhado por aquele que ele julgava ser o homem da sua vida, num espaço onde não faltava nada, num quarto de um hotel de 5 estrelas no centro do mundo, com vista para o céu - me chocaram profundamente. E o choque advém também da traição terrível e sem perdão que foi cometida. Matar, tirar a vida a alguém que depositava nessa pessoa toda a confiança é algo que a minha inteligência não consegue compreender. Que razão poderia, alguma vez, ser invocada para justificar um tão hediondo acto?
Quando se ama, deposita-se na pessoa amada toda a confiança. Sabe-se que ela estará sempre disponível para nos proteger e para dar a vida em nossa defesa.
Quando tive conhecimento do sucedido, achei que haveria ali a assinatura de algo muito sórdido. Algo muito obscuro, algo subterraneamente conspirativo.
Cheguei a colocar a hipótese de alguém - exterior aos dois - ter cometido o assassinato e, por via de uma chantagem ou de uma ameaça de morte terrível, ter "convencido" o rapaz a confessar-se culpado.
Reconheço porém que esta hipótese minha é profundamente delirante.
Hoje, tal brutalidade é "explicada" à luz de um exorcismo que o assassino quereria efectuar no sujeito com que se relacionou. Tratar-se-ia de, possuído pelo desejo homossexual - e também atraído por ele - , liquidar esse desejo, assassinando o sujeito com quem se relacionara afectivamente e sexualmente.
Continuo sem entender nada.
O assassino parece ser um psicopata, um doente perigoso.
Se o "pecado" o traumatizou assim tanto, deveria ter procurado ajuda junto de quem o poderia redimir dessa culpa: um conselheiro espiritual, um amigo, um profissional da saúde, enfim, um ser humano que é capaz de entender o outro e ajudá-lo nas suas necessidades e anseios.
Continuo sem perceber o que leva um rapaz de 21 anos a destruir a própria vida e a destruir a vida dos que o rodeiam, tanto mais que nos dizem que ele era ambicioso.
Sinto uma dor profunda pelas irmãs do Carlos e pelos seus amigos.
Sinto uma dor profunda pelos pais do rapaz.
Sinto uma dor profunda pelo Carlos e por aquilo que lhe sucedeu. E principalmente porque, com toda a certeza, ele teve consciência, embora já não pudesse fazer nada para impedir tal situação, que o ser mais importante da sua vida o destruiu. Essa foi - creio - a sua maior dor.
29.12.10
Hashtag #ensitel: 56 tweets nas últimas 2 horas
A propósito do alarido que se gerou nas redes sociais acerca do abuso de uma empresa de venda de produtos de telecomunicações sobre os direitos do cliente, não deixem de ler este magnífico texto!
PS: não refiro o nome da referida empresa pois, como é sobejamente sabido, parece que quem se atreve a referir-se em termos menos elogiosos à referida empresa leva logo com um processo para responder em tribunal e, quiçá, muitas dores de cabeça. E, naturalmente, fica sob vigilância dos nossos guardiões da moral e dos bons costumes públicos.
Mas que isto me deixa irritado, lá isso deixa!
É que, por aquilo que vou vendo por outras terras, só por cá é que certas empresas se acham senhoras e donas deste mundo e dos outros e acham sempre que ao cliente só lhe deve restar pagar e calar, sempre!
4.12.10
Os acontecimentos parecem estar a precipitar-se
Os acontecimentos parecem estar a precipitar-se.
A divulgação da miséria moral de uma grande nação que, desde há muito tempo, se tem vindo a afirmar como defensora da liberdade, da democracia e dos direitos humanos, causa-nos estranheza e profunda repulsa. Olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço! A verdade é um acto de traição. O importante é continuar a acreditar ingenuamente naquilo que o chefe diz. Por esta parte, estamos conversados.
De Espanha, chegam notícias perturbadoras. Se a greve dos controladores aéreos parece ter incomodado muita gente, a resposta musculada do governo, com uma explícita atitude de suspensão do regime democrático, mais sinais de alarme deve já ter feito soar por este mundo fora. Hoje foram os controladores aéreos, amanhã poderão ser outros grupos profissionais, tudo dependendo do grau de indignação e de desobediência civil que as massas, afectadas por uma crise para a qual não contribuíram e da qual alguém lhes diz serem responsáveis, possam vir a manifestar.
Entretanto, as notícias que a imprensa não divulga mostram que o euro está já em situação de emergência e que não é só a Grécia, a Irlanda ou Portugal que se encontram, factualmente, insolventes.
O circo está a pegar fogo.
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