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11.5.13

Das salas de chat e outras considerações

Não sei se algum dos leitores deste blogue alguma vez visitou uma sala de chat. Se nunca o fez, não deixe de o fazer, até porque, sociologicamente falando, é muito interessante conhecer a fauna que por lá saltita.
Há salas de chat para todos os gostos, interesses e feitios. Para os amantes da bola, para os habitantes de uma certa região, para os que buscam amizades e para os que, estando numa grande ansiedade, procuram algo tão simples como um parceiro ou uma parceira para uma hora tórrida de sexo.
Os nicknames já nos podem proporcionar uma antevisão do delírio de quem está do outro lado. Atendendo a que este é um blogue lido por maiores e também por menores, escuso-me a dar exemplos, deixando, porém, à imaginação dos leitores a liberdade de encontrarem tudo o que, humanamente, é possível existir...
Estabelecendo a comunicação, mesmo nas salas de chat mais pretensamente não marcadas ou menos sexualizadas, indubitavelmente o participante tem de aprender a comunicar com um outro código linguístico que não o da norma culta. Há que aprender a interagir por meio de abreviaturas, palavras cheias de erros ortográficos e todo um sem número de itens que fazem desta forma de comunicação uma espécie de grau zero da linguagem.

Depois, o participante tem que estar apto a responder rapidamente a questões como a idade, o local de onde tecla e os interesses que o levam a encontrar-se naquele local e naquela hora com uma fauna tão específica. E os interesses, se quiser manter a comunicação, não podem passar por filosofia, literatura, cinema, política ou cultura. Tudo se resume à resposta a uma pergunta: queres real? Diz o local e a hora.

Tenho a sensação que anda tudo doido.
Não acredito que a voracidade de viver tudo a toda a hora e tão intensamente com tant@s parceir@s seja sequer exequível.
Talvez haja alguém, no meio de um delírio colectivo, alimentado pela voracidade do mundo tecnológico contemporâneo, que, de facto, frua e se sinta realizado. Quanto à grande massa, esses parecem-me indubitavelmente condenados à frustração e à loucura.

15.7.12

Já ardem capitais europeias...

Por esta Europa fora, os escândalos e as fraudes sucedem-se a um ritmo avassalador. Nunca como hoje a face de um capitalismo selvagem, que não olha a meios para maximizar os seus lucros, se tornou tão evidente, condenando milhares à pobreza e, em muitos casos, ao desespero e à morte.
A última bomba - que conhecerá pavorosos desenvolvimentos ao longo dos próximos dias e semanas, com consequências políticas e económicas ainda imprevisíveis - é a maior fraude financeira da história: a manipulação, efectuada por grandes bancos, da taxa de referência Libor. As redes sociais têm vindo a assinalar que não foi apenas o Barclays que esteve envolvido nessa fraude, mas muitos outros bancos, incluindo poderosos bancos alemães e norte-americanos.
Na vizinha Espanha, a anónima deputada Andrea Fabra brindou os desempegrados, em plena sessão de parlamento, com um explícito uso do espanhol vernacular que, além de indignar os presentes, lançou fogo a toda o país. Neste momento, para além do que se diz e se escreve, são já milhares os que exigem a sua demissão.
Por cá, o circo ainda vai no adro. Mas as labaredas já quiemam: um personagem político, exuberantemente conhecido nas redes sociais, e pelos piores motivos, teima em assobiar para o lado, clamando, com o apoio dos ainda poderosos deste país sob intervenção externa, que está tudo bem e que não se passa nada....

Esperemos que a fraude Barclays não venha a contaminar também outros bancos do nosso reduzido sistema financeiro. É que a bancarrota do BPN já nos colocou sob intervenção externa e o BPN apenas representava 3% do sistema financeiro português....

As próximas semanas serão muitíssimo interessantes!

25.3.11

Bom senso e honestidade precisam-se. Urgentemente.


Quando todos sabemos a situação aflitiva em que se encontram as finanças públicas, com o risco iminente de falta de liquidez, impossibilitando o pagamento de remunerações, salários, pensões, e coisas tais, quando os títulos de dívida soberana portugueses deixam de ser aceites como colaterais para empréstimos por importantes instituições financeiras, exige-se um mínimo de bom senso e de transparência.
As recentes declarações do ainda primeiro-ministro José Sócrates Pinto de Sousa, em Bruxelas, clamando heroicamente o lema do “orgulhosamente sós”, não augura nada de bom. É que este discurso – porventura intencionalmente proferido para consumo interno – já não é entendido como minimamente consistente com a realidade dos factos e do mundo. E, além disso, faz soar as campainhas de alarme, provocando pânico junto de um povo tradicionalmente conhecido como recatado e calmo.
Para já, a acreditar no que refere o Diário Económico, provocou incredulidade face ao real estado de saúde do senhor primeiro-ministro.
Como digo, os tempos são muito complicados e sê-lo-ão ainda mais nos próximos anos: necessitamos de bom-senso e de honestidade da parte dos nossos representantes políticos. Urgentemente.

20.3.11

Da última visita do Papa a Portugal

Conversa tida entre o Papa Bento XVI e o Ministro das Finanças, Dr. Teixeira dos Santos, aquando da última visita a Portugal:

Santo Padre: Meu filho, não PEC's mais!

Recebida por email.

8.3.11

Contagem decrescente


A recente vitória dos Homens da Luta no Festival RTP da Canção e a preocupação que alguns comentadores políticos manifestam face a isso pode ser o sinal de alarme de que algo vai muito mal no reino da Dinamarca.

Lendo a opinião de bloggers, comentadores e jornalistas, critica-se muito o facto de a geração que hoje tem 20 anos aspirar a um certo ideal de vida que os pais conseguiram. Argumenta-se que os tempos são outros e que, no quadro de uma economia neo-liberal, cada um deve tratar da sua vida, defendendo-se concomitantemente a necessidade imperiosa da existência de um Estado Social capaz de dar resposta aos mais fracos e desprotegidos. Mas, interessante é reparar, que o grupo da chamada geração à rasca não é incluído neste “lote” dos que devem ser apoiados pelo chamado Estado Social.

Não deixa de me causar estranheza aquilo que está a suceder até porque as aspirações desta geração são tão legítimas como as aspirações dos seus pais. É que todos (repito: TODOS!) fomos educados à luz de um paradigma ideológico que considerava que a marcha da história desembocaria num futuro radioso e muito melhor do que o presente. Recordemos o ideal iluminista da “Liberdade, Igualdade, Fraternidade”, que guiou tantos movimentos revolucionários até hoje! Recordemos o ideal que presidiu ao derrube do Muro de Berlim e ao fim do marxismo-leninismo na esfera da então União das Repúblicas Socialistas Soviéticas! Recordemos a crença exacerbada pelo Sr. Bush e seus acólitos na chamada economia de mercado!

Claro que, entretanto, aconteceu o 11 de Setembro e a partir de 2008 o mundo entrou numa crise profunda de consequências ainda não totalmente determináveis...

Ora, é neste contexto sociológico e politico-ideológico – um contexto que os filósofos Gilles Lipovetsky e Jean Serroy designam como o de uma “Geração Desorientada” – que fenómenos de intervenção cívica como os Homens da Luta ou de intervenção social como a Geração à Rasca têm lugar.

Custa-me a crer que gente com responsabilidade política ora desvalorize a situação – segundo alguns trata-se de uns grupelhos de contestatários ligados a organizações políticas situadas no extremo do espectro político – ora a considere um mero fenómeno de práticas carnavalescas, e, nesse sentido, responda negando a realidade do tsunami que cresce a cada hora que passa. Sim, porque, como me confidenciava há dois anos atrás, um colega que muito respeito e que, na ocasião, tinha importante responsabilidade política e social, o caldeirão está quase a estourar. E quando estourar estourará de facto! Esta geração que hoje se assume como parva e que se considera bastarda de um país que a não respeita é, de facto, uma geração composta pelos mais altos quadros: são jovens com elevadas qualificações académicas (mestrado e doutoramento), com um adequado conhecimento do mundo e acesso a redes sociais, e que, terminados os seus cursos, se vêem lançados ora num call center (a ganhar 250 euros por mês!) ora numa caixa de hipermercado (não sei quanto será a remuneração!) ora condenados a viver em casa dos pais ad eternum... Uma geração sem futuro ou com um futuro muito muito longínquo...

As pessoas com responsabilidade e, em particular, os senhores políticos deveriam olhar, com muita atenção, para esta situação e alcançar uma resposta consentânea. É que negar aos que têm hoje 20 anos a possibilidade de serem os actores do desenvolvimento colectivo do mundo que arquitectamos para daqui a 10 ou a 20 anos significa tão somente criar as condições para que situações muito pouco desejáveis possam vir a ocorrer por cá. E uma vez o circo ardendo não haverá água suficiente para apagar o fogo.

29.12.10

Hashtag #ensitel: 56 tweets nas últimas 2 horas

A propósito do alarido que se gerou nas redes sociais acerca do abuso de uma empresa de venda de produtos de telecomunicações sobre os direitos do cliente, não deixem de ler este magnífico texto!

PS: não refiro o nome da referida empresa pois, como é sobejamente sabido, parece que quem se atreve a referir-se em termos menos elogiosos à referida empresa leva logo com um processo para responder em tribunal e, quiçá, muitas dores de cabeça. E, naturalmente, fica sob vigilância dos nossos guardiões da moral e dos bons costumes públicos.

Mas que isto me deixa irritado, lá isso deixa!
É que, por aquilo que vou vendo por outras terras, só por cá é que certas empresas se acham senhoras e donas deste mundo e dos outros e acham sempre que ao cliente só lhe deve restar pagar e calar, sempre!

4.12.10

Os acontecimentos parecem estar a precipitar-se

Os acontecimentos parecem estar a precipitar-se.
A divulgação da miséria moral de uma grande nação que, desde há muito tempo, se tem vindo a afirmar como defensora da liberdade, da democracia e dos direitos humanos, causa-nos estranheza e profunda repulsa. Olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço! A verdade é um acto de traição. O importante é continuar a acreditar ingenuamente naquilo que o chefe diz. Por esta parte, estamos conversados.
De Espanha, chegam notícias perturbadoras. Se a greve dos controladores aéreos parece ter incomodado muita gente, a resposta musculada do governo, com uma explícita atitude de suspensão do regime democrático, mais sinais de alarme deve já ter feito soar por este mundo fora. Hoje foram os controladores aéreos, amanhã poderão ser outros grupos profissionais, tudo dependendo do grau de indignação e de desobediência civil que as massas, afectadas por uma crise para a qual não contribuíram e da qual alguém lhes diz serem responsáveis, possam vir a manifestar.
Entretanto, as notícias que a imprensa não divulga mostram que o euro está já em situação de emergência e que não é só a Grécia, a Irlanda ou Portugal que se encontram, factualmente, insolventes.
O circo está a pegar fogo.

2.12.10

Parece que, do outro lado do Atlântico, haja quem já endoideceu

Segundo noticia um blogue de contestação às regras pidescas de controlo nos aeroportos americanos, o absurdo já tomou lugar: uma criança de 4 anos, deficiente motora, foi obrigada a caminhar sem o auxílio dos implantes para que as autoridades pudessem verificar que não se tratava de um terrorista. A notícia está a ser amplamente divulgada pelo canal televisivo CNN:



Depois do escândalo dos documentos divulgados pelo WikiLeaks, estas notícias deixam-me profundamente apreensivo face ao nosso futuro próximo e imediato. Até porque nada nos garante que, amanhã, não tenhamos estes loucos deste lado do Atlântico.

27.11.10

O pânico segue dentro de momentos...

De acordo com o que noticiam alguns sites, estará para breve a revelação de histórias cabeludas envolvendo a diplomacia mais secreta de grandes países, com elevadas responsabilidades no governo e na gestão do governo global do mundo.

A acreditar que tal venha mesmo a suceder, e que os documentos sejam autênticos, só me resta aguardar já com a percepção que vivemos actualmente num período de profunda decadência moral e ética. O mundo está podre. Se calhar, sempre foi assim. A diferença é que antigamente não existiam homens e mulheres com coragem e meios para mostrar, bem alto, a sua indignação perante uma marcha de acontecimentos errada e vil para tantos. Hoje tal é possível. Ainda bem!

Oxalá que este movimento de denúncia possa ajudar os homens, que têm responsabilidades, a perceber, com clareza, o significado da palavra ÉTICA!

19.11.10

Perguntas ao vento que passa

Assisti, como qualquer português de gema e patriota, à chegada a Lisboa de tantas e tantas personalidades de relevo internacional, os Senhores do Mundo, como certa imprensa lhes chama. À medida que ia acompanhando tão ilustre cortejo de personagens, fui colocando ao Vento algumas questões que me pareceram pertinentes:

  • Porque razão a necessidade de segurança exige que as ruas e as praças da capital do país estejam despidas de gente? (Preocupou-me a situação pois todas estas imagens me faziam recordar um qualquer filme de ficção científica que terei visto no passado e cujo contexto seria ou o Apocalipse ou o Ensaio sobre a Cegueira)
  • Porque razão a RTP 1 - canal de televisão pago pelos nossos impostos - só mostrava polícias (em grupo ou sinalizados pela presença de carros-patrulha) e nunca se via gente? Acho que entrevistaram 1 ou 2 pessoas? Será que esta é a população de uma capital europeia fervilhante de actividade?
  • Ou será que a situação já é tão deprimente que não há actividade na capital europeia?
  • Porque razão este canal televisivo insiste tanto em sublinhar que já foram presos X potenciais indivíduos, que representam uma perturbação grave à segurança nacional, quando, depois de analisada a informação, se chega à conclusão que estes perigosos sujeitos o são porque transportam consigo T-Shirts e tarjas contra a Organização do Tratado do Atlântico Norte?
  • Será que isto tem que ver com os custos astronómicos que terão sido gastos com a compra de 5 carros de combate (blindados? Chaimites?) para a protecção neste evento e que, segundo julgo saber, ainda não chegaram ou até serão entregues num futuro não imediato?
  • Porque será que tem sido dada tanta importância a uns portugueses que parece que gostam de fotografar aviões, porque, vivendo nós numa Nação com determinadas especificidades culturais, parece ser natural que haja quem se situe junto dos aeroportos para fotografar esses raríssimos objectos? 
  • Porque razão nos enchem a hora de almoço com não sei quantos directos televisivos para relatar coisa nenhuma?

  • Quanto custa a organização deste evento?
  • Trata-se de um investimento com retorno assegurado? Não me venham com o blá-blá da importância histórica ou simbólica do local ou da associação do nome de Lisboa ao novo conceito estratégico de defesa desta organização porque essas coisas não nos pagam os produtos para a nossa sobrevivência quotidiana!
  • Parece que hoje houve tolerância de ponto no concelho de Lisboa. Será que esta é uma medida adequada para garantir e estimular a produtividade nacional? Isso é ainda uma preocupação, ou não?
  • Porque razão os apelos que têm sido feitos por organizações várias da sociedade civil, incluindo da Igreja Católica, relativos à situação de pobreza de largas franjas da sociedade portuguesa ainda não motivaram a realização de uma cimeira internacional em Lisboa, com o aparato e o investimento da que está actualmente a decorrer, para se encontrarem soluções mais justas e mais equitativas que favoreçam a qualidade de vida, a Paz e a Harmonia de todos os povos?
Adenda: um blogue onde se relatam situações que provavelmente serão desconhecidas de muitos relativamente à situação no Afeganistão

14.10.10

Viva a República!

"Pensões douradas" vão pagar imposto extraordinário de 10%

Quando li o título, pensei imediatamente que finalmente os valores megalómanos de ordenados e pensões de gestores públicos, que têm vindo a ser divulgados na comunicação social, iriam pagar um imposto extraordinário. Mas sabem o que descobri?
Para os detentores do poder, 5.000 euros (brutos) são uma pensão dourada... Já agora qual o atributo de um salário mensal de 40.000 euros (brutos)?
Das duas uma: ou isto está à beira de dar o estouro ou há muita gente a lançar areia para muitos olhos.
As notícias também indicam que se espera uma subida do IVA, com bens alimentares a subirem de 6% para 23% de taxa. Alguém acha que é isto que nos vai tirar do buraco?
Estou para ver o ciclo recessivo em que alegremente vamos entrar e o que acontecerá a seguir. Lá para Maio de 2011, se ainda existirmos, aí virão mais medidas de consolidação orçamental e de redução da massa salarial, porque é preciso cobrar impostos e o povo não está a cooperar (entenda-se, a consumir).
Outra coisa que não compreendo: por que razão a comunicação social do Estado nos brinda com tanta música e tanta dança? Não sei porquê, mas faz-me lembrar a orquestra que continuava a tocar enquanto o Titanic se afundava...
PS: já aqui esteve um video, mas já o eliminei. Acho que seria demasiado doloroso, para quem nos visita, assistir a ele.

17.7.10

Da barbaridade que ainda existe em pleno séc. XXI

Vivemos num país ocidental e democrático, onde somos livres para expressar os nossos pontos de vista e para agir, no respeito pela liberdade dos outros.
Infelizmente, aquilo que consideramos natural e legítimo não o é para muitos povos nos mais diversos locais do mundo.
No Irão, país onde a pena de morte existe para inúmeras situações, uma mulher, entre muitas, foi condenada à morte por lapidação (acto bárbaro que nunca pensei ser possível existir) pelo facto de ter cometido adultério. Este é o mesmo país onde não há muito foram enforcados uma série de jovens sob acusação de serem homossexuais.
(Vi as imagens no Youtube, mas não coloquei o link porque o achei demasiado chocante).
Não tenho palavras, mas, naturalmente, lanço o apelo à indignação colectiva contra tudo isto. E fica também o link para uma petição internacional contra a barbárie!
9 de julho de 2010: Mohammad Mostafavi, advogado de Sakineh Ashtiani, disse à AFP: "ainda não fui informado de qualquer suspensão da sentença. Minha cliente continua na prisão."
Uma mulher iraniana encara a morte após ser torturada por um suposto adultério. Em 2006, Ashtiani foi condenada por ter mantido .relações ilícitas. e recebeu 99 chibatadas. Desde então, esta mulher de 43 anos está na prisão, onde se retratou da confissão feita sob a coerção das chicotadas. Só recentemente é que ela foi levada ao tribunal e recebeu um novo julgamento. De novo ela foi condenada e, desta vez, apesar de já ter sofrido uma punição, foi sentenciada à morte por apedrejamento. Essa prática desumana envolve enrolar firmemente a mulher, da cabeça aos pés, com lençóis brancos, enterrá-la na areia até os ombros e golpeá-la à morte com pedras grandes. Ontem, no final da tarde, o governo do Irã negou a informação de que Ashtiani seria executada por apedrejamento, embora sua sentença de morte ainda possa ser levada a cabo por outro método, provavelmente o enforcamento. Os ativistas dos direitos humanos no Irã, incluindo a Anistia Internacional, duvidam da veracidade dessa declaração e continuam preocupados com o destino de Ashtiani. Não podemos deixar Ashtiani tornar-se mais uma vítima do tratamento aviltante e desumano dispensado às mulheres no Irã, que se tornou uma realidade cotidiana. Faça sua voz ser ouvida e encoraje outras pessoas a fazer o mesmo Tome uma atitude contra a prática do apedrejamento; tome uma atitude contra o abuso de mulheres, assine esta petição.

29.6.10

Dos papagaios e da selva que começa a despontar...

A propósito de uma certa onda que, acriticamente, parece começar a ganhar algum ímpeto - veiculando ou, em rigor, procurando vender a ideia de que só com a redução dos salários é que as contas públicas poderão ser recuperadas - , deixo-vos um curioso artigo de opinião de Paul Krugman, publicado no jornal brasileiro Estadão.
Num dos blogues que leio, com regularidade, já me insurgi contra esta ideia e volto a fazê-lo, explicando porquê: com o nível de endividamento com que as populações se encontram qualquer redução salarial, para além de injusta e demagógica, acarretará, com toda a probabilidade, o descalabro financeiro de muitos. É que há contas para pagar e empréstimos para amortizar. Ora, não recebendo ou recebendo menos, o consumo vai reduzir-se e se ainda for possível pagar as contas as coisas ainda não são críticas. Se não for possível, o crédito mal-parado vai aumentar exponencialmente, com consequências imprevisíveis a nível económico e a nível social.
Um dos argumentos habitualmente utilizados é o de que a redução da massa salarial faria reduzir o preço dos produtos. Se esse argumento é, para já não verificável - na Grécia, a redução da massa salarial fez aumentar o preço dos bens transaccionáveis (a inflação já vai nos 4%) - , a perspectiva de uma deflação seria catastrófica. É que todos conhecemos bem o que sucedeu no Japão, esse "tigre asiático" e modelo, durante tantos anos, para Portugal... A redução contínua do preço dos bens transaccionáveis teve/tem como consequência que as famílias, ao invés de consumirem, tenham vindo a adiar as suas aquisições, gerando, com essa decisão (na esperança de comprar o produto cada vez mais barato), um aumento das falências e do desemprego.
Esta é a razão pela qual fico sempre profundamente perturbado quando vejo a facilidade com que certas criaturas facilmente aderem e propagam certas ideias profundamente abaladoras do nosso agir colectivo.
Há 20 anos atrás, um então estudante de Economia e Gestão confidenciava-me que a nossa situação económica só melhoraria se se adoptassem, na contratação colectiva, as mesmas regras que vigoravam no Japão. Intrigado, perguntei-lhe se já alguma vez tinha trabalhado no Japão. Respondeu-me que não, mas que tinha aprendido na instituição onde andava a estudar que o modelo de contratação era óptimo. E passou a explicar-me: são contratados, mas só têm 3 dias de férias por ano: no dia de aniversário e noutros 2 dias que já não consigo recordar (1 seria, possivelmente, no dia da empresa!)
Fiquei boquiaberto perante a falta de inteligência do candidato a gestor que andaria na casa dos 20 anos. E perguntei-lhe: tu aceitarias ser contratatado com essas regras?
Querem saber a resposta?
Pois foi esta: obviamente que não! Isto é para ser aplicado aos trabalhadores da minha empresa! Da empresa que eu vou gerir!
Pois é, perante uma cabecinha desta - e às vezes acho que alguns dos que andam por aí a vender certas ideias poderão ter sido este estudante - já não tenho mais nada a acrescentar.

21.6.10

A caixa de Pandora

A catástrofe ambiental que, neste momento, ocorre nos mares assemelha-se a uma verdadeira caixa de Pandora de proporções ainda não totalmente avaliáveis.
Como será a vida de todos nós num futuro próximo é algo que tenho grandes dificuldades em antever, uma vez que as mais recentes projecções indicam que, caso nada se consiga fazer para travar essa maré negra, dentro de 18 meses, as nossas costas serão, também elas contaminadas.
E não adianta nada pensar que isso é problema dos outros ou que a América está longe. Somos todos cidadãos de uma mesma terra e, da mesma maneira que a falência de um banco nos EUA nos provoca problemas aqui, neste pedaço de terra, também a destruição da vida marinha e da água imprescindível à sobrevivência colectiva nos causará consequências imprevisíveis.
Os homens julgaram-se deuses e agiram como tal.
Agora, à semelhança do episódio bíblico da Torre de Babel, estão desorientados e já não sabem o que fazer.

1.6.10

Ainda sobre a Frota da Liberdade

O artigo, supra citado, vem hoje publicado num jornal australiano, abordando, com lucidez, a problemática do direito à segurança - que Israel e qualquer país civilizado e democrático merece - e os modos de, efectivamente, assegurar essa segurança.
Tenho bons amigos em Israel. Quando me visitaram, vai para 4 anos, o seu pavor chamava-se (e chama-se) Hamas, o grupo terrorista que não reconhece a existência do Estado judaico.
Não são loucos nem tão pouco estão possuídos desta fúria dos dirigentes que, em nome da propaganda, consideram que quem não reverencia o agir das suas elites políticas é terrorista.
Aliás, espanta-me muito que, num país, que tem vivido sempre acossado por numerosas guerras, com toda a facilidade as elites dirigentes rotulem os outros de terroristas e os diabolizem. Claro que compreendemos que tudo isso não passa de uma máquina de propaganda interna. Mas, também em Israel, há gente inteligente e não louca.
Esperemos que o bom senso prevaleça ou, caso contrário, o circo corre o risco de pegar fogo. E isso é algo que ninguém deseja.

31.5.10

Frota da Liberdade

Soube hoje, pela manhã, que o exército israelita atacou, em águas internacionais, a Frota da Liberdade, que se dirigia para a Faixa de Gaza, com 10.000 toneladas de ajuda humanitária, matando entre 10 a 16 pessoas e ferindo 60. Fiquei chocado. Uma análise às principais fontes noticiosas mostra que o mundo ficou perplexo com tal acção. Mas o texto que me parece mais lúcido acerca da real loucura que parece ter tomado conta de alguns dos que se julgam senhores do mundo encontrei-o num artigo de opinião publicado num jornal israelita e para o qual remeto.
Já não sei o que dizer ou o que pensar.
Adenda: um artigo de opinião acerca do acto absurdo dos governantes de Israel, com uma lucidez que me parece grande pode ser encontrado aqui.

23.5.10

Das técnicas de venda agressivas à satisfação do consumidor

Recentemente, tenho sido brindado com chamadas telefónicas a toda a hora, ora é a Rita não sei o quê, o Tiago, a Ivone qualquer coisa, o Filipe, a Francisca, a Bárbara, o Bruno, enfim, uma panóplia de supostos sujeitos, que me ligam questionando-me acerca da minha satisfação com os serviços da PT (Portugal Telecom), ora para responder a uma breve inquérito, ora para me anunciar que, agora, eu já posso fazer chamadas grátis e ficar a pagar a módica quantia de 59 euros mensais, mas que é um óptimo serviço, um presente que eu só posso agradecer com muita reverência e aplausos. Porque agora a minha velocidade vai aumentar, porque agora é o serviço fibra, e passados quatro minutos, liga a fulaninha a vender o serviço Meo, e não sei quantos canais e que eu tenho que aceitar, porque um cliente bom como eu só tem mesmo é que agradecer aos céus poder beneficiar de uma tal campanha, e um minuto depois, é a vez do sicrano vir apregoar os benefícios do serviço Sapo fibra 100 MB, porque este é que possui a velocidade ideal para as minhas necessidades!!!! E, às vezes, tocam o fixo e o móvel em simultâneo e é uma alegria, a toda a hora. Se alguém ler isto e tiver alguma responsabilidade nessa empresa, peço-lhe que, por favor, não me voltem a contactar para me vender rigorosamente mais nada. Porque eu não vou adquirir serviço nenhum. Eu não quero nada. Eu só quero paz. Não vale a pena insistir. A insistência só vai provocar uma coisa: a consciência da necessidade imperiosa de rescindir, o mais rapidamente possível, qualquer tipo de vínculo contratual com essa empresa.

24.4.10

A fúria da natureza finalmente explicada!

Definitivamente, o mundo parece ter enlouquecido ou, como diria um amigo meu, o circo já se estabeleceu na cidade há bastante tempo.
Se já nada parece surpreender - tal é a voracidade de notícias perturbadoras com que a comunicação social nos brinda todos os dias - , parece que alguns líderes religiosos, ou, pelo menos, aspirando a tal, decidiram animar um pouco mais a malta: os gays e as mulheres são os responsáveis por todas estas catástrofes com que a Natureza nos tem vindo a presentear!!!! Pelo menos, como assinala o jornalista onde recolhi a informação, a responsabilidade ainda não se estende à crise económica mundial ou às falências de grandes conglomerados financeiros.... Haja paciência, meu Deus!!!!

19.2.10

Quem te avisa, teu amigo é!

Porque este mundo está cada vez mais curioso, o humor é a solução.

2.2.10

Tenho vindo a acompanhar, com preocupação, a evolução da situação do nosso estado de coisas.
Se os fóruns internacionais já colocam em questão a viabilidade do euro, enquanto moeda de referência internacional, as últimas notícias do Fundo Monetário Internacional deixam-me com a sensação de que o pior ainda está para vir e que, algures este ano ou no início do próximo, iniciaremos a descida aos Infernos. E o mais curioso é que nada disto parece preocupar o alegre e pacato povo.
Obviamente que podemos argumentar que isto são palavras dos senhores da finança internacional e que os mesmos possuem uma agenda oculta. Até pode ser. Não digo que não. Porém que nos restará, num futuro muito próximo?
Agitação social, grande agitação, confidenciava-me uma amiga há umas semanas atrás. Pode ser, mas isso também não responde à questão primeira.
Desemprego? Já o temos! Incerteza? Já nos habituámos a viver com ela. Precariedade? Ora, todos a vivemos....
Que fazer?
Ora, dar uma valente gargalhada e comer chocolates, naturalmente, porque aí reside toda a metafísica deste mundo absurdo em que vivemos!