Os tempos definitivamente já não são o que eram.
Sente-se um ar pesado, um ar de chumbo. Pressente-se que algo vai muito mal no reino da Dinamarca.
Até as gaivotas, habituais habitantes de um espaço onde a fronteira entre a terra e o mar se estabelece, decidiram voar para terra, bem dentro e grasnam, como loucas, voando em círculo por cima da janela do meu quarto. Quem me conhece sabe bem que o mar dista do meu quarto perto de 50km e que não há curso de água nem perto nem longe.
Alguém mais avisado dirá que este é o sinal de que a tempestade se aproxima, uma tempestade devastadora, tsunâmica, arrasadora de todos os habitantes marinhos e de alguns terrestres. Não sei. Francamente não sei.
As cabeças bem pensantes e iluminadas continuam a afirmar que estamos no bom caminho. Que tudo o que estamos a passar é um sinal arrebatador do sucesso. Que tudo isto é muito bonito. E que o povo aguenta tudo, ai aguenta aguenta...!
Não tenho tantas certezas.
Mas o futuro aí estará para confirmar ou infirmar estes modos inusitados de olhar o mundo. Espero poder sobreviver ao que aí vem.
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11.5.13
11.1.10
Confissões
Já há bastante tempo que cá não vinha. Mas hoje, agora, sinto necessidade de escrever um pouco e de partilhar o que me vai na alma, por assim dizer. Sei que sou muito melhor e provavelmente mais eficiente na escrita do que na oralidade. Aliás, um dos meus temores, quando era ainda um miúdo nestas andanças da vida, era precisamente o ter que me expressar oralmente e em público. Engraçado como hoje me sinto tão à vontade para falar para um auditório repleto de centenas e centenas de pessoas. Mas ao telefone, oh meu Deus!!!! Já me disseram que eu era a pessoa mais formal que alguma vez pudera existir. Bem, de facto, não foi exactamente assim que me disseram, mas pronto, digamos que eu abrevio as coisas para esta forma de dizer. Mas ao telefone, oh meu Deus!!! E hoje foi a tragédia total. O formalismo de lado e a informalidade a todo o vapor. Ai, e a minha cabeça, e as minhas indecisões.... Valeu que quem me escutava, pacientemente, do outro lado da linha, me apoiou e me ajudou a focalizar as verdadeiras questões.
Se eu não tivesse acabado de regressar de férias, diria que estou a precisar de ir até às Caraíbas ou, sei lá, até a um espaço onde encontre um sol quentinho e um abraço que me faça sentir vivo e capaz de raciocinar racionalmente.
Espero poder, em breve, encetar uma nova viagem de circunavegação e chegar até ao Oriente, pois estará a fazer dois anos, dentro em breve, que eu fiz essa viagem. E foi o melhor que me podia ter acontecido. Preciso, com urgência, de regressar a esse local onde os pássaros azuis voam bem alto nos céus e onde o dia é sempre Luz, Calor e Emoção. Preciso. Muito.
9.6.09
Há nuvens no horizonte

Segundo noticiam as agências de informação, têm sido avistadas estranhas nuvens no horizonte, nuvens a quem ninguém ainda conseguiu dar nome porquanto avassaladoramente diferentes de tudo quanto se viu até hoje.
É curioso que seja hoje que a notícia me chega.
Hoje, dia 9 de Junho, um dia de chuva e de frio. Um dia sem sol.
Era para ter sido o meu 1º dia de férias. Era para ter sido o meu 1º dia de Verão. Era para ter sido o meu 1º dia de Sol. Mas chove. E está frio.
30.4.09
12.3.09
Quotidianos
Hoje, andando a passear numa das muitas cidades do mundo, deparei-me com um pequeno texto que achei extraordinário. Rezava assim:
Um amigo é alguém que te dá um pedaço de terra quando precisas muito de chão.
Um amigo é alguém que te dá um pedaço de céu quando precisas muito de sonho.
Li e reli várias vezes o texto. Estava colocado num placard para promover a venda de uns produtos aos quais não prestei atenção. Mas essas palavras pareceram-me estar lá e só eu as conseguir ler. Disseram-me muito. E fizeram-me pensar na minha actuação em relação aos outros e no modo como os outros agem em relação a mim.
6.3.09
Para ti, em especial
Para ti, em especial, mas também para todos os que visitam este espaço, os meus votos de um excelente e estimulante fim-de-semana!
26.2.09
17.12.08
Para reflectir
"Não é preciso atirar com os sapatos! O simples acto de os descalçar pode funcionar como bomba dissuasora, pior do que o cheiro das chaminés da co-incineração socrática, ou o odor bombástico de qualquer balneário de ginásio da moda no final da aula para tios."
Publicado em Millenium BCP Crime
26.10.08
Certo dia, um viajante chegou a uma pequena terra, situada no centro do mundo. Era uma localidade com pouco mais de 3 ou 4 centenas de habitantes que possuia um largo, algumas dezenas de casas, um bar, uma fábrica e uma igreja. A terrejola estava longe de tudo e, nesta história, ainda não havia tecnologia, internet ou telemóveis. Era tudo à maneira antiga.
Pois bem, o nosso viajante, que era um ser bastante curioso, quis saber como é que, perdidos num fim de mundo, sem tecnologia, rádio ou tv, os habitantes sabiam a hora correcta em que se encontravam.
Inicialmente, pensou que os mesmos se orientassem pelos movimentos do sol, mas, inquirindo alguns habitantes, rapidamente constatou que a estratégia para a determinação da hora correcta era outra.
Inquirido o padre, o mesmo referiu que olhava para o seu relógio de pulso e, quando o mesmo indicava meio-dia, ele próprio se encarregava de tocar o sino.
- E como tem a certeza que é mesmo meio-dia?
- Ora, é fácil! A essa hora, toca a sirene da fábrica, do outro lado da cidade!
- Humm, está bem visto!
Inquirido o encarregado da fábrica, o mesmo referiu que olhava para o seu relógio de pulso e, quando o mesmo indicava meio-dia, ele próprio se encarregava de accionar a sirene.
- E como tem a certeza que é mesmo meio-dia?
- Ora, é fácil! A essa hora, toca o sino da igreja, do outro lado da cidade!
- Ah...! Pois...
Tenho, cá, para mim, que esta história não está muito longe daquilo que actualmente se está a passar nos mercados financeiros mundiais: quando uns compram, os outros vão atrás; quando uns vendem, os outros replicam o gesto. E todos convencidos que sabem bem o que estão a fazer...
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13.3.08
12.3.08
12.2.08
Hoje, o vosso kapitÃo está tristonho.
Depois de ter delineado, com o máximo cuidado, a sua viagem às Indias, de ter carregado, com mantimentos, o seu belo navio, de ter lido e verificado todas as coordenadas, de ter consultado as cartas náuticas, de ter olhado os astros e ter sido aconselhado pela sua Estrela da Boa Sorte a encetar essa viagem, o vosso kapitÃo sofreu, ainda em terra, uma tormenta que o obrigou a manter o navio ancorado no cais. Não gostou e ficou triste.
Agora, ele vai ter que adiar, por uns dias, essa bela viagem ao jardim encantado do Oriente, a um local onde iria reencontrar Hórus e Amon e, renovado pelas suas energias cósmicas criadoras, poderia encetar o seu desiderato da sua grande viagem de circunavegação.
8.2.08
Uma justificação pela ausência...
Caros Amigos,
Desde a minha última viagem que tenho andado um bocado longe da escrita.
É verdade que a carga de trabalho, que me solicitam lá, na empresa, aumentou um bom bocado, mas a minha produtividade também cresceu exponencialmente.
O facto, porém, é que sinto que a minha vida me corre tão bem - sinto-me tão feliz, muito mais do se tivesse ganho o 1º prémio do jackpot do Euromilhões - que só me apetece fazer-me à estrada, perdão, ao mar, que eu sou Kapitão da armada! Daqui decorre que, durante o dia, trabalho, à noite, leio as cartas marítimas, preparando a nova viagem e, nos entretantos, vou dialogando em busca de novas terras aonde aportar com a minha armada. Estou a pensar em partir para a Índia e descobrir as tradições culturais desse belo povo. Não vou dizer que irei descobrir o caminho marítimo para lá - já outro mais grandioso o fez antes de mim! - , mas concerteza que será, para mim, também um momento de agradável descoberta.
Já pensei em navegar pelos portos da Europa, começando pelos do Mediterrâneo, incluindo Malta e Grécia, para, depois, explorar o Atlântico norte, mas, por razões que não me é lícito explicitar, ainda tal não foi possível. Acredito todavia que brevemente poderei partir.
Daí que, por estas razões, não tenha aberto tanto o meu coração, como anteriormente. Talvez porque já não me identifico tanto com o Kaus, mas muito mais com o Kapitão que assina este texto.
Tenham todos um excelente fim de semana!
E, se forem viajar, divirtam-se!
1.2.08
Strawberry without sugar
Hoje, ainda o sol não era nascido, o kapitão fez-se ao mar com a sua armada.
E navegou, navegou, navegou até chegar a um bom porto, onde foi recebido calorosamente.
Então, a armada voltou a partir e, desta vez, o destino foi um longínquo país asiático, onde o kapitão, sempre apoiado e incentivado por quem lhe queria bem, mostrou a sua capacidade poliglota. A bem dizer foi só um jogo de vista, porque os autóctones não entendiam o kapitão. Valeu a ajuda inestimável de quem lhe queria bem para o salvar de apuros.
Na viagem seguinte, o kapitão e quem lhe queria bem desembarcaram numa ilha, e, tratando de a explorar convenientemente, entraram numa gruta, onde o oráculo os presenteou com uma combinação de números mágicos. Seriam os números do futuro, não eram ainda os números presentes. Permitiriam alcançar os tapetes voadores do sonho e a paleta de cores do arco-íris, e tudo o que o Homem deseja.
Felizes por esta promessa mágica, o kapitão e quem lhe queria bem voltaram a partir e, desta vez, chegaram a um porto de rio, que desemboca no mar. Era um local surpreendemente agradável, onde a influência muçulmana se co(n)fundia com os monumentos cristãos de gloriosas épocas passadas, e onde os traços de modernidade conviviam, numa estimulante osmose, com a pedra calcária e os jardins verdejantes. O Kapitão quis saber o nome desse encantador lugar estimulante para os sentidos, donde se avistava África e onde os pássaros conviviam livremente com outros animais que, no seu país, eram predadores. Inquirido, um dos autóctones referiu o nome desse lugar: tinham chegado ao centro do mundo, à casa-Mater, à Kapital, ao local onde a confluência dos astros permitia que todos os Sonhos se tornassem Realidade.
O kapitão sonhou então que esse passaria a ser também o seu lugar, sempre que se sentisse desalentado ou sem forças.
6.1.08
Pequena História do Grande Terramoto (II): a história do Príncipe-Gato
Era uma vez um príncipe, filho de um rei poderosíssimo, que governava com mão-de-ferro um reino maior que a Europa do Atlântico aos Urais, que tinha o dom de transformar tudo aquilo em que tocava em ouro. Este feito ocorria quando o Sol brilhava com intensidade. Nessas ocasiões, o príncipe tinha que ter muito cuidado aonde colocava as mãos, pois qualquer descuido podia ser fatal. Foi assim que um dia transformou uma princesa que com ele conversava numa estátua de ouro. Por esta razão, o príncipe era uma pessoa muito infeliz. Mas tanto o rei como os súbditos consideravam o príncipe como alguém muito especial, até porque já não raras vezes lhes tinha resolvido uma série de problemas: sempre que o sol brilhava e havia alguma necessidade que o ouro pudesse resolver, aí estava o príncipe com as mãos na massa.
À noite, o príncipe saia sorrateiramente do palácio e caminhava sobre os telhados. Tinha outros companheiros que já o esperavam e se sorriam ao vê-lo chegar. O príncipe, com olhos de gato, mirava-os enternecido. Então visitavam os lugares mais recônditos da sua cidade e das cidades vizinhas, desciam aonde os homens normalmente não vão, empoleiravam-se sobre os telhados olhando a Lua e as Estrelas, partilhavam a música e a poesia que só eles conheciam.
Uma noite, alguém avistou sobre um dos telhados de uma casa fronteira ao palácio do rei 7 gatos pretos. Tal facto foi amplamente comentado e percebeu-se finalmente a origem de um mal que vinha assolando o reino já há muito tempo: a peste negra que nem todo o ouro disponibilizado pelo rei conseguia erradicar. Desde essa noite, o povo desse reino passou a perseguir e a matar, com uma violência inusitada, todos os gatos pretos que fossem avistados. Comentava-se que eram, sem dúvida, os tentáculos do Maligno porque quanto mais se matavam, maior parecia ser o seu número. Estavam por todo o lado, inclusivamente dentro das casas. Um édito real ordenou que fossem liquidados não só os gatos pretos, como também qualquer gato, porquanto potencialmente atentador do statu quo vigente.
Com o correr dos tempos, o Sol foi perdendo o seu brilho. Aliás, agora eram muitos os dias de frio e de chuva, que, às vezes, se prolongavam por semanas inteiras. Por essa razão, o príncipe já não conseguia proporcionar ao seu pai todo o ouro de que ele necessitava para erradicar o grande mal que afectava o reino. Livre da maldição, o príncipe podia agora conversar com as princesas do seu reino, sem receio de as condenar a uma prisão atroz e perpétua. Mas o príncipe sentia-se cada vez mais infeliz.
Ora, um dia, o príncipe recebeu a visita de uma águia que lhe disse que poderia reencontrar a felicidade se conseguisse quebrar o feitiço que a bruxa lhe tinha imposto: teria, para o efeito, que ser capaz de afirmar, sem receio, o seu amor por alguém. O coração do príncipe encheu-se de esperança, mas, rapidamente, uma lágrima de tristeza assomou ao seu rosto: mostrar o amor por alguém implicava apaixonar-se e assumir publicamente essa paixão. Ele bem se recordava do castigo que a bruxa lhe impusera: como não me amas, como não reconheces o meu amor, ficarás condenado a nunca conseguires ser feliz!
O príncipe consultou então os astros, o Sol, a Lua e as Estrelas, mas também o Tempo e o Coração dos homens. Então, por acordo comum, o Sol se obscureceu e deu lugar às Trevas. E o príncipe-gato surgiu aos olhos de todos na varanda do palácio real. Com voz forte e potente, gritou: Sempre fui um Gato e um Homem, profundamente apaixonado pela Vida e é, com ela, e através dela, que quero viver! O Sol recomeçou a brilhar e o príncipe-gato tocou o Tempo e o Coração dos Homens. A maldição do feitiço tinha sido, finalmente, anulada.
Desde esse dia, nunca mais se ouviu falar, nesse reino ou em qualquer outro da região, na peste negra e todos os gatos, assim como os outros animais, vivem num são convívio com os homens. O príncipe e a Vida, esses, vivem, desde essa época o seu romance de amor e, pelo que sei, ainda não deixaram de ser felizes.
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