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15.7.12

Já ardem capitais europeias...

Por esta Europa fora, os escândalos e as fraudes sucedem-se a um ritmo avassalador. Nunca como hoje a face de um capitalismo selvagem, que não olha a meios para maximizar os seus lucros, se tornou tão evidente, condenando milhares à pobreza e, em muitos casos, ao desespero e à morte.
A última bomba - que conhecerá pavorosos desenvolvimentos ao longo dos próximos dias e semanas, com consequências políticas e económicas ainda imprevisíveis - é a maior fraude financeira da história: a manipulação, efectuada por grandes bancos, da taxa de referência Libor. As redes sociais têm vindo a assinalar que não foi apenas o Barclays que esteve envolvido nessa fraude, mas muitos outros bancos, incluindo poderosos bancos alemães e norte-americanos.
Na vizinha Espanha, a anónima deputada Andrea Fabra brindou os desempegrados, em plena sessão de parlamento, com um explícito uso do espanhol vernacular que, além de indignar os presentes, lançou fogo a toda o país. Neste momento, para além do que se diz e se escreve, são já milhares os que exigem a sua demissão.
Por cá, o circo ainda vai no adro. Mas as labaredas já quiemam: um personagem político, exuberantemente conhecido nas redes sociais, e pelos piores motivos, teima em assobiar para o lado, clamando, com o apoio dos ainda poderosos deste país sob intervenção externa, que está tudo bem e que não se passa nada....

Esperemos que a fraude Barclays não venha a contaminar também outros bancos do nosso reduzido sistema financeiro. É que a bancarrota do BPN já nos colocou sob intervenção externa e o BPN apenas representava 3% do sistema financeiro português....

As próximas semanas serão muitíssimo interessantes!

18.11.11

Carta Aberta


Há algum tempo, foi publicada, na revista, Stern uma “carta aberta” de um cidadão alemão, Walter Wuelleenweber, dirigida a “caros gregos”, com um título e sub-título: 

Depois da Alemanha ter tido de salvar os bancos, agora tem de salvar também a Grécia.
Os gregos, que primeiros fizeram alquimias com o euro, agora, em vez de fazerem economias, fazem greves.


Caros gregos,


Desde 1981 pertencemos à mesma família. 
Nós, os alemães, contribuímos como ninguém mais para um Fundo comum, com mais de 200 mil milhões de euros, enquanto a Grécia recebeu cerca de 100 mil milhões dessa verba, ou seja a maior parcela per capita de qualquer outro povo da U.E. 
Nunca nenhum povo até agora ajudou tanto outro povo e durante tanto tempo.
Vocês são, sinceramente, os amigos mais caros que nós temos.

O caso é que não só se enganam a vocês mesmos, como nos enganam a nós. 
No essencial, vocês nunca mostraram ser merecedores do nosso Euro. 
Desde a sua incorporação como moeda da Grécia, nunca conseguiram, até agora, cumprir os critérios de estabilidade. Dentro da U.E., são o povo que mais gasta em bens de consumo. 

Vocês descobriram a democracia, por isso devem saber que se governa através da vontade do povo, que é, no fundo, quem tem a responsabilidade. Não digam, por isso, que só os políticos têm a responsabilidade do desastre. Ninguém vos obrigou a durante anos fugir aos impostos, a opor-se a qualquer política coerente para reduzir os gastos públicos e ninguém vos obrigou a eleger os governantes que têm tido e têm. Os gregos são quem nos mostrou o caminho da Democracia, da Filosofia e dos primeiros conhecimentos da Economia Nacional. Mas, agora, mostram-nos um caminho errado. E chegaram onde chegaram, não vão mais adiante!!! 

Na semana seguinte, Stern publicou uma carta aberta de um grego, dirigida a Wuelleenweber:

Caro Walter,

Chamo-me Georgios Psomás. Sou funcionário público e não “empregado público” como, depreciativamente, como insulto, se referem a nós os meus compatriotas e os teus compatriotas. 

O meu salário é de 1.000 euros. Por mês, hem!... não vás pensar que por dia, como te querem fazer crer no teu País. Repara que ganho um número que nem sequer é inferior em 1.000 euros ao teu, que é de vários milhares. 
Desde 1981, tens razão, estamos na mesma família. Só que nós vos concedemos, em exclusividade, um montão de privilégios, como serem os principais fornecedores do povo grego de tecnologia, armas, infraestruturas (duas autoestradas e dois aeroportos internacionais), telecomunicações, produtos de consumo, automóveis, etc.. Se me esqueço de alguma coisa, desculpa. Chamo-te a atenção para o facto de sermos, dentro da U.E., os maiores importadores de produtos de consumo que são fabricados nas fábricas alemãs. 

A verdade é que não responsabilizamos apenas os nossos políticos pelo desastre da Grécia. Para ele contribuíram muito algumas grandes empresas alemãs, as que pagaram enormes “comissões” aos nossos políticos para terem contratos, para nos venderem de tudo, e uns quantos submarinos fora de uso, que postos no mar, continuam tombados de costas para o ar. 

Sei que ainda não dás crédito ao que te escrevo. Tem paciência, espera, lê toda a carta, e se não conseguir convencer-te, autorizo-te a que me expulses da Eurozona, esse lugar de VERDADE, de PROSPERIDADE, da JUSTIÇA e do CORRECTO. 


Estimado Walter,

Passou mais de meio século desde que a 2ª Guerra Mundial terminou. 

QUER DIZER MAIS DE 50 ANOS desde a época em que a Alemanha deveria ter saldado as suas obrigações para com a Grécia. Estas dívidas, QUE SÓ A ALEMANHA até agora resiste a saldar com a Grécia (Bulgária e Roménia cumpriram, ao pagar as indemnizações estipuladas), e que consistem em: 

1. Uma dívida de 80 milhões de marcos alemães por indemnizações, que ficou por pagar da 1ª Guerra Mundial; 

2. Dívidas por diferenças de clearing, no período entre-guerras, que ascendem hoje a 593.873.000 dólares EUA. 

3. Os empréstimos em obrigações que contraíu o III Reich em nome da Grécia, na ocupação alemã, que ascendem a 3,5 mil milhões de dólares durante todo o período de ocupação. 

4. As reparações que deve a Alemanha à Grécia, pelas confiscações, perseguições, execuções e destruições de povoados inteiros, estradas, pontes, linhas férreas, portos, produto do III Reich, e que, segundo o determinado pelos tribunais aliados, ascende a 7,1 mil milhões de dólares, dos quais a Grécia não viu sequer uma nota.

5. As imensuráveis reparações da Alemanha pela morte de 1.125.960 gregos (38,960 executados, 12 mil mortos como dano colateral, 70 mil mortos em combate, 105 mil mortos em campos de concentração na Alemanha, 600 mil mortos de fome, etc., etc.). 

6. A tremenda e imensurável ofensa moral provocada ao povo grego e aos ideais humanísticos da cultura grega. 

Amigo Walter, sei que não te deve agradar nada o que escrevo. Lamento-o. 

Mas mais me magoa o que a Alemanha quer fazer comigo e com os meus compatriotas. 

Amigo Walter: na Grécia laboram 130 empresas alemãs, entre as quais se incluem todos os colossos da indústria do teu País, as que têm lucros anuais de 6,5 mil milhões de euros. Muito em breve, se as coisas continuarem assim, não poderei comprar mais produtos alemães porque cada vez tenho menos dinheiro. Eu e os meus compatriotas crescemos sempre com privações, vamos aguentar, não tenhas problema. Podemos viver sem BMW, sem Mercedes, sem Opel, sem Skoda. Deixaremos de comprar produtos do Lidl, do Praktiker, da IKEA. 


Mas vocês, Walter, como se vão arranjar com os desempregados que esta situação criará, que por ai os vai obrigar a baixar o seu nível de vida, Perder os seus carros de luxo, as suas férias no estrangeiro, as suas excursões sexuais à Tailândia? 

Vocês (alemães, suecos, holandeses, e restantes “compatriotas” da Eurozona) pretendem que saíamos da Europa, da Eurozona e não sei mais de onde.

Creio firmemente que devemos fazê-lo, para nos salvarmos de uma União que é um bando de especuladores financeiros, uma equipa em que jogamos se consumirmos os produtos que vocês oferecem: empréstimos, bens industriais, bens de consumo, obras faraónicas, etc. 

E, finalmente, Walter, devemos “acertar” um outro ponto importante, já que vocês também disso são devedores da Grécia: 

EXIGIMOS QUE NOS DEVOLVAM A CIVILIZAÇÃO QUE NOS ROUBARAM!!! Queremos de volta à Grécia as imortais obras dos nossos antepassados, que estão guardadas nos museus de Berlim, de Munique, de Paris, de Roma e de Londres. 

E EXIJO QUE SEJA AGORA!! Já que posso morrer de fome, quero morrer ao lado das obras dos meus antepassados. 

Cordialmente,

Georgios Psomás

21.10.11

A porta do Inferno já está escancarada

Que a Europa está prestes a colapsar é já um dado adquirido por muitos. Hoje o Financial Times, na edição alemã, já se referia à recuperação do marco enquanto moeda de transacção.A Grécia deverá declarar a insolvência em breve - fala-se em círculos restritos que o haircut deverá andar pelos 70% ou perto disso, e talvez essa seja também a razão pela qual o nosso sector financeiro tem vindo a registar mínimos históricos sucessivos em bolsa - e o dominó que se irá seguir, imediatamente, arrastar-nos-á a todos para o inferno.
Ao mesmo tempo, as imagens que nos chegam do derrube do ditador kadaffi gelam-nos o sangue, tal como também a notícia que a pequena menina chinesa, atropelada por 2 veículos e ignorada por uma série de transeuntes, acabou de falecer.

17.9.11

Colapso em contagem decrescente

A Europa enfrenta actualmente um dos seus maiores desafios: sobreviver com a configuração que lhe conhecemos.
As notícias que nos chegam dessa mesma Europa revelam o quão frágil e precário é o entendimento acerca da manutenção do status quo. Temo bem que estejamos a assistir ao início do colapso de uma certa concepção do mundo que inaugurou auspiciosamente o novo século. O que se irá passar a seguir será, dados os ajustamentos estruturais que inevitavelmente se seguirão, pavoroso, principalmente para uma geração que aprendeu a viver em segurança e com uma certa qualidade de vida minimamente garantida.

O extracto do artigo que cito abaixo está publicado no site de análise político-económica do ZeroHedge.com

Eurozone must be honest: Big haircuts for bond holders, debt limits for all, says Die Zeit (article in German). The drama of saving European banks that hold Greek debt, and the debt of other tottering Eurozone nations, has been going on for a year and a half. Each effort to keep Greece on track follows the familiar script. Politicians promise spending cuts. Greeks demonstrate. E.U. inspectors check things out and leave angry. Germans declare that Greece will not get any relief until it fixes its problems. Then Greece notices that it needs yet more money and threatens to default. Germany nods. And the next installment gets paid.
By now, all hope for a happy ending has dissipated. Greece is suffering from a multitude of problems that defy quick fixes, among them a huge pile of debt, an inept and corrupt fiscal system where taxes are simply not collected, dysfunctional institutions, and a government-dominated economy. Even unlimited amounts of money can only defer the end game.
But there are already victims. The most recent one: The concept of an independent, apolitical central bank whose primary purpose is guarding the value of the currency, rather than monetizing the debt of countries that have spent beyond their means.

Wolf Richter - www.testosteronepit.com

10.9.11

11 de Setembro


O dia 11 de Setembro ficou, infelizmente, marcado na nossa memória colectiva pelas piores razões. O dia da barbárie. O dia da matança indiscriminada. O dia do ódio. A morte, o pânico, a destruição. Se o século XX foi marcado por duas guerras mundiais e mais não sei quantos conflitos regionais, o novo século, infelizmente, já tem essa chancela inaugural.

Hoje, somos todos americanos.

4.12.10

Os acontecimentos parecem estar a precipitar-se

Os acontecimentos parecem estar a precipitar-se.
A divulgação da miséria moral de uma grande nação que, desde há muito tempo, se tem vindo a afirmar como defensora da liberdade, da democracia e dos direitos humanos, causa-nos estranheza e profunda repulsa. Olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço! A verdade é um acto de traição. O importante é continuar a acreditar ingenuamente naquilo que o chefe diz. Por esta parte, estamos conversados.
De Espanha, chegam notícias perturbadoras. Se a greve dos controladores aéreos parece ter incomodado muita gente, a resposta musculada do governo, com uma explícita atitude de suspensão do regime democrático, mais sinais de alarme deve já ter feito soar por este mundo fora. Hoje foram os controladores aéreos, amanhã poderão ser outros grupos profissionais, tudo dependendo do grau de indignação e de desobediência civil que as massas, afectadas por uma crise para a qual não contribuíram e da qual alguém lhes diz serem responsáveis, possam vir a manifestar.
Entretanto, as notícias que a imprensa não divulga mostram que o euro está já em situação de emergência e que não é só a Grécia, a Irlanda ou Portugal que se encontram, factualmente, insolventes.
O circo está a pegar fogo.

2.12.10

Parece que, do outro lado do Atlântico, haja quem já endoideceu

Segundo noticia um blogue de contestação às regras pidescas de controlo nos aeroportos americanos, o absurdo já tomou lugar: uma criança de 4 anos, deficiente motora, foi obrigada a caminhar sem o auxílio dos implantes para que as autoridades pudessem verificar que não se tratava de um terrorista. A notícia está a ser amplamente divulgada pelo canal televisivo CNN:



Depois do escândalo dos documentos divulgados pelo WikiLeaks, estas notícias deixam-me profundamente apreensivo face ao nosso futuro próximo e imediato. Até porque nada nos garante que, amanhã, não tenhamos estes loucos deste lado do Atlântico.

27.11.10

O pânico segue dentro de momentos...

De acordo com o que noticiam alguns sites, estará para breve a revelação de histórias cabeludas envolvendo a diplomacia mais secreta de grandes países, com elevadas responsabilidades no governo e na gestão do governo global do mundo.

A acreditar que tal venha mesmo a suceder, e que os documentos sejam autênticos, só me resta aguardar já com a percepção que vivemos actualmente num período de profunda decadência moral e ética. O mundo está podre. Se calhar, sempre foi assim. A diferença é que antigamente não existiam homens e mulheres com coragem e meios para mostrar, bem alto, a sua indignação perante uma marcha de acontecimentos errada e vil para tantos. Hoje tal é possível. Ainda bem!

Oxalá que este movimento de denúncia possa ajudar os homens, que têm responsabilidades, a perceber, com clareza, o significado da palavra ÉTICA!

22.11.10

From Ireland...

A imagem é a 1ª página de um jornal irlandês e ilustra bem o sentimento de indignação face à situação. Foi encontrada num passeio pelo fórum do Diário Económico.
Esperemos que nunca venhamos a experimentar, por cá, um tal sentimento. São os meus votos para o Novo Ano, que se aproxima!

1.6.10

Ainda sobre a Frota da Liberdade

O artigo, supra citado, vem hoje publicado num jornal australiano, abordando, com lucidez, a problemática do direito à segurança - que Israel e qualquer país civilizado e democrático merece - e os modos de, efectivamente, assegurar essa segurança.
Tenho bons amigos em Israel. Quando me visitaram, vai para 4 anos, o seu pavor chamava-se (e chama-se) Hamas, o grupo terrorista que não reconhece a existência do Estado judaico.
Não são loucos nem tão pouco estão possuídos desta fúria dos dirigentes que, em nome da propaganda, consideram que quem não reverencia o agir das suas elites políticas é terrorista.
Aliás, espanta-me muito que, num país, que tem vivido sempre acossado por numerosas guerras, com toda a facilidade as elites dirigentes rotulem os outros de terroristas e os diabolizem. Claro que compreendemos que tudo isso não passa de uma máquina de propaganda interna. Mas, também em Israel, há gente inteligente e não louca.
Esperemos que o bom senso prevaleça ou, caso contrário, o circo corre o risco de pegar fogo. E isso é algo que ninguém deseja.

11.12.09

Literatura digital

A todos os que se interessam pela cultura e pela literacia digital, aqui fica um link deveras interessante: Digital Literature Web.

11.6.09

Descarga su pistola eléctrica sobre una anciana por negarse a firmar una multa

A notícia, acompanhada do video esclarecedor, é chocante e perturbadora.
Estou sem palavras.

Para onde caminhamos?

Não tenho filhos. Ainda bem. Se os tivesse estaria agora confrontado com um grande dilema: como educá-los de modo a prepará-los para o futuro? Para a sociedade em que eles viveriam daqui a 10 ou a 20 anos?
Obviamente que me parece que os deveria ensinar a serem dialogantes, tolerantes e respeitadores dos outros, confiando neles, ajudando-os, porque pertencemos todos ao mesmo grupo: somos todos humanos.
Mas os acontecimentos dos últimos tempos recomendar-me-iam que ensinasse aos meus filhos uma série de estratégias de auto-protecção, para evitar que, amanhã, fossem enganados e destruídos pelos seus semelhantes: os humanos.
Ontem, lendo o jornal O Público, fiquei a saber que a multinacional Shell terá pago para que um activista dos direitos ambientais fosse liquidado, porque esse activista liderou, nos anos 90, um grupo que se opunha à destruição dos recursos da comunidade de que era representante.
Ao longo destes dias, tenho acompanhado, com uma certa curiosidade, a busca das razões que levaram ao despenhamento do vôo da Air France. Se a hipótese de atentado terrorista me pareceu a mais viável - embora as consequências, a nível da segurança aérea, poderiam ser desastrasos para as companhias e para os negócios - , a substituição acelerada dos sensores de velocidade dos airbus e as explicações que alguma comunicação social nos mostrou, levam-me, para já, a achar que alguém tem andado a brincar com a vida dos outros. Tenho a sensação que aquilo que parece importar aos fabricantes de aviões e às companhias aéreas é tão somente o lucro, sendo os acidentes e as mortes números que uma qualquer estatística rapidamente fará esquecer.
Entretanto, por cá, ficámos já sobejamente esclarecidos que, quando confiamos o nosso (pouco) dinheiro a uma instituição bancária, nunca devemos acreditar naquilo que os gestores (nome curioso dos funcionários bancários 1) nos dizem ou propõem, pois corremos o sério risco de virmos a perder tudo (2). E a coisa torna-se ainda mais surreal quando não temos nenhuma informação fidedigna nem meios para a obter. Concretizando: uma conta rendimento é o mesmo que um depósito a prazo? Uma conta poupança aforro é o mesmo que um depósito a prazo? Uma conta super rendimento é o mesmo que um depósito a prazo? Tecnicamente, não o deve ser, pois se assim fosse não possuiria uma designação diferente, certo? Ora, em caso de insolvência, esses títulos ou depósitos, garantidos pelos bancos (3), não estarão garantidos pelo Fundo de Garantia Bancária, não é mesmo?
Começo a aprender que vivemos num mundo terrivelmente perigoso, onde existe uma fauna que não olha a meios para obter o que bem entende e, nesse contexto, eu teria muitas dificuldades em educar um filho meu segundo princípios que considero fundamentais, ensinando-o concomitantemente a proteger-se adequadamente destes seus semelhantes cujos princípios eu tenho sérias dificuldades em definir para não ser ofensivo.
(1) Há muitos anos atrás, num banco de pequena dimensão, que depois foi adquirido pelo BPI, conheci, pela primeira vez, um gestor de conta. Nome estranho e pomposo, cuja função compreendi que se resumia a tentar vender-me o maior número possível de produtos bancários. Como eu sempre fui um bocado decidido (quem me conhece, pode atestar que eu sou decidido até ao exagero e, não raras vezes, faço muita asneira, em virtude de não pedir conselho a ninguém!), decidi que iria comprar 300 acções da Unicer ao preço X. Ora o meu gestor, que não me recomendava nada essa aquisição, porque dizia que havia, no mercado, umas acções bancárias com um muito maior potencial de valorização, confessou-me que comprara, junto comigo, idêntico número de acções quando eu ordenara essa compra. Fiquei calado e nada disse. Estávamos na época das valorizações bolsistas. Tendo regressado da capital, aonde falara com uns amigos que, esses, andavam metidos, até ao pescoço, na especulação bolsista, ordenei a venda imediata das ditas acções, ao melhor preço e sem demora. A decisão, não explicada ao gestor, levou-o a fazer um telefonema, na minha presença, para o seu corrector, para que vendesse também ele as suas acções. Foi uma decisão acertada, pois cerca de uma semana depois a bolsa portuguesa entrou em correcção, como é vulgar dizer-se. E confessava-me o meu gestor de conta: o sr dr comprou, eu comprei; o sr dr vendeu, eu vendi. Estou a ganhar dinheiro consigo! Direi apenas que encerrei imediatamente a conta e nunca mais confiei num gestor, já que fiquei aterrado com a leviandade com que esses senhores gerem as nossas poupanças.
(2) Não sou cliente BPP. Mas tenho muitas dúvidas acerca da qualidade do nosso sistema financeiro, em particular dos nossos bancos. Acho que alguns deles só ainda não colapsaram porque os custos políticos e financeiros seriam de tal ordem que o país, todo, correria sérios riscos de entrar em bancarrota, tal os negócios e meandros que co-envolvem muitas empresas e muita gente. Mas é preciso muita cautela!
(3) BES, CGD e Santander. São exemplos, mas bastará olhar com cuidado para aquilo que todos os bancos, sem excepção, vendem aos seus clientes. E depois, de que adianta o banco garantir? É na justiça que as coisas terão que ser resolvidas e, conhecendo-se a rapidez e a sua capacidade de acção, só nos restará esperar que o galo cante para se ser ressarcido... (Refiro-me, obviamente, à lenda do galo de Barcelos!)

31.5.09

Foi há 20 anos

E poderia ter sido possível, se houvesse mais humanidade e respeito pelas justas aspirações de um povo. Mas não. O massacre da praça da Paz Celestial mostrou ao mundo que a voz do querido líder continua a ser incontestável. E 20 anos passados o poder do dinheiro e dos negócios ensinam-nos que aquilo que importa, ao contrário do que expressara Saint-Exupéry em O Principezinho, é mesmo aquilo que se vê. Infelizmente. E para mal de todos nós.
Só espero que a bárbarie que representou este massacre nunca mais se repita. E que todos lutemos por aquilo que consideramos justo. E isso é tão somente um pouco de liberdade.

20.4.09

What is happening? Is it true? Or is it a fake?

Um documentário interessante, na linha das chamadas teorias da conspiração, mas que não deixa de apontar algumas linhas de análise curiosas sobre ideologia e condicionamento das massas. E que merece ser lido também com elevado sentido crítico, já que, disponibilizado no YouTube, acaba por ter um certo impacto nas camadas que interagem com este instrumento tecnológico...

17.4.09

Matar a sangue frio quem se manifesta pacificamente é justo?

El Ejército israelí asesina a un palestino que se manifestaba contra el muro de separación

  • Cargaron contra los manifestantes con medidas antidisturbios.
  • Eran unas protestas pacíficas en las que no se estaban tirando piedras.
  • Estas manifestaciones se llevan repitiendo desde hace cuatro años.
A notícia acaba de ser publicada no jornal espanhol 20 minutos e incomodou-me particularmente. Porque o video mostra o acontecimento em directo. Porque a vida parece ter deixado de ter qualquer valor para aqueles que exercem o poder e o exibem orgulhosamente. Porque parece ser muito interessante poder assassinar os outros quando se sabe antecipadamente que eles  não poderão fazer nada em contrário. Porque, se calhar, até poderia dar jeito enviar um aviso à navegação para que as pessoas percebem quem é que manda e a quem é que devem obedecer. Porque é sempre muito fácil justificar todos os actos e garantir a aceitação das massas. O problema é quando a comunicação social está lá e divulga o acontecimento ao mundo...
Tenho muito receio acerca do mundo em que vivemos e do mundo que estamos a construir para deixar aos nossos sucessores. Isto se ainda existir alguma coisa para lhes deixar, no futuro.

11.4.09

R.I.P. Omidreza Mirsayafi

Omidreza Mirsayafi era o seu nome. Um nome estranho, para nós. Mas o seu rosto de 29 anos talvez nos possa evitar de o esquecermos.
De acordo com a Fox News, Omidreza Mirsayafi perguntou, no seu blogue, em Setembro de 2006, o que era a liberdade? Uma questão que nós podemos colocar, se quisermos, mas cuja colocação pode ser muito mal entendida em outras sociedades.
Omidreza Mirsayafi faleceu no passado dia 20 de Março, numa das prisões de Teerão.
O P.E.N. Internacional está a exigir uma investigação imparcial às autoridades irarianas acerca das causas da sua morte. Ver aqui.
Mas há mais bloggers cuja vida se encontra em risco !

21.3.09

28 de Março: apagão mundial

Realizar-se-á no próximo dia 28 de Março um apagão mundial entre as 20h30 e as 21h30, uma iniciativa do Fundo Mundial da Natureza (WWF), que une 1700 cidades de 80 países, que procura sensibilizar as pessoas em defesa do meio ambiente.

12.3.09

Estou chocado

Os acontecimentos pavorosos que tiveram lugar na Alemanha, protagonizados por um jovem de 17 anos, deixaram-me verdadeiramente preocupado.
Desde logo porque são cometidos, com frieza, por um jovem. Numa escola, onde provavelmente teria amigos ou, pelo menos, conhecidos. Isto é, num local que lhe era familiar. E porque, aparentemente, teria anunciado ao mundo, via chat, os seus intuitos.
Ainda agora se discute o porquê.
Oxalá que, neste caso trágico, eu esteja redondamente enganado.
Temo que as razões tenham que ver com a ausência de futuro e de perspectiva com que muitos jovens da nossa Europa se começam a confrontar. E quando as pessoas não possuem um saúde mental forte, esse facto, normalmente, origina asneira. E da grossa! 
Agora, a seguir ao luto, espero bem que quem tem a capacidade para fazer movimentar o mundo compreenda que é preciso mudar. Porque o esconder e fingir que está tudo bem não só não resolve nada, como só tende a piorar a situação.
E o caldeirão já está em lume forte...

17.2.09

O mundo: hoje e amanhã

Confesso que só hoje, depois de ler uma série de comentários acerca do programa Prós & Contras, da RTP 1, que abordou a questão dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo, é que fui ver a gravação do programa. Ontem não vi o programa porque tinha mais o que fazer e também porque já estou habituado a ter que filtrar muita da informação com que nos inundam o serão e já não tenho pachorra para certas coisas.

 

Relativamente à questão direi apenas que aquilo que mais parece preocupar os defensores do não se resume ao medo: o medo de que a aprovação do casamento origine um ataque a um certo modelo de família; o medo do que possa vir a acontecer no futuro. E quando se tem medo, a solução parece ser o imobilismo.

 

Relativamente aos defensores do sim, a questão tem que ver com o reconhecimento de direitos e com a não discriminação de que têm sido / são alvo.

 

Os argumentos aduzidos, alguns são bizarros e hilariantes.

 

Não deixa de me causar espanto que a nossa sociedade tenha necessidade de efectuar um debate desta natureza. E que os medos e os pavores ainda condicionem tanto tanta gente.

 

Não sei se já repararam, mas nós estamos a viver o fim de um ciclo. As ideologias que nos governaram parecem ter ruído, com consequências que ainda não conhecemos na sua totalidade. O sistema capitalista estourou (está a implodir!). A ideologia marxista implodiu com a queda do muro de Berlim em 1989. (Restam resquícios, contaminados com ideologia capitalista na China). A ideologia do racionalismo iluminista, cuja raiz mais visível remonta à Revolução Francesa de 1789, foi claramente posta em causa com o colapso do sistema capitalista e com a emergência do fundamentalismo islâmico. O Cristianismo, enquanto sistema organizado de ideias, tem vindo a ser abalado, principalmente no mundo ocidental, nos últimos 20 anos.

 

Francamente, não sei qual é o futuro. Mas acredito que teremos que o construir solidariamente, com tolerância, diálogo e respeito mútuo. E principalmente sem medos.