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11.5.13

Até as gaivotas fogem para terra...

Os tempos definitivamente já não são o que eram.
Sente-se um ar pesado, um ar de chumbo. Pressente-se que algo vai muito mal no reino da Dinamarca.
Até as gaivotas, habituais habitantes de um espaço onde a fronteira entre a terra e o mar se estabelece, decidiram voar para terra, bem dentro e grasnam, como loucas, voando em círculo por cima da janela do meu quarto. Quem me conhece sabe bem que o mar dista do meu quarto perto de 50km e que não há curso de água nem perto nem longe.
Alguém mais avisado dirá que este é o sinal de que a tempestade se aproxima, uma tempestade devastadora, tsunâmica, arrasadora de todos os habitantes marinhos e de alguns terrestres. Não sei. Francamente não sei.
As cabeças bem pensantes e iluminadas continuam a afirmar que estamos no bom caminho. Que tudo o que estamos a passar é um sinal arrebatador do sucesso. Que tudo isto é muito bonito. E que o povo aguenta tudo, ai aguenta aguenta...!
Não tenho tantas certezas.
Mas o futuro aí estará para confirmar ou infirmar estes modos inusitados de olhar o mundo. Espero poder sobreviver ao que aí vem.

19.4.11

Ideias práticas para o presente momento

Já todos sabemos que a situação é complicada e que tenderá, pelo menos numa primeira fase, a agravar-se.
Não vou aqui retomar a minha visão crítica acerca da situação, mas partilhar com os meus leitores alguns sites que podem representar boas oportunidades. 

Confesso que ainda não experimentei nada do que vou partilhar. Li informação e vi alguns comentários noutros locais.

Forretas - Site que, regularmente, oferece descontos em diversos serviços, desde alimentação, alojamento, tempos livres, etc. 

Good Life - Site do mesmo género do anterior.

Low cost Portugal - Viagens e estadias a preço reduzido, conforme o próprio título indica.

My Guide.pt - Site onde se pode efectuar o download de vouchers com descontos em restaurantes e hotéis de Portugal.

Se alguém conhecer mais alguma coisa ou tiver um testemunho, agradeço que o deixe na caixa de comentários.

15.4.11

Portugal: cenas dos próximos capítulos


Estamos a chegar ao fim. A bancarrota ainda não foi oficialmente declarada, mas já é, em surdina, assumida por quase todos. Os banqueiros já vieram lançar um grito lacinante. Claro que, para quem tem acesso à execução das contas, o grito dos banqueiros já tinha sido histericamente repetido vezes sem conta nos bastidores da grande casa.

Estamos falidos.

Agora que já se começa a perceber o circo em que vivemos e que a nave dos loucos se encontra definitivamente desorientada já se vão ouvindo rumores acerca da necessidade de nos libertarmos do euro para assim, segundo opinam certas vozes, recuperarmos a nossa soberania... Francamente, só me dá vontade de rir, embora a situação seja (e venha a ser) profundamente trágica e, podemos dizê-lo, final. A solução final! 

(Explico o que digo: sair da zona euro, com todas as dívidas associadas a esta moeda, seria a bancarrota imediata. E a convulsão social por longos tempos. A regressão para tempos anteriores ao século XIX. É que uma saída da zona euro implicaria um haircut da ordem dos 40-50% na nova moeda, com o consequente aumento da inflação nos produtos importados, facto trágico para um país que nem sequer produz aquilo que come. E depois haveria sempre dívidas - em euros - para pagar. Obviamente que o sistema financeiro entraria em colapso. Sobreviveria quem, com recursos em moeda estrangeira, pudesse, antecipadamente, emigrar.)

A nossa soberania não nos interessa para nada. Nunca nos interessou. Só é útil quando, em nome de interesses obscuros, dá jeito para manipular um certo sentido patrioteiro que alguns ainda possuem. Mas também estes são cada vez menos.

O que nos interessa a todos é que o nosso modo de vida, qualidade ou o que lhe quiserem chamar, possa permanecer com os padrões que possuímos ou que possa ser melhorado. Só isso. Nada, rigorosamente mais nada. Pátria, nação, o que quer que seja, nada disso existe já. Aliás é curioso que muitos evoquem esse termo quando se trata de mobilizar as massas: acontece no caso dos jogos de futebol (mas a equipa, por incrível, só tem um ínfima percentagem de jogadores portugueses!), acontece no caso das eleições (mas o que interessa a todos é o prato de lentilhas, por sinal, fruto dos colossais fundos estruturais que os estrangeiros nos têm enviado nos últimos 20 anos!), e julgo que acontecerá também noutras situações (o inimigo externo contra o qual é preciso lutar...)

Segundo noticiam os jornais cá do burgo, o FMI estará por cá durante os próximos 10 anos.

Não acredito. Quanto muito, estará por cá durante os primeiros 3 meses. É que, por essa altura – falamos em meados de Setembro -, ou as coisas se modificaram ou o pratinho de lentilhas acabará de vez e aí, sim, a bancarrota (ou eufemísticamente denominada reestruturação da dívida) será publicamente assumida.

Será que alguém ainda acredita que esta gente que vive neste cantinho da Ibéria vai alguma vez modificar os seus hábitos de vida e a sua mentalidade? Os nossos conterrâneos do norte da Europa ainda não perceberam o core da mentalidade dos cidadãos da Europa do Sul. Para além disso, a fronteira que nos separa é muito antiga, tem raízes históricas, não se afigurando passível de modificação porque um estrangeiro (que nos usurpou a soberania) nos vem dar ordens, ainda para mais com a ameaça de nos deixar morrer à fome...

Avanço que ainda vamos ouvir por aí alguém clamar pela necessidade de se recuperar a força e a raça dos lusitanos e de, activamente, lutarmos contra o centralismo dos colonizadores, as vozes e gentes do Norte da Europa...

Os próximos tempos serão deveras interessantes...

25.3.11

Bom senso e honestidade precisam-se. Urgentemente.


Quando todos sabemos a situação aflitiva em que se encontram as finanças públicas, com o risco iminente de falta de liquidez, impossibilitando o pagamento de remunerações, salários, pensões, e coisas tais, quando os títulos de dívida soberana portugueses deixam de ser aceites como colaterais para empréstimos por importantes instituições financeiras, exige-se um mínimo de bom senso e de transparência.
As recentes declarações do ainda primeiro-ministro José Sócrates Pinto de Sousa, em Bruxelas, clamando heroicamente o lema do “orgulhosamente sós”, não augura nada de bom. É que este discurso – porventura intencionalmente proferido para consumo interno – já não é entendido como minimamente consistente com a realidade dos factos e do mundo. E, além disso, faz soar as campainhas de alarme, provocando pânico junto de um povo tradicionalmente conhecido como recatado e calmo.
Para já, a acreditar no que refere o Diário Económico, provocou incredulidade face ao real estado de saúde do senhor primeiro-ministro.
Como digo, os tempos são muito complicados e sê-lo-ão ainda mais nos próximos anos: necessitamos de bom-senso e de honestidade da parte dos nossos representantes políticos. Urgentemente.

24.3.11

Censos 2011

Estou siderado!
A droga da aplicação informática do Instituto Nacional de Estatística está sempre a ir abaixo. Será que foi feita pela mesma empresa responsável pelo suporte informático do cartão do cidadão?

Estou para ver como é que vou conseguir preencher aquela informação toda...

20.3.11

Da última visita do Papa a Portugal

Conversa tida entre o Papa Bento XVI e o Ministro das Finanças, Dr. Teixeira dos Santos, aquando da última visita a Portugal:

Santo Padre: Meu filho, não PEC's mais!

Recebida por email.

8.3.11

Contagem decrescente


A recente vitória dos Homens da Luta no Festival RTP da Canção e a preocupação que alguns comentadores políticos manifestam face a isso pode ser o sinal de alarme de que algo vai muito mal no reino da Dinamarca.

Lendo a opinião de bloggers, comentadores e jornalistas, critica-se muito o facto de a geração que hoje tem 20 anos aspirar a um certo ideal de vida que os pais conseguiram. Argumenta-se que os tempos são outros e que, no quadro de uma economia neo-liberal, cada um deve tratar da sua vida, defendendo-se concomitantemente a necessidade imperiosa da existência de um Estado Social capaz de dar resposta aos mais fracos e desprotegidos. Mas, interessante é reparar, que o grupo da chamada geração à rasca não é incluído neste “lote” dos que devem ser apoiados pelo chamado Estado Social.

Não deixa de me causar estranheza aquilo que está a suceder até porque as aspirações desta geração são tão legítimas como as aspirações dos seus pais. É que todos (repito: TODOS!) fomos educados à luz de um paradigma ideológico que considerava que a marcha da história desembocaria num futuro radioso e muito melhor do que o presente. Recordemos o ideal iluminista da “Liberdade, Igualdade, Fraternidade”, que guiou tantos movimentos revolucionários até hoje! Recordemos o ideal que presidiu ao derrube do Muro de Berlim e ao fim do marxismo-leninismo na esfera da então União das Repúblicas Socialistas Soviéticas! Recordemos a crença exacerbada pelo Sr. Bush e seus acólitos na chamada economia de mercado!

Claro que, entretanto, aconteceu o 11 de Setembro e a partir de 2008 o mundo entrou numa crise profunda de consequências ainda não totalmente determináveis...

Ora, é neste contexto sociológico e politico-ideológico – um contexto que os filósofos Gilles Lipovetsky e Jean Serroy designam como o de uma “Geração Desorientada” – que fenómenos de intervenção cívica como os Homens da Luta ou de intervenção social como a Geração à Rasca têm lugar.

Custa-me a crer que gente com responsabilidade política ora desvalorize a situação – segundo alguns trata-se de uns grupelhos de contestatários ligados a organizações políticas situadas no extremo do espectro político – ora a considere um mero fenómeno de práticas carnavalescas, e, nesse sentido, responda negando a realidade do tsunami que cresce a cada hora que passa. Sim, porque, como me confidenciava há dois anos atrás, um colega que muito respeito e que, na ocasião, tinha importante responsabilidade política e social, o caldeirão está quase a estourar. E quando estourar estourará de facto! Esta geração que hoje se assume como parva e que se considera bastarda de um país que a não respeita é, de facto, uma geração composta pelos mais altos quadros: são jovens com elevadas qualificações académicas (mestrado e doutoramento), com um adequado conhecimento do mundo e acesso a redes sociais, e que, terminados os seus cursos, se vêem lançados ora num call center (a ganhar 250 euros por mês!) ora numa caixa de hipermercado (não sei quanto será a remuneração!) ora condenados a viver em casa dos pais ad eternum... Uma geração sem futuro ou com um futuro muito muito longínquo...

As pessoas com responsabilidade e, em particular, os senhores políticos deveriam olhar, com muita atenção, para esta situação e alcançar uma resposta consentânea. É que negar aos que têm hoje 20 anos a possibilidade de serem os actores do desenvolvimento colectivo do mundo que arquitectamos para daqui a 10 ou a 20 anos significa tão somente criar as condições para que situações muito pouco desejáveis possam vir a ocorrer por cá. E uma vez o circo ardendo não haverá água suficiente para apagar o fogo.

26.2.11

Este é o país que temos...

Segundo noticiam os jornais, uma ambulância do INEM que assistia uma idosa com sintomas de enfarte foi mandada retirar porque o carro de sua excelência o ministro tinha que passar....

E depois ainda há quem se indigne pelo facto de se morrer em Portugal e só se ser descoberto nove anos depois...

Uma pergunta: porque razão o canal pago com dinheiros públicos nos dá a toda hora tanta música e tanta animação? Visto do exterior, até parece que somos um país de gente muito feliz e muito animada...

(Tenho um amigo que me diz que sempre que ouve estes programas de variedades se lembra sempre do triste e trágico episódio do Titanic: enquanto o navio afundava, a orquestra continuava a tocar...)

Entretanto tudo indica que a bancarrota chega dentro em breve. Ou isso ou o FMI, que certos políticos tanto têm diabolizado... vai ser lindo vai.... ainda estamos para ver como é que vão descalçar a bota depois de tanto terem acusado os malditos especuladores de estarem a destruir o país e a soberania...

(Do chamado Estado Social, já nem falamos, tantas têm sido as escolas, hospitais e maternidades encerradas, os centros de saúde fechados, a redução dos apoios aos idosos e aos mais desfavorecidos, os cortes nos vencimentos dos funcionários da administração pública e das empresas estatais, a redução das pensões de reforma, o corte nos apoios ao transporte de doentes para os hospitais, o fim das comparticipações na maior parte dos medicamentos, a ideia de vir a impor um imposto para pagamento da saúde, etc, etc, etc....)

Os salários pornográficos e escandalosos dos senhores gestores das empresas estatais, com prejuízos avultadíssimos, esses, como seria de esperar, neste país de treta em que vivemos, são intocáveis, pois claro, assim é que é! Já dizia a minha avozinha, que Deus a tenha, que quem parte e reparte, fica com a melhor parte! Enfim, já nem apetece comentar pois tudo parece estar profundamente inquinado....

Devemos confessar que aquilo que nos divertiu mais nos últimos dias foi a afirmação do senhor Procurador Geral da República - homem muito bem informado e com um extensíssimo poder - que existiriam escutas ilegais em Portugal, orquestradas por entidades do Estado!!!! 

Já há tempos falámos aqui do circo que estava prestes a chegar à cidade. Parece que já cá chegou. Pelo menos a acreditar nas palavras do senhor embaixador norte-americano, que o jornal Expresso hoje noticia, parece que isto é, de fato, uma grande alegria...., mas, pelo menos, somos um país pequenino, mas de gente orgulhosa...

Parece que para a semana haverá desenvolvimentos. E dia 12 - já deverá ser conhecido, por essa altura, o pedido formal de resgate ou, para sermos mais sérios, já terá sido, por essa altura, imposto o plano de resgate (talvez eufemisticamente apelidado de plano de crescimento sustentado ou outra coisa qualquer porque o importante é manter tudo e todos na ilusão) - a nossa geração à rasca prepara o seu dia da raiva... a ver vamos se a manifestação, convocada pelo Facebook, não é liminarmente classificada como fruto de grupos similares aqueles que o senhor coronel Kadaffi considerou como estando na origem da revolução em curso na Líbia...



29.12.10

Hashtag #ensitel: 56 tweets nas últimas 2 horas

A propósito do alarido que se gerou nas redes sociais acerca do abuso de uma empresa de venda de produtos de telecomunicações sobre os direitos do cliente, não deixem de ler este magnífico texto!

PS: não refiro o nome da referida empresa pois, como é sobejamente sabido, parece que quem se atreve a referir-se em termos menos elogiosos à referida empresa leva logo com um processo para responder em tribunal e, quiçá, muitas dores de cabeça. E, naturalmente, fica sob vigilância dos nossos guardiões da moral e dos bons costumes públicos.

Mas que isto me deixa irritado, lá isso deixa!
É que, por aquilo que vou vendo por outras terras, só por cá é que certas empresas se acham senhoras e donas deste mundo e dos outros e acham sempre que ao cliente só lhe deve restar pagar e calar, sempre!

4.12.10

Os acontecimentos parecem estar a precipitar-se

Os acontecimentos parecem estar a precipitar-se.
A divulgação da miséria moral de uma grande nação que, desde há muito tempo, se tem vindo a afirmar como defensora da liberdade, da democracia e dos direitos humanos, causa-nos estranheza e profunda repulsa. Olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço! A verdade é um acto de traição. O importante é continuar a acreditar ingenuamente naquilo que o chefe diz. Por esta parte, estamos conversados.
De Espanha, chegam notícias perturbadoras. Se a greve dos controladores aéreos parece ter incomodado muita gente, a resposta musculada do governo, com uma explícita atitude de suspensão do regime democrático, mais sinais de alarme deve já ter feito soar por este mundo fora. Hoje foram os controladores aéreos, amanhã poderão ser outros grupos profissionais, tudo dependendo do grau de indignação e de desobediência civil que as massas, afectadas por uma crise para a qual não contribuíram e da qual alguém lhes diz serem responsáveis, possam vir a manifestar.
Entretanto, as notícias que a imprensa não divulga mostram que o euro está já em situação de emergência e que não é só a Grécia, a Irlanda ou Portugal que se encontram, factualmente, insolventes.
O circo está a pegar fogo.

19.11.10

Perguntas ao vento que passa

Assisti, como qualquer português de gema e patriota, à chegada a Lisboa de tantas e tantas personalidades de relevo internacional, os Senhores do Mundo, como certa imprensa lhes chama. À medida que ia acompanhando tão ilustre cortejo de personagens, fui colocando ao Vento algumas questões que me pareceram pertinentes:

  • Porque razão a necessidade de segurança exige que as ruas e as praças da capital do país estejam despidas de gente? (Preocupou-me a situação pois todas estas imagens me faziam recordar um qualquer filme de ficção científica que terei visto no passado e cujo contexto seria ou o Apocalipse ou o Ensaio sobre a Cegueira)
  • Porque razão a RTP 1 - canal de televisão pago pelos nossos impostos - só mostrava polícias (em grupo ou sinalizados pela presença de carros-patrulha) e nunca se via gente? Acho que entrevistaram 1 ou 2 pessoas? Será que esta é a população de uma capital europeia fervilhante de actividade?
  • Ou será que a situação já é tão deprimente que não há actividade na capital europeia?
  • Porque razão este canal televisivo insiste tanto em sublinhar que já foram presos X potenciais indivíduos, que representam uma perturbação grave à segurança nacional, quando, depois de analisada a informação, se chega à conclusão que estes perigosos sujeitos o são porque transportam consigo T-Shirts e tarjas contra a Organização do Tratado do Atlântico Norte?
  • Será que isto tem que ver com os custos astronómicos que terão sido gastos com a compra de 5 carros de combate (blindados? Chaimites?) para a protecção neste evento e que, segundo julgo saber, ainda não chegaram ou até serão entregues num futuro não imediato?
  • Porque será que tem sido dada tanta importância a uns portugueses que parece que gostam de fotografar aviões, porque, vivendo nós numa Nação com determinadas especificidades culturais, parece ser natural que haja quem se situe junto dos aeroportos para fotografar esses raríssimos objectos? 
  • Porque razão nos enchem a hora de almoço com não sei quantos directos televisivos para relatar coisa nenhuma?

  • Quanto custa a organização deste evento?
  • Trata-se de um investimento com retorno assegurado? Não me venham com o blá-blá da importância histórica ou simbólica do local ou da associação do nome de Lisboa ao novo conceito estratégico de defesa desta organização porque essas coisas não nos pagam os produtos para a nossa sobrevivência quotidiana!
  • Parece que hoje houve tolerância de ponto no concelho de Lisboa. Será que esta é uma medida adequada para garantir e estimular a produtividade nacional? Isso é ainda uma preocupação, ou não?
  • Porque razão os apelos que têm sido feitos por organizações várias da sociedade civil, incluindo da Igreja Católica, relativos à situação de pobreza de largas franjas da sociedade portuguesa ainda não motivaram a realização de uma cimeira internacional em Lisboa, com o aparato e o investimento da que está actualmente a decorrer, para se encontrarem soluções mais justas e mais equitativas que favoreçam a qualidade de vida, a Paz e a Harmonia de todos os povos?
Adenda: um blogue onde se relatam situações que provavelmente serão desconhecidas de muitos relativamente à situação no Afeganistão

14.10.10

Viva a República!

"Pensões douradas" vão pagar imposto extraordinário de 10%

Quando li o título, pensei imediatamente que finalmente os valores megalómanos de ordenados e pensões de gestores públicos, que têm vindo a ser divulgados na comunicação social, iriam pagar um imposto extraordinário. Mas sabem o que descobri?
Para os detentores do poder, 5.000 euros (brutos) são uma pensão dourada... Já agora qual o atributo de um salário mensal de 40.000 euros (brutos)?
Das duas uma: ou isto está à beira de dar o estouro ou há muita gente a lançar areia para muitos olhos.
As notícias também indicam que se espera uma subida do IVA, com bens alimentares a subirem de 6% para 23% de taxa. Alguém acha que é isto que nos vai tirar do buraco?
Estou para ver o ciclo recessivo em que alegremente vamos entrar e o que acontecerá a seguir. Lá para Maio de 2011, se ainda existirmos, aí virão mais medidas de consolidação orçamental e de redução da massa salarial, porque é preciso cobrar impostos e o povo não está a cooperar (entenda-se, a consumir).
Outra coisa que não compreendo: por que razão a comunicação social do Estado nos brinda com tanta música e tanta dança? Não sei porquê, mas faz-me lembrar a orquestra que continuava a tocar enquanto o Titanic se afundava...
PS: já aqui esteve um video, mas já o eliminei. Acho que seria demasiado doloroso, para quem nos visita, assistir a ele.

5.10.10

Portugal não existe.

Comemora-se hoje, com pompa e circunstância, o centenário da Revolução que implantou a República em Portugal em 1910.
Independentemente do regime político sob o qual somos governados, confesso-vos que estou já plenamente convencido que Portugal não existe.
Portugal é hoje um vocábulo cuja densidade semântica se tem vindo a exaurir.
De acordo com o que noticia o Diário Económico, uma declaração de um funcionário de uma agência de rating estrangeira motivou um agravamento nos juros pagos pelo Estado português para se financiar no exterior.
O que consumimos todos os dias é importado do estrangeiro. Não somos auto-suficientes.
Já não temos moeda própria: usamos a moeda europeia e, segundo foi noticiado na imprensa há uns dias, parece que, a partir de 2011, o nosso orçamento de estado terá que ser previamente apresentado em Bruxelas, para depois ser aprovado por cá.
Cada vez mais, parece haver uma vontade, por parte dos detentores do poder simbólico, em consagrar uma outra língua, sempre com a argumentação de que isso nos fará mais ricos e mais produtivos: veja-se, a este propósito, e como exemplo alegórico, o tão badalado convite a que todos visitem o ALLGARVE.
O que nos resta?
A bandeira, o hino, a cultura, o povo.
Quanto ao povo, não tenho a certeza se os que habitam fora de Portugal são mais do que os que habitam por cá ou se são o mesmo número. Por que razão será que tantos sentem necessidade de sair da sua terra?
Estou plenamente convencido que Portugal é uma palavra que é utilizada de forma recorrente em determinadas ocasiões, digamos, quando dá jeito. É uma palavra que ainda "vende", particularmente em tempo de eleições ou quando é necessário pedir sacríficios, agora eufemisticamente denominados de responsabilidades.
Bom, se o motivo que me levou a escrever foi o centenário da República, então: Viva a República!!!

29.6.10

Dos papagaios e da selva que começa a despontar...

A propósito de uma certa onda que, acriticamente, parece começar a ganhar algum ímpeto - veiculando ou, em rigor, procurando vender a ideia de que só com a redução dos salários é que as contas públicas poderão ser recuperadas - , deixo-vos um curioso artigo de opinião de Paul Krugman, publicado no jornal brasileiro Estadão.
Num dos blogues que leio, com regularidade, já me insurgi contra esta ideia e volto a fazê-lo, explicando porquê: com o nível de endividamento com que as populações se encontram qualquer redução salarial, para além de injusta e demagógica, acarretará, com toda a probabilidade, o descalabro financeiro de muitos. É que há contas para pagar e empréstimos para amortizar. Ora, não recebendo ou recebendo menos, o consumo vai reduzir-se e se ainda for possível pagar as contas as coisas ainda não são críticas. Se não for possível, o crédito mal-parado vai aumentar exponencialmente, com consequências imprevisíveis a nível económico e a nível social.
Um dos argumentos habitualmente utilizados é o de que a redução da massa salarial faria reduzir o preço dos produtos. Se esse argumento é, para já não verificável - na Grécia, a redução da massa salarial fez aumentar o preço dos bens transaccionáveis (a inflação já vai nos 4%) - , a perspectiva de uma deflação seria catastrófica. É que todos conhecemos bem o que sucedeu no Japão, esse "tigre asiático" e modelo, durante tantos anos, para Portugal... A redução contínua do preço dos bens transaccionáveis teve/tem como consequência que as famílias, ao invés de consumirem, tenham vindo a adiar as suas aquisições, gerando, com essa decisão (na esperança de comprar o produto cada vez mais barato), um aumento das falências e do desemprego.
Esta é a razão pela qual fico sempre profundamente perturbado quando vejo a facilidade com que certas criaturas facilmente aderem e propagam certas ideias profundamente abaladoras do nosso agir colectivo.
Há 20 anos atrás, um então estudante de Economia e Gestão confidenciava-me que a nossa situação económica só melhoraria se se adoptassem, na contratação colectiva, as mesmas regras que vigoravam no Japão. Intrigado, perguntei-lhe se já alguma vez tinha trabalhado no Japão. Respondeu-me que não, mas que tinha aprendido na instituição onde andava a estudar que o modelo de contratação era óptimo. E passou a explicar-me: são contratados, mas só têm 3 dias de férias por ano: no dia de aniversário e noutros 2 dias que já não consigo recordar (1 seria, possivelmente, no dia da empresa!)
Fiquei boquiaberto perante a falta de inteligência do candidato a gestor que andaria na casa dos 20 anos. E perguntei-lhe: tu aceitarias ser contratatado com essas regras?
Querem saber a resposta?
Pois foi esta: obviamente que não! Isto é para ser aplicado aos trabalhadores da minha empresa! Da empresa que eu vou gerir!
Pois é, perante uma cabecinha desta - e às vezes acho que alguns dos que andam por aí a vender certas ideias poderão ter sido este estudante - já não tenho mais nada a acrescentar.

23.5.10

Das técnicas de venda agressivas à satisfação do consumidor

Recentemente, tenho sido brindado com chamadas telefónicas a toda a hora, ora é a Rita não sei o quê, o Tiago, a Ivone qualquer coisa, o Filipe, a Francisca, a Bárbara, o Bruno, enfim, uma panóplia de supostos sujeitos, que me ligam questionando-me acerca da minha satisfação com os serviços da PT (Portugal Telecom), ora para responder a uma breve inquérito, ora para me anunciar que, agora, eu já posso fazer chamadas grátis e ficar a pagar a módica quantia de 59 euros mensais, mas que é um óptimo serviço, um presente que eu só posso agradecer com muita reverência e aplausos. Porque agora a minha velocidade vai aumentar, porque agora é o serviço fibra, e passados quatro minutos, liga a fulaninha a vender o serviço Meo, e não sei quantos canais e que eu tenho que aceitar, porque um cliente bom como eu só tem mesmo é que agradecer aos céus poder beneficiar de uma tal campanha, e um minuto depois, é a vez do sicrano vir apregoar os benefícios do serviço Sapo fibra 100 MB, porque este é que possui a velocidade ideal para as minhas necessidades!!!! E, às vezes, tocam o fixo e o móvel em simultâneo e é uma alegria, a toda a hora. Se alguém ler isto e tiver alguma responsabilidade nessa empresa, peço-lhe que, por favor, não me voltem a contactar para me vender rigorosamente mais nada. Porque eu não vou adquirir serviço nenhum. Eu não quero nada. Eu só quero paz. Não vale a pena insistir. A insistência só vai provocar uma coisa: a consciência da necessidade imperiosa de rescindir, o mais rapidamente possível, qualquer tipo de vínculo contratual com essa empresa.

19.2.10

Quem te avisa, teu amigo é!

Porque este mundo está cada vez mais curioso, o humor é a solução.

12.2.10

Ai Eça de Queirós, da razão que tu sempre tiveste!

Regressei ontem do estrangeiro e vim encontrar um país decadente e à beira de tocar o fundo.
Curioso é que o único canal televisivo em língua portuguesa - a RTP Internacional - me brindou com muita música e pouca informação relativamente aos grandes assuntos que parecem estar a agitar o país.
Curioso também é que a CNN clamava na 3ª feira que a Grécia, a não ser que conseguisse uma ajuda de emergência dos parceiros europeus (a coisa era apresentada através de um empréstimo ou de um avanço de fundos do BCE), estaria em bancarrota nas próximas 48 horas.
Curioso este país onde nasci e onde vivo.
Não vou naturalmente comentar nem sequer falar do fundo do poço, porque ainda lá não chegamos, mas, atendendo à eficácia do país de 1º mundo que somos, em particular naquilo que respeita ao funcionamento da justiça, da educação, da ética e da responsabilidade de todos os actores, temo bem que o nosso futuro seja mesmo o de ouvir música e de nos alegrarmos muitíssimo com as cantigas que passarão a ressoar no nosso imaginário colectivo.

15.1.10

Mário Mendes bateu a 120 quilómetros/hora mas acidente não será investigado pelo MP

A informação é do Jornal Público.
Perante situações destas, nem me apetece comentar.
Todavia, sou de opinião que, a bem de um esclarecimento cabal acerca do mundo em que vivemos e para evitar mal entendidos presentes e futuros, o legislador deveria tornar lei as situações de excepção que a lei obriga a todos os cidadãos. Ficaríamos todos muito mais descansados.
Ah, e outra coisinha: seria de todo importante que todas as viaturas, que constituíssem excepção à lei, tivessem uma marca claramente distinguível para que, amanhã, não nos ocorresse cruzarmo-nos com elas.

18.9.09

Atchummmm

Quem apanhar a tão badalada gripe A que se prepare: se for assistido pelos serviços de saúde da Madeira terá que assinar uma declaração que, conforme noticia a imprensa, se destina a ganhar consciência para não contaminar os outros.
É assim, viva a geração dos papéis!!!!!
Ou será que a dita declaração cumpre outro tipo de propósitos?????

12.9.09

É a arte, estúpido!

Cada vez mais este país me deixa estupefacto! Não sei se ria, se chore. A vontade é de dar uma gargalhada estrondosa, para com ela procurar abalar um pouco as mentes empernidas, mas o facto é que, cada vez mais, me sinto muitíssimo bem junto de outros povos, com um horizonte cultural bem mais aberto do que o nosso.
Lendo o jornal Público, deparo-me com uma notícia insólita: o trabalho artístico da designer Catarina Pestana teve que ser retirado da exposição ExperimentaDesign2009 porque continha, imagine-se, um vibrador...
Mas que raio se passa neste país?
Será que continuamos com a mentalidade que, em 1917, obrigou Marcel Duchamp a retirar da Exposição de Artistas Independentes a sua hoje famosa obra de arte, intitulada La Fontaine, e assinada com o pseudónimo R. Mutt?
Censurar as manifestações artísticas? Porquê? Com que autoridade? A que propósito? Cercear a criatividade e a afirmação de outras formas de dizer o mundo? Porquê?
Mas será que ninguém aprendeu nada com as vanguardas artísticas?