14.3.08

Só a mim!

Tenho vindo a convencer-me que, de facto, vivo sob uma maldição qualquer, lançada por uma bruxa ou por um bruxo, sei lá, qualquer um deles terrivelmente malvados…
Passo a explicar as minhas razões para um tal sentimento.
Quando encetei uma viagem ao Portugal profundo – sim, porque, embora eu seja um kapitão de alto mar, por vezes, também tenho que viajar em terra! - , e dadas as minhas más experiências com essas modernices dos aparelhos GPS, fi-lo seguindo estritamente as placas indicativas. Funcionou, sim! Cheguei às portas de uma cidadezinha, situada nas entranhas do Portugal profundo.
Julgava eu que me seria fácil solicitar informações para encontrar o hotel onde iria repousar. Má ideia! Ninguém, a quem inquiri, parecia conhecer esse hotel, quanto mais o nome da rua aonde estava situado. Mas gentilmente, sugeriam-me outros locais potenciais para pernoitar…
Assim, embora a contragosto, lá tive eu que activar o dito GPS: má hora em que o fiz, pois não só não encontrei o hotel, como, quando reparei, já estava prestes a atravessar a fronteira e a começar a conhecer a Espanha profunda! E o maldito do aparelho, com uma voz metálica, lá me continuava a incentivar a seguir a estrada por 66 quilómetros…Definitivamente, esse não era o meu dia! Desisti. Gritei, feito doido, no português vernáculo!!! E não é que, já na fronteira, uma alma caridosa, ouvindo vocábulos da sua língua, da sua tão amada língua, se dirige a mim e me questiona a razão de uma tão elevada concentração de termos tão pouco técnicos?!? Lá me indicou o local exacto do dito hotelzinho e lá consegui chegar para o merecido descanso…
Ainda pensei em ir conhecer as redondezas e registar o momento em interessantes fotos, para mais tarde recordar, mas estava tão cansado e ainda tinha que preparar a reunião que a nossa multinacional ia realizar no dia seguinte que lá tive que ficar fechado no quarto a trabalhar…
No dia seguinte, o dia da reunião com os empresários locais, eu que pensava que tudo já estaria a andar sobre rodas, venho a deparar-me com uma nova situação verdadeiramente insólita: o meu carrito, qual génio muito senhor do seu nariz, recusou-se a activar o alarme e a trancar as portas, para meu grande desespero! Mais, dizia-me com a língua de fora, que eu não era quem julgava ser e que não me reconhecia como dono!... Ainda argumentei que ele era o meu único amor, a paixão da minha vida, mas o tipo começou a ficar irado e a ameaçar disparar a buzina e os sinais de luzes… Eu fiquei siderado… Então não é que aquela coisa parecia ter ganhado vida?!? Não me obedecia e ainda me ameaçava!!!! Fiquei a pensar que ele e a menina do GPS deviam estar feitos um com o outro e que ambos conspiravam para me arrasar!...
E assim foi: lá fui ter com os empresários locais, deixando o carrito, com as portas destrancadas, estacionado no centro da cidade, numa rua bem movimentada.
Já podem imaginar o quão bem me correu a reunião de trabalho…
Bom, para terminar o dia em beleza, estando eu de regresso a minha casa, e tendo necessidade de aparcar o carrito numa garagem alugada, que, por sinal, se encontrava ocupada por um outro carrito, deparo-me com uma situação inusitada: quando liguei a chave da ignição, o carrito estava morto. Nem um rugidozinho, nada, absolutamente nada…. A ***a da bateria tinha ido à vida! Lá tive eu que ligar para a Marta da assistência em viagem, mas, ao contrário do que diz a publicidade, saiu-me um Marto, o qual me ia explicando que a assistência em viagem implica viajar e não ter um carrito parado à porta de casa e que, neste caso, era preferível eu contactar directamente uma oficina minha conhecida…
Agradeci ao Marto, ou lá como é que o mocito se chamava e desliguei.
Consegui deitar-me a dormir pelas 22h30, depois de telefonemas, deslocações, gastos e irritação, q.b.
Pois então, digam-me: não acham que eu transporto comigo mesmo uma maldição?

13.3.08

Esta é a torre do meu castelo, um palácio onde eu poderia ser feliz, se eu conseguisse romper, definitivamente, a maldição lançada pela bruxa malvada...

12.3.08

Quando ausente dos nossos universos de referência e dos espaços que nos habituámos a conhecer e a amar, sabe bem sentir que, mesmo na noite longínqua, há uma Luz, enviada por Osíris, que está connosco e com quem podemos vivenciar a nossa capacidade de sonhar.

10.3.08

Do espírito bovino que, por vezes, nos rodeia

Tenho dado comigo a pensar na qualidade do atendimento que é feito ao público em geral, nos mais variados serviços e não resisto a partilhar com os meus amigos duas pequenas histórias. Ambas se passam num local onde, dada a frequência, é suposto encontrarmos gente educada e minimamente inteligente.
Cenário 1: uma livraria de referência e onde é possível tomar um café ou tomar uma bebida quente enquanto se lê um livro.
Protagonistas: eu, um grande amigo meu que me visita, e uma grandessíssima avantesma que se encontra por detrás do balcão e cuja tarefa de elevado esforço cognitivo consistirá em preparar duas meias de leite e cortar duas fatias de bolo de chocolate.
Responsabilidade da escolha do local: inteiramente minha, sendo que eu estava absolutamente convencido que tinha escolhido um local selecto e aprazível para tomar qualquer coisa e conversar calmamente com um grande amigo.
Eu: - Boa tarde! Pode servir-nos duas meias de leite e…. Olha lá, tu que queres? Eles têm aqui uns bolos caseiros que costumam ser deliciosos!
O meu amigo não me responde.
Nesse momento, olho para a empregada e vejo-a, com um ar trocista, mirando-nos aos dois.
Fiquei estupefacto! Mas quem era aquela criaturazinha para se recusar a efectuar o serviço para que estava habilitada e nos olhar?!? Mas olhar porquê?
Eu já era cliente habitual do local e nunca nada disto se tinha alguma vez passado comigo e o meu amigo, tal como eu, não se assemelhava nada a um skinhead ou a um punk. E se se assemelhasse, que tinha ela com isso? Também nenhum de nós transportava algum tipo de cartaz ou de adereço que suscitasse algum olhar mais demorado…
Pensei então: será que eu vesti o pullover ao contrário? Ou terei alguma máscara na cara? Ou ter-me-á caído qualquer coisa na cabeça (tipo caca de pássaro)? Ou terei algum dito colado nas costas?...
Mirei então a empregadita e perscrutei na minha memória se já a teria conhecido noutros contextos. Mas nada, absolutamente nada. O seu rosto nada me dizia.
O meu amigo comunicou-me que estava a começar a ficar irritadíssimo com a situação.
Inquiri novamente a mulherzita: - Passa-se alguma coisa?
A avantesma, qual esfinge faraónica, esboçou um esgar e nada respondeu.
Pensei: grande v***a! Grande f**** d* p***!
Não é preciso dizer que abandonámos ambos, irritadíssimos, o local e fomos tomar as meias de leite a um local clássico: uma pastelaria no centro da cidade.
Cenário 2: uma outra pastelaria, numa grande cidade deste nosso jardim à beira-mar plantado.
Protagonistas: eu e a menina que, por detrás do balcão, se prepara para me escolher os bolos que eu vou levar para consumir em casa.
Ela: - Quantos bolos vai comprar?
Eu: - Olhe, francamente, não sei. Aí uns 4 ou 5 ou 6 ou mais ainda…
Ela: - Olhe, o senhor tem que se decidir, e tem de saber quantos bolos é que vai comprar!
Eu: - Mas sabe que, como os produtos nesta casa são todos de muita qualidade, eu vou percorrendo o balcão e vou escolhendo…
Ela: - Mas é que o senhor TEM que saber antes de escolher QUANTOS bolos vai comprar!
Ai, que gana que me deu!
Não resisti e decidi largar uma tirada de filósofo:
- Olhe, minha senhora, eu SÓ DECIDO quantos bolos é que vou comprar quanto chega a altura de pagar, quando consulto a carteira e vejo o dinheirinho que lá está. Por isso, faça o favor de ir enchendo a caixa até eu dizer chega!
Ficou boquiaberta uns bons 5 minutos a olhar para mim. Acho que não percebeu exactamente o alcance das minhas palavras.
Depois, lá encheu a caixa e lá me vim embora.
Moral da história: que mal eu fiz para merecer isto? Deve ter sido noutra reencarnação, e agora vou ter este karma ao longo da minha vida…

6.3.08

Os meus tormentos com um aparelho de GPS…

Hoje, embora sobrecarregado de trabalho lá na empresa, decidi ir passar o fim-de-semana fora, para ver se o Sol me abraçava com os seus raios de energia quente e luminosa. Procurei no mapa o nome de uma terra estranha (estejam descansados, não foi o Entroncamento!!!) e um simpático e acolhedor hotelzinho. Registei o nome: Tamengos. Sabem onde é que isso fica? Pois eu também não sei. O meu espírito de navegante, descobridor de aquém e além-mar, levou-me a entrar para dentro do carro e a registar no monitor do GPS esse insólito e inusitado nome. E por incrível que pareça, o aparelho aceitou-o de bom grado. Claro que eu nem me dei ao trabalho de ir verificar num mapa aonde carga de água isso ficaria… Decidi partir à aventura…. E foi assim que o GPS me levou até à porta de um pequeno cemitério de uma localidadezinha chamada Tamengos. Eu nem queria acreditar no que me estava acontecer: e a maquineta, aquela geringonça made in Japan, incessantemente a repetir “Você chegou ao seu destino! Você chegou ao seu destino! Você chegou ao seu destino!” E não é que não havia vivalma nessa localidade. Eu, à procura de um lugar charmoso e simpático para descansar uns dias, em comunhão com Horus e Osíris, e com o carro parado à porta de um cemitério… E o cemitério escancarado, ainda por cima…. Claro que a situação me fez recordar o momento em que numa assembleia de uma junta de freguesia se discutia se se haveria de gastar dinheiro na colocação de um portão no cemitério e se decidiu que não valia a pena, pelas seguintes razões: 1) Os que estavam lá dentro não podiam sair; 2) Os que estavam cá fora não queriam entrar. E o mesmo se passou comigo. Lá desliguei aquela estúpida máquina e, mal avistei o coveiro, inquiri-o delicadamente: - Diga-me amigo, onde fica o hotel charmoso desta localidade? O cavalheiro esboçou um esgar irónico, mas teve a decência de me responder: - É só fazer inversão de marcha, e seguir sempre em frente, passar a primeira e a segunda, virar à esquerda, chegar a uma rotunda, contornar, virar à esquerda e depois à direita e novamente à esquerda, e chegará ao seu destino. Ainda pensei que o magalo estivesse a gozar comigo, mas entre ficar ali e ir dar uma curva, agora já com o GPS desligado, optei pela segunda hipótese. E assim foi, depois de me ter arrependido várias vezes de ter saído para fim-de-semana, e de ter resistido várias vezes em telefonar a um estimado amigo que possui um GPS com mapas actualizados e super eficiente, lá encontrei o hotelzinho de charme.

2.3.08

Apeteceu-me

Não fui desafiado, mas apeteceu-me escrever sobre estas coisas e, quando me apetece, faço-o. Sou assim. São os meus cabelos grisalhos que já me permitem certas liberdades.
Ora bem, aqui vai:
7 coisas que sei fazer bem:
-Ler. Tenho uma casa repleta de milhares de livros. Já não sei o que hei-de fazer a tanto livro. Ainda há coisa de 7 meses enchi 7 caixotes de livros e ofereci-os.
-Ir até ao fim do mundo e mover montanhas, se for necessário, para ajudar alguém que genuinamente necessite.
-Ouvir os Amigos. Estar com eles e aconselhá-los. Acho que possuo uma costela de psicólogo (ou de missionário, não sei bem!)
-Conduzir (embora fique sempre apreensivo quando se trata de usar um GPS!...)
-Ser desconcertante, com muito humor e, às vezes, apelando a alguma visão kaótica do mundo.
-Escrever. Gosto de o fazer, mas tenho muito pouco tempo para estes hobbys.
-Ser insistente, ao ponto de, quem tem confiança, me chamar teimoso.
5 coisas que não sei fazer:
-Cozinhar (mas não passo fome, nem os que estão comigo se sujeitam a um tal tormento!!!)
-Maltratar animais. Perturba-me profundamente o sofrimento alheio (animais incluídos).
-Aturar gente convencida, com a mania que é superior a tudo e a todos, e com falta de chá...
-Falar alemão, russo, sueco, chinês...
-Ser comedido em determinadas situações: se é para fazer algo, então empenho-me a 100%, nunca a 10% ou pela metade.
3 coisas que digo frequentemente:
-Anima-te!
-Feliz Natal!
-(Há outras coisas que digo, mas que o bom senso aconselha a que não se escreva!!!!)
8 Qualidades que aprecio no sexo oposto (ou no mesmo sexo, se for o caso):
-Frontalidade.
-Sinceridade.
-Amor próprio.
-Preocupação com as pessoas.
-Espontaneidade.
-Tolerância.
- Respeito pelos outros.
- Capacidade de sonhar.
Não vou fazer vítimas com esta publicação, até porque não gosto nada de me sentir na obrigação de não quebrar correntes.