6.8.10

6 de Agosto de 1945

Hoje é um dia triste.
Comemora-se mais um aniversário, mas este é de muita má memória.
Fica o link para as imagens, que não merecem comentários: Hiroshima, a cidade e o povo mártires.
É PRECISO NÃO ESQUECER.

17.7.10

Da barbaridade que ainda existe em pleno séc. XXI

Vivemos num país ocidental e democrático, onde somos livres para expressar os nossos pontos de vista e para agir, no respeito pela liberdade dos outros.
Infelizmente, aquilo que consideramos natural e legítimo não o é para muitos povos nos mais diversos locais do mundo.
No Irão, país onde a pena de morte existe para inúmeras situações, uma mulher, entre muitas, foi condenada à morte por lapidação (acto bárbaro que nunca pensei ser possível existir) pelo facto de ter cometido adultério. Este é o mesmo país onde não há muito foram enforcados uma série de jovens sob acusação de serem homossexuais.
(Vi as imagens no Youtube, mas não coloquei o link porque o achei demasiado chocante).
Não tenho palavras, mas, naturalmente, lanço o apelo à indignação colectiva contra tudo isto. E fica também o link para uma petição internacional contra a barbárie!
9 de julho de 2010: Mohammad Mostafavi, advogado de Sakineh Ashtiani, disse à AFP: "ainda não fui informado de qualquer suspensão da sentença. Minha cliente continua na prisão."
Uma mulher iraniana encara a morte após ser torturada por um suposto adultério. Em 2006, Ashtiani foi condenada por ter mantido .relações ilícitas. e recebeu 99 chibatadas. Desde então, esta mulher de 43 anos está na prisão, onde se retratou da confissão feita sob a coerção das chicotadas. Só recentemente é que ela foi levada ao tribunal e recebeu um novo julgamento. De novo ela foi condenada e, desta vez, apesar de já ter sofrido uma punição, foi sentenciada à morte por apedrejamento. Essa prática desumana envolve enrolar firmemente a mulher, da cabeça aos pés, com lençóis brancos, enterrá-la na areia até os ombros e golpeá-la à morte com pedras grandes. Ontem, no final da tarde, o governo do Irã negou a informação de que Ashtiani seria executada por apedrejamento, embora sua sentença de morte ainda possa ser levada a cabo por outro método, provavelmente o enforcamento. Os ativistas dos direitos humanos no Irã, incluindo a Anistia Internacional, duvidam da veracidade dessa declaração e continuam preocupados com o destino de Ashtiani. Não podemos deixar Ashtiani tornar-se mais uma vítima do tratamento aviltante e desumano dispensado às mulheres no Irã, que se tornou uma realidade cotidiana. Faça sua voz ser ouvida e encoraje outras pessoas a fazer o mesmo Tome uma atitude contra a prática do apedrejamento; tome uma atitude contra o abuso de mulheres, assine esta petição.

3.7.10

Portugal e a Europa

Somos portugueses e temos orgulho no nosso país.
Somos europeus e temos orgulho em participar na cidadania europeia.
Não percebemos nem tão pouco compreendemos o delírio que parece ter-se apossado de alguns relativamente a Espanha. Se o caso se resume ao futebol, pronto, vá lá... eles venceram-nos, já percebemos todos isso, mas não é preciso embarcar em discursos delirantes do tipo vamos boicotar tudo o que é castelhano! Para quem adora o futebol, relembro que alguns dos nossos, por sinal, até ganham a sua rica vida em clubes castelhanos! Por isso, já basta de delírio tuga!
Noutros domínios - e falo da questão económica e financeira - só vos digo uma coisa: ainda bem que Castela está aqui à beira e tem recursos. Tenho cá para mim que ainda vai ser a nossa salvação.
Mas para explicitamente clarificar todo este delírio acerca do interesse estratégico português numa companhia estrangeira - sim, o Brasil é uma nação soberana e que já não faz parte do império, independente desde 1822! - , remeto-vos para um interessante post que descobri na blogosfera:
Vias de Facto: Ainda sobre o nacionalismo transnacional tuga

29.6.10

Dos papagaios e da selva que começa a despontar...

A propósito de uma certa onda que, acriticamente, parece começar a ganhar algum ímpeto - veiculando ou, em rigor, procurando vender a ideia de que só com a redução dos salários é que as contas públicas poderão ser recuperadas - , deixo-vos um curioso artigo de opinião de Paul Krugman, publicado no jornal brasileiro Estadão.
Num dos blogues que leio, com regularidade, já me insurgi contra esta ideia e volto a fazê-lo, explicando porquê: com o nível de endividamento com que as populações se encontram qualquer redução salarial, para além de injusta e demagógica, acarretará, com toda a probabilidade, o descalabro financeiro de muitos. É que há contas para pagar e empréstimos para amortizar. Ora, não recebendo ou recebendo menos, o consumo vai reduzir-se e se ainda for possível pagar as contas as coisas ainda não são críticas. Se não for possível, o crédito mal-parado vai aumentar exponencialmente, com consequências imprevisíveis a nível económico e a nível social.
Um dos argumentos habitualmente utilizados é o de que a redução da massa salarial faria reduzir o preço dos produtos. Se esse argumento é, para já não verificável - na Grécia, a redução da massa salarial fez aumentar o preço dos bens transaccionáveis (a inflação já vai nos 4%) - , a perspectiva de uma deflação seria catastrófica. É que todos conhecemos bem o que sucedeu no Japão, esse "tigre asiático" e modelo, durante tantos anos, para Portugal... A redução contínua do preço dos bens transaccionáveis teve/tem como consequência que as famílias, ao invés de consumirem, tenham vindo a adiar as suas aquisições, gerando, com essa decisão (na esperança de comprar o produto cada vez mais barato), um aumento das falências e do desemprego.
Esta é a razão pela qual fico sempre profundamente perturbado quando vejo a facilidade com que certas criaturas facilmente aderem e propagam certas ideias profundamente abaladoras do nosso agir colectivo.
Há 20 anos atrás, um então estudante de Economia e Gestão confidenciava-me que a nossa situação económica só melhoraria se se adoptassem, na contratação colectiva, as mesmas regras que vigoravam no Japão. Intrigado, perguntei-lhe se já alguma vez tinha trabalhado no Japão. Respondeu-me que não, mas que tinha aprendido na instituição onde andava a estudar que o modelo de contratação era óptimo. E passou a explicar-me: são contratados, mas só têm 3 dias de férias por ano: no dia de aniversário e noutros 2 dias que já não consigo recordar (1 seria, possivelmente, no dia da empresa!)
Fiquei boquiaberto perante a falta de inteligência do candidato a gestor que andaria na casa dos 20 anos. E perguntei-lhe: tu aceitarias ser contratatado com essas regras?
Querem saber a resposta?
Pois foi esta: obviamente que não! Isto é para ser aplicado aos trabalhadores da minha empresa! Da empresa que eu vou gerir!
Pois é, perante uma cabecinha desta - e às vezes acho que alguns dos que andam por aí a vender certas ideias poderão ter sido este estudante - já não tenho mais nada a acrescentar.

21.6.10

A caixa de Pandora

A catástrofe ambiental que, neste momento, ocorre nos mares assemelha-se a uma verdadeira caixa de Pandora de proporções ainda não totalmente avaliáveis.
Como será a vida de todos nós num futuro próximo é algo que tenho grandes dificuldades em antever, uma vez que as mais recentes projecções indicam que, caso nada se consiga fazer para travar essa maré negra, dentro de 18 meses, as nossas costas serão, também elas contaminadas.
E não adianta nada pensar que isso é problema dos outros ou que a América está longe. Somos todos cidadãos de uma mesma terra e, da mesma maneira que a falência de um banco nos EUA nos provoca problemas aqui, neste pedaço de terra, também a destruição da vida marinha e da água imprescindível à sobrevivência colectiva nos causará consequências imprevisíveis.
Os homens julgaram-se deuses e agiram como tal.
Agora, à semelhança do episódio bíblico da Torre de Babel, estão desorientados e já não sabem o que fazer.

1.6.10

Ainda sobre a Frota da Liberdade

O artigo, supra citado, vem hoje publicado num jornal australiano, abordando, com lucidez, a problemática do direito à segurança - que Israel e qualquer país civilizado e democrático merece - e os modos de, efectivamente, assegurar essa segurança.
Tenho bons amigos em Israel. Quando me visitaram, vai para 4 anos, o seu pavor chamava-se (e chama-se) Hamas, o grupo terrorista que não reconhece a existência do Estado judaico.
Não são loucos nem tão pouco estão possuídos desta fúria dos dirigentes que, em nome da propaganda, consideram que quem não reverencia o agir das suas elites políticas é terrorista.
Aliás, espanta-me muito que, num país, que tem vivido sempre acossado por numerosas guerras, com toda a facilidade as elites dirigentes rotulem os outros de terroristas e os diabolizem. Claro que compreendemos que tudo isso não passa de uma máquina de propaganda interna. Mas, também em Israel, há gente inteligente e não louca.
Esperemos que o bom senso prevaleça ou, caso contrário, o circo corre o risco de pegar fogo. E isso é algo que ninguém deseja.