24.3.11

Censos 2011

Estou siderado!
A droga da aplicação informática do Instituto Nacional de Estatística está sempre a ir abaixo. Será que foi feita pela mesma empresa responsável pelo suporte informático do cartão do cidadão?

Estou para ver como é que vou conseguir preencher aquela informação toda...

20.3.11

Da última visita do Papa a Portugal

Conversa tida entre o Papa Bento XVI e o Ministro das Finanças, Dr. Teixeira dos Santos, aquando da última visita a Portugal:

Santo Padre: Meu filho, não PEC's mais!

Recebida por email.

8.3.11

Contagem decrescente


A recente vitória dos Homens da Luta no Festival RTP da Canção e a preocupação que alguns comentadores políticos manifestam face a isso pode ser o sinal de alarme de que algo vai muito mal no reino da Dinamarca.

Lendo a opinião de bloggers, comentadores e jornalistas, critica-se muito o facto de a geração que hoje tem 20 anos aspirar a um certo ideal de vida que os pais conseguiram. Argumenta-se que os tempos são outros e que, no quadro de uma economia neo-liberal, cada um deve tratar da sua vida, defendendo-se concomitantemente a necessidade imperiosa da existência de um Estado Social capaz de dar resposta aos mais fracos e desprotegidos. Mas, interessante é reparar, que o grupo da chamada geração à rasca não é incluído neste “lote” dos que devem ser apoiados pelo chamado Estado Social.

Não deixa de me causar estranheza aquilo que está a suceder até porque as aspirações desta geração são tão legítimas como as aspirações dos seus pais. É que todos (repito: TODOS!) fomos educados à luz de um paradigma ideológico que considerava que a marcha da história desembocaria num futuro radioso e muito melhor do que o presente. Recordemos o ideal iluminista da “Liberdade, Igualdade, Fraternidade”, que guiou tantos movimentos revolucionários até hoje! Recordemos o ideal que presidiu ao derrube do Muro de Berlim e ao fim do marxismo-leninismo na esfera da então União das Repúblicas Socialistas Soviéticas! Recordemos a crença exacerbada pelo Sr. Bush e seus acólitos na chamada economia de mercado!

Claro que, entretanto, aconteceu o 11 de Setembro e a partir de 2008 o mundo entrou numa crise profunda de consequências ainda não totalmente determináveis...

Ora, é neste contexto sociológico e politico-ideológico – um contexto que os filósofos Gilles Lipovetsky e Jean Serroy designam como o de uma “Geração Desorientada” – que fenómenos de intervenção cívica como os Homens da Luta ou de intervenção social como a Geração à Rasca têm lugar.

Custa-me a crer que gente com responsabilidade política ora desvalorize a situação – segundo alguns trata-se de uns grupelhos de contestatários ligados a organizações políticas situadas no extremo do espectro político – ora a considere um mero fenómeno de práticas carnavalescas, e, nesse sentido, responda negando a realidade do tsunami que cresce a cada hora que passa. Sim, porque, como me confidenciava há dois anos atrás, um colega que muito respeito e que, na ocasião, tinha importante responsabilidade política e social, o caldeirão está quase a estourar. E quando estourar estourará de facto! Esta geração que hoje se assume como parva e que se considera bastarda de um país que a não respeita é, de facto, uma geração composta pelos mais altos quadros: são jovens com elevadas qualificações académicas (mestrado e doutoramento), com um adequado conhecimento do mundo e acesso a redes sociais, e que, terminados os seus cursos, se vêem lançados ora num call center (a ganhar 250 euros por mês!) ora numa caixa de hipermercado (não sei quanto será a remuneração!) ora condenados a viver em casa dos pais ad eternum... Uma geração sem futuro ou com um futuro muito muito longínquo...

As pessoas com responsabilidade e, em particular, os senhores políticos deveriam olhar, com muita atenção, para esta situação e alcançar uma resposta consentânea. É que negar aos que têm hoje 20 anos a possibilidade de serem os actores do desenvolvimento colectivo do mundo que arquitectamos para daqui a 10 ou a 20 anos significa tão somente criar as condições para que situações muito pouco desejáveis possam vir a ocorrer por cá. E uma vez o circo ardendo não haverá água suficiente para apagar o fogo.

26.2.11

Este é o país que temos...

Segundo noticiam os jornais, uma ambulância do INEM que assistia uma idosa com sintomas de enfarte foi mandada retirar porque o carro de sua excelência o ministro tinha que passar....

E depois ainda há quem se indigne pelo facto de se morrer em Portugal e só se ser descoberto nove anos depois...

Uma pergunta: porque razão o canal pago com dinheiros públicos nos dá a toda hora tanta música e tanta animação? Visto do exterior, até parece que somos um país de gente muito feliz e muito animada...

(Tenho um amigo que me diz que sempre que ouve estes programas de variedades se lembra sempre do triste e trágico episódio do Titanic: enquanto o navio afundava, a orquestra continuava a tocar...)

Entretanto tudo indica que a bancarrota chega dentro em breve. Ou isso ou o FMI, que certos políticos tanto têm diabolizado... vai ser lindo vai.... ainda estamos para ver como é que vão descalçar a bota depois de tanto terem acusado os malditos especuladores de estarem a destruir o país e a soberania...

(Do chamado Estado Social, já nem falamos, tantas têm sido as escolas, hospitais e maternidades encerradas, os centros de saúde fechados, a redução dos apoios aos idosos e aos mais desfavorecidos, os cortes nos vencimentos dos funcionários da administração pública e das empresas estatais, a redução das pensões de reforma, o corte nos apoios ao transporte de doentes para os hospitais, o fim das comparticipações na maior parte dos medicamentos, a ideia de vir a impor um imposto para pagamento da saúde, etc, etc, etc....)

Os salários pornográficos e escandalosos dos senhores gestores das empresas estatais, com prejuízos avultadíssimos, esses, como seria de esperar, neste país de treta em que vivemos, são intocáveis, pois claro, assim é que é! Já dizia a minha avozinha, que Deus a tenha, que quem parte e reparte, fica com a melhor parte! Enfim, já nem apetece comentar pois tudo parece estar profundamente inquinado....

Devemos confessar que aquilo que nos divertiu mais nos últimos dias foi a afirmação do senhor Procurador Geral da República - homem muito bem informado e com um extensíssimo poder - que existiriam escutas ilegais em Portugal, orquestradas por entidades do Estado!!!! 

Já há tempos falámos aqui do circo que estava prestes a chegar à cidade. Parece que já cá chegou. Pelo menos a acreditar nas palavras do senhor embaixador norte-americano, que o jornal Expresso hoje noticia, parece que isto é, de fato, uma grande alegria...., mas, pelo menos, somos um país pequenino, mas de gente orgulhosa...

Parece que para a semana haverá desenvolvimentos. E dia 12 - já deverá ser conhecido, por essa altura, o pedido formal de resgate ou, para sermos mais sérios, já terá sido, por essa altura, imposto o plano de resgate (talvez eufemisticamente apelidado de plano de crescimento sustentado ou outra coisa qualquer porque o importante é manter tudo e todos na ilusão) - a nossa geração à rasca prepara o seu dia da raiva... a ver vamos se a manifestação, convocada pelo Facebook, não é liminarmente classificada como fruto de grupos similares aqueles que o senhor coronel Kadaffi considerou como estando na origem da revolução em curso na Líbia...



13.1.11

7/01/11

Ouço, neste momento, António Carlos Jobim e reflicto sobre esse brutal e chocante assassinato de que foi alvo o jornalista Carlos Castro. Confesso que os detalhes sórdidos com que a comunicação social nos presenteou e o contexto em que tal ocorreu - numa viagem à cidade da sua vida, acompanhado por aquele que ele julgava ser o homem da sua vida, num espaço onde não faltava nada, num quarto de um hotel de 5 estrelas no centro do mundo, com vista para o céu - me chocaram profundamente. E o choque advém também da traição terrível e sem perdão que foi cometida. Matar, tirar a vida a alguém que depositava nessa pessoa toda a confiança é algo que a minha inteligência não consegue compreender. Que razão poderia, alguma vez, ser invocada para justificar um tão hediondo acto?

Quando se ama, deposita-se na pessoa amada toda a confiança. Sabe-se que ela estará sempre disponível para nos proteger e para dar a vida em nossa defesa.

Ainda agora, passados quase 7 dias, não consigo compreender.
Quando tive conhecimento do sucedido, achei que haveria ali a assinatura de algo muito sórdido. Algo muito obscuro, algo subterraneamente conspirativo.
Cheguei a colocar a hipótese de alguém - exterior aos dois - ter cometido o assassinato e, por via de uma chantagem ou de uma ameaça de morte terrível, ter "convencido" o rapaz a confessar-se culpado.

Reconheço porém que esta hipótese minha é profundamente delirante.
Hoje, tal brutalidade é "explicada" à luz de um exorcismo que o assassino quereria efectuar no sujeito com que se relacionou. Tratar-se-ia de, possuído pelo desejo homossexual - e também atraído por ele - , liquidar esse desejo, assassinando o sujeito com quem se relacionara afectivamente e sexualmente.

Continuo sem entender nada. 

O assassino parece ser um psicopata, um doente perigoso. 

Se o "pecado" o traumatizou assim tanto, deveria ter procurado ajuda junto de quem o poderia redimir dessa culpa: um conselheiro espiritual, um amigo, um profissional da saúde, enfim, um ser humano que é capaz de entender o outro e ajudá-lo nas suas necessidades e anseios.


Continuo sem perceber o que leva um rapaz de 21 anos a destruir a própria vida e a destruir a vida dos que o rodeiam, tanto mais que nos dizem que ele era ambicioso.

Sinto uma dor profunda pelas irmãs do Carlos e pelos seus amigos. 
Sinto uma dor profunda pelos pais do rapaz.


Sinto uma dor profunda pelo Carlos e por aquilo que lhe sucedeu. E principalmente porque, com toda a certeza, ele teve consciência, embora já não pudesse fazer nada para impedir tal situação, que o ser mais importante da sua vida o destruiu. Essa foi - creio - a sua maior dor.



29.12.10

Hashtag #ensitel: 56 tweets nas últimas 2 horas

A propósito do alarido que se gerou nas redes sociais acerca do abuso de uma empresa de venda de produtos de telecomunicações sobre os direitos do cliente, não deixem de ler este magnífico texto!

PS: não refiro o nome da referida empresa pois, como é sobejamente sabido, parece que quem se atreve a referir-se em termos menos elogiosos à referida empresa leva logo com um processo para responder em tribunal e, quiçá, muitas dores de cabeça. E, naturalmente, fica sob vigilância dos nossos guardiões da moral e dos bons costumes públicos.

Mas que isto me deixa irritado, lá isso deixa!
É que, por aquilo que vou vendo por outras terras, só por cá é que certas empresas se acham senhoras e donas deste mundo e dos outros e acham sempre que ao cliente só lhe deve restar pagar e calar, sempre!