30.1.08

Caros leitores,
Estou absolutamente deliciado.
Tenho a minha caixa de correio inundada por mensagens com títulos sugestivos emanados de uma qualquer entidade sobrenatural que decidiu confortar-me nesta hora de trabalho intenso e sofredor. Dado o subject anunciado, nem sequer me atrevo a ler as mensagens, mas acredito que talvez sejam provenientes da A. , da B. ou da C.. Porém, como a duas delas já não lhes ponho a vista em cima vai para 9 anos – foi no século passado que me iniciei no abc do amor, limito-me a aqui, perante os amigos cibernéticos, e enquanto as coisas não mudam de figurino, a abrir-vos o meu coração.
Os assuntos incluem, com insistência e sistematicidade, aspectos tão variados e empolgantes como os seguintes:
Re:
The mood for Love
Sending you my love
Destiny
Memoires of you
Where have you been?
Welcome bonus
Hear her scream your name in passion
Your wife/girl will screaMMM!!! Claim your 7-inches
Do wild things with your big – e aqui não escrevo o vocábulo do texto, porque tenho vergonha!
Venture to become a super-lover in 2008
Comunique de forma eficaz
What are you up to?

27.1.08

How open minded are you?

You Are 84% Open Minded
You are so open minded that your brain may have fallen out! Well, not really. But you may be confused on where you stand. You don't have a judgmental bone in your body, and you're very accepting. You enjoy the best of every life philosophy, even if you sometimes contradict yourself.

Ontem e hoje: o A do Amor

Hoje cruzei-me com a A.
Tinha acabado de estacionar um Mazda 3 cor de rosa. Saiu do carro e cruzámo-nos, ombro com ombro. Estranhei que mantivesse os mesmos gostos cromáticos, passados já tantos anos. Continuava elegante, bonita, e terrivelmente apetitosa. Esbocei um sorriso, mas ela passou por mim como se eu não existisse ou me tivesse metamorfoseado no Homem Invisível.
Parei e fiquei estupefacto. Eu sou agora um desconhecido, que não merece sequer um sorriso ou um bom dia. Mas que falta de humanidade!
Imediatamente tratei de puxar a manga do casaco para a frente, para evitar que ela visse o meu Rolex de ouro e afastei-me cuidadosamente. Depois da paixão tórrida que nós vivêramos e do desenlace abrupto com que a relação terminara, agradeci ao meu anjo da guarda a reacção da A. e compreendi que Deus escreve direito por linhas tortas. Ainda bem que a A. não teve para comigo a reacção da menina dos iogurtes ou a insistência da ave canora. Francamente, não me apetece regressar a mais do mesmo, até porque, como já confessei ao Hydra-Friend, vou partir para um novo alfabeto.
Mas, e estas são já palavras do sujeito que escreve através da personagem Kapitão Kaus, houve algo naquele comportamento da A. que me desagradou profundamente: a facilidade e a leviandade com que se estilhaçam relações pessoais. A minha relação com a A. não resultou, é verdade, talvez porque os interesses de um e de outro não fossem compagináveis, mas daí a ignorar-me e a deixar de me falar é algo que me incomoda. Sim, porque me pergunto: o que é que eu lhe fiz de mal? Sempre a respeitei e, na medida do possível, tentei proporcionar-lhe os contentamentos a que ela aspirava. Não ter continuado com ela retirou-me a marca da humanidade? Ao ponto de não merecer sequer um cumprimento?
Decididamente, ou emigro para terras longínquas ou vou aprender grego, ou mandarim, ou japonês.

20.1.08

Continuar e fortalecer os elos...

A nossa querida Amiga Olá atribuiu-nos um prémio muito simpático, considerando-nos o seu amigo sensível.
Aqui fica o nosso muito obrigado por este presente do tamanho do mundo, porque um Amigo vale mais do que o Universo todo. Com um Amigo não há dificuldades, medos, ansiedades, mas só alegrias e bem-estar. Porque Amigo é aquele que nos dá a mão e, se for preciso, a roupa e tudo o que tem para que nós regressemos à sã camaradagem e ao são convívio. Amigos são todos Vós!
Assim, e porque é expectável que o kapitão não interrompa esta corrente, o administrador deste blogue decidiu oferecer este prémio aos seguintes Amigos:
F Jorge - o Amigo com uma verdadeira Sabedoria de Vida
Hydra - o Amigo com mais humor da blogosfera
Kokas - o Amigo que tem uns podcasts excelentes
Lisa - a Amiga, do coração, literalmente falando
Mika - a Amiga sempre cheia de humor
Will - o Amigo que aprecia um bom vinho tinto e a Vida

ABC do Amor...

Não sei se é por influência do ar quente que sopra do Dakar, que, infelizmente, não teve lugar, se é das fases da Lua, mas a verdade é que detectei, numa série de blogues, várias personagens a manifestarem comportamentos de desejo de acasalamento. Ora, dado que o vosso kapitão, mesmo sendo uma personagem de banda desenhada, é alguém que lê e acompanha o caos do mundo contemporâneo, decidi compartilhar convosco parte da minha vida:

Domingo à tarde. Dia calmo, solarengo. Não se vê vivalma. Tudo encerrado. Só se ouve a água nos chafarizes públicos. Até os pássaros se escapuliram para outras paragens.

Vasculho no meu baú. Olha, uma carta da A.! Pena ela não estar datada. Mas, com um pequeno esforço de memória, recordo tudo, como se fosse hoje.

Foi no século passado. Eu, um miúdo, acabado de concluir a faculdade. Acho que ainda nem emprego tinha. Vivia em casa dos meus pais. E a A., deslumbrante, wild, viciosa. E esta carta na qual ela me desejava... feliz aniversário.

Foi um período avassalador, arrebatador, intenso, perigoso, tanto que eu, louco como estava, acabei por convencer o meu pai a ser meu fiador para adquirir um Lancia Y, cor-de-rosa, que ofereci à A., envolvido num grande laçarote rosa-choque. Foi o máximo! Fui promovido à categoria de super-herói!

Como as coisas iam evoluindo, a A. quis, para presente de noivado, um flat, à beira-mar, no Rio de Janeiro, em frente a Ipanema. Decidi abrir o jogo. Não chegámos a visitar a casa. Fiquei a pagar as prestações do crédito (do carro) durante não sei quantos meses....

Fiquei perdido. Jurei que não mais me aproximaria de ninguém cuja letra primeira fosse um A., de A., por exemplo.

Foi nessa altura que conheci a B. Delicada, doce, e profundamente atraente. Só tinha um problema: queria, à viva força, viajar, pelo mundo inteiro. Interessavam-lhe cidades e países começadas por B: Buenos Aires, Barcelona, Birmânia, Brasil, Bora-Bora... E eu... estava de tanga, ainda a pagar os custos da minha última loucura. Tive a infelicidade de me mostrar transparente e sem cheta... e perdi-a.

Entretanto, os manos, observando e acompanhando a situação, lá me ofereceram um carro. Mas veio, desde logo, equipado com um GPS, topo de gama, para garantir que eu nunca mais me perderia...

Apaixonei-me, então, perdidamente pela C. A C. vivia aqui ao lado, e era una chica, muy caliente, con mucho salero... Foram meses de paixão arrebatadora, excessiva mesmo, em que os movimentos de rotação da Terra e outros fenómenos cósmicos foram abalados pela energia da avassaladora nossa relação.

Tudo terminou no dia em que, sem avisar, decidi ir ter com ela a sua casa, situada na calle del Encantamiento. Estranhei que o GPS, topo de gama, me repetisse insistentemente "dentro de 100 metros, por favor, faça inversão de marcha!" Pensei: "estes gadgets japoneses não servem mesmo para nada!"

Fiquei siderado com o que vi. Ela ainda me gritou, a plenos pulmões, Kapital, mas eu amo-te, só a ti! Isto não passa de um mero divertimento, para que eu esteja mais predisposta ao amor quando tu chegasses!

E assim foi, ainda no século passado, o meu ABC do amor...

17.1.08

Precisa de melhorar os seus rendimentos? Faça um crédito e beneficie de um desconto de 5%....

Estava o vosso estimado personagem, muito entretido a trabalhar online, lendo e escrevinhando relatórios de análise para a sua empresa - porque o vosso kapitão, mesmo depois da hora de expediente, continua a trabalhar - , quando é surpreendido por um toque:
Cluac, Cluac, Cluac!
Calma, chegou uma mensagem de correio electrónico! Deve ser algo de urgente, visto que foi recebida pelo servidor electrónico da empresa!
?Hola!
Hola??? Hmm, que é isto? Será da sucursal de Madrid? Ou da de Barcelona?
"Nuestras encuestas demostraron que el 41% de la gente de su edad..."
Uiii! Já me estão a controlar os movimentos! Será que eles instalaram uma câmara web, sem que eu tenha dado conta, e agora enviam-me mensagens acerca da minha idade?!???
"...no estan satisfechas de sus ingresos y tienen ganas de aumentarlos. Por eso quisieramos proponerle la posibilidad de trabajar con nosotros a media jornada. Para ganar 157-484 EUR a la semana, tendra que gastar 4-5 horas a la semana."
Ohhhjhhhhhhh! E o vosso kapitão bocejou: só me querem pagar esta miséria???? Por semana???? Bolas, vou perder rendimentos!!!
Bom, o texto continuava neste estilo agressivo e vejam lá que aquilo que, de facto, se queria não era melhorar as condições de vida da classe trabalhadora, mas, tão somente, convencerem o pobre incauto a fazer um crédito para adquirir uma viatura. É que se aceitasse trabalhar para essa "organização" poderia beneficiar de um desconto de 5% na compra do automóvel!!!!!
"Tiene que tener un telefono de contacto (preferentemente un movil), un ordenador y e-mail. Si lee estas lineas, significa que tiene todo lo necesario para el trabajo. La reclutacion continuara hasta el fin del mes. De momento, tenemos 39 vacancias en su pais. Tendra que procesar los pagos de nuestros clientes. Es un trabajo facil que exige atencion y exactitud.. Proporcionaremos soporte y todo lo necesario para el trabajo. No se necesitan inversiones. ?Quienes somos? Somos un enorme intermediario internacional de coches. Si decide hacerse nuestro colaborador, recibira como prima suplementaria el 5% de rebaja sobre la compra de un automovil con nosotros y ayuda, si es necesario, en la tramitacion del credito del coche.
Estaremos encantados de proporcionarle personalmente la informacion complementaria.
No utilizamos programas automaticos de contestacion.
Leemos cada email y contestamos por escrito.
Para agilizar la respuesta, por favor, escribeme a la direccion: XXxxxxxxxx"
Com oferta destas, não se admirem que eu tenha adoptado, com todo o gosto, o nome de Kapitão Kaus! É o CAOS, sim senhor!

16.1.08

Meditações…

As personagens, ainda que sejam, ostensivamente, construções ficcionais é suposto manifestarem uma série de emoções e de comportamentos. Vem esta reflexão a propósito de algo que se está, de momento, a passar com a personagem que dá pelo nome de Kapitão Kaus. A blokoalite, qual vírus de elevada patogenicidade, alastrou e, à personagem Kapitão Kaus, causou-lhe efeitos adversos ainda não rigorosamente descritos na bula. De facto, a notícia de que a sua Lisa se encontrava doente, associada a um contacto verbal mais próximo com outra personagem deste mundo, fez com que o nosso herói se tenha finalmente apercebido de muitas das motivações que levaram John Searle a afirmar que falar é agir, na senda de John Austin que dizia que as palavras servem para fazer coisas. É verdade, a nossa personagem começou a sentir falta dos amigos que, embora visualmente desconhecidos, com ele interagiam à distância de um clique. E aí começou a meditar acerca das pontes, das janelas, dos vasos comunicantes e imagens afins. Hoje, enquanto conduzia de regresso à sua empresa – perdão, à empresa onde ganha o pão, porque o nosso herói é apenas Kapitão, a bem dizer não é nada disso, foi a Lisa que, tal como Adão, no paraíso, assim o designou - , ouviu, pela rádio, que um aparatoso acidente interrompeu a A1, nas proximidades de Lisboa, e essa notícia, igual a tantas outras, causou-lhe um aperto no coração. Sim, porque o nosso herói, apesar de personagem de banda desenhada, possui um coração! Imaginou o que seria o seu mundo sem os novos amigos e esse pensamento deixou-o profundamente melancólico.