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Em Julho de 1989, alguns meses antes da queda do muro de Berlim e do fim da União Soviética, tive a oportunidade de conhecer uma pessoa especial e verdadeiramente importante para mim. Foi um conhecimento até certo ponto imprevisto, mas marcante, pois, para além dos
souvenirs, que continuo a guardar com afecto, mantivemos uma longa e estimulante conversação. Mas os tempos eram outros. E os anos foram passando... e hoje, que é feito dessa pessoa? Da cumplicidade natural que nos aproximou? Da troca de olhares e de afectos que parecia querer cimentar, para todos os milénios vindouros, as nossas vidas?
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A actual São Petersburgo chamava-se, na altura, Leninegrado e era a cidade onde essa pessoa especial, que me encheu o coração de alegria e de contentamento, vivia. Hoje, continua lá a viver e por isso quando o amigo
João referiu que poucas pessoas sabiam falar português nessa bela cidade eu discordei. Pensava, em concreto, nessa pessoa especial que passara um mês cá, em Portugal, e de quem eu me despedi, com muita saudade, já há tantos anos.
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Dir-me-ão: mas a que propósito é que o nosso kapitão se põe agora a filosofar sobre pessoas, que nós nunca vimos e cuja existência nunca foi mencionada, e de lugares que já não existem, num tempo que, se calhar, ainda não era o nosso ou era ainda o da nossa infância ou adolescência?
Pois a resposta está exactamente na necessidade de aprendermos com os erros do passado e não os repetirmos no presente.
No verão de 1989, o vosso kapitão julgou poder experimentar um sonho na companhia de alguém especial, mas não o prosseguiu. Era a distância. Eram os custos. Era o medo dos compromissos para toda a vida. Era o medo de falhar. Era o medo de não conseguir garantir a felicidade. Era... enfim, já não sei, se calhar a juventude exuberante.
Hoje, o vosso kapitão está mais experiente - os mais jovens dirão que ele está mais velho (e, certamente, isso é também verdade) - e tem algumas pessoas que são verdadeiramente importantes na sua vida. São pessoas que ele foi conhecendo e cujos laços foi fortalecendo ao longo do tempo. São pessoas de que ele não pode conceber a não existência. De facto, a Amizade que o une a elas, ao contrário do que sucedeu no verão exuberante e exótico de 1989, constitui o granito fundamental para toda a sua vida presente e futura.