9.1.08
Encontre o amor aqui
Por acaso, alguém me esclarece porque razão, quando envio e recebo mensagens, a partir da caixa do GMail, estou constantemente a ser assediado com publicidade parva do tipo "Encontre o amor aqui", seguido do respectivo link?
Nem me atrevi a ir ver o que seria, pois não compreendo como poderão estas coisas funcionar estando eu deste lado e o écran do outro. Será que a ideia é eu passar a relacionar-me com a máquina? Mas ela não é nada atraente... é antiquada, custa-lhe a arrancar, nunca chega a aquecer, quando a coisa começa a ficar emocionante até tem por hábito exibir uma mensagem dizendo que o sistema reiniciará dentro de momentos.... Será este o futuro?!???
6.1.08
Pequena História do Grande Terramoto (II): a história do Príncipe-Gato
Era uma vez um príncipe, filho de um rei poderosíssimo, que governava com mão-de-ferro um reino maior que a Europa do Atlântico aos Urais, que tinha o dom de transformar tudo aquilo em que tocava em ouro. Este feito ocorria quando o Sol brilhava com intensidade. Nessas ocasiões, o príncipe tinha que ter muito cuidado aonde colocava as mãos, pois qualquer descuido podia ser fatal. Foi assim que um dia transformou uma princesa que com ele conversava numa estátua de ouro. Por esta razão, o príncipe era uma pessoa muito infeliz. Mas tanto o rei como os súbditos consideravam o príncipe como alguém muito especial, até porque já não raras vezes lhes tinha resolvido uma série de problemas: sempre que o sol brilhava e havia alguma necessidade que o ouro pudesse resolver, aí estava o príncipe com as mãos na massa.
À noite, o príncipe saia sorrateiramente do palácio e caminhava sobre os telhados. Tinha outros companheiros que já o esperavam e se sorriam ao vê-lo chegar. O príncipe, com olhos de gato, mirava-os enternecido. Então visitavam os lugares mais recônditos da sua cidade e das cidades vizinhas, desciam aonde os homens normalmente não vão, empoleiravam-se sobre os telhados olhando a Lua e as Estrelas, partilhavam a música e a poesia que só eles conheciam.
Uma noite, alguém avistou sobre um dos telhados de uma casa fronteira ao palácio do rei 7 gatos pretos. Tal facto foi amplamente comentado e percebeu-se finalmente a origem de um mal que vinha assolando o reino já há muito tempo: a peste negra que nem todo o ouro disponibilizado pelo rei conseguia erradicar. Desde essa noite, o povo desse reino passou a perseguir e a matar, com uma violência inusitada, todos os gatos pretos que fossem avistados. Comentava-se que eram, sem dúvida, os tentáculos do Maligno porque quanto mais se matavam, maior parecia ser o seu número. Estavam por todo o lado, inclusivamente dentro das casas. Um édito real ordenou que fossem liquidados não só os gatos pretos, como também qualquer gato, porquanto potencialmente atentador do statu quo vigente.
Com o correr dos tempos, o Sol foi perdendo o seu brilho. Aliás, agora eram muitos os dias de frio e de chuva, que, às vezes, se prolongavam por semanas inteiras. Por essa razão, o príncipe já não conseguia proporcionar ao seu pai todo o ouro de que ele necessitava para erradicar o grande mal que afectava o reino. Livre da maldição, o príncipe podia agora conversar com as princesas do seu reino, sem receio de as condenar a uma prisão atroz e perpétua. Mas o príncipe sentia-se cada vez mais infeliz.
Ora, um dia, o príncipe recebeu a visita de uma águia que lhe disse que poderia reencontrar a felicidade se conseguisse quebrar o feitiço que a bruxa lhe tinha imposto: teria, para o efeito, que ser capaz de afirmar, sem receio, o seu amor por alguém. O coração do príncipe encheu-se de esperança, mas, rapidamente, uma lágrima de tristeza assomou ao seu rosto: mostrar o amor por alguém implicava apaixonar-se e assumir publicamente essa paixão. Ele bem se recordava do castigo que a bruxa lhe impusera: como não me amas, como não reconheces o meu amor, ficarás condenado a nunca conseguires ser feliz!
O príncipe consultou então os astros, o Sol, a Lua e as Estrelas, mas também o Tempo e o Coração dos homens. Então, por acordo comum, o Sol se obscureceu e deu lugar às Trevas. E o príncipe-gato surgiu aos olhos de todos na varanda do palácio real. Com voz forte e potente, gritou: Sempre fui um Gato e um Homem, profundamente apaixonado pela Vida e é, com ela, e através dela, que quero viver! O Sol recomeçou a brilhar e o príncipe-gato tocou o Tempo e o Coração dos Homens. A maldição do feitiço tinha sido, finalmente, anulada.
Desde esse dia, nunca mais se ouviu falar, nesse reino ou em qualquer outro da região, na peste negra e todos os gatos, assim como os outros animais, vivem num são convívio com os homens. O príncipe e a Vida, esses, vivem, desde essa época o seu romance de amor e, pelo que sei, ainda não deixaram de ser felizes.
2.1.08
Que modelo de desenvolvimento económico desejamos ter?
O petróleo está, neste momento, a 100 USD o barril. A perspectiva é que irá aumentar.
O estado social parece estar em desarticulação, com sucessivos estímulos à privatização dos serviços: a ideia é reduzir os custos com o pessoal e as remunerações. É um dos objectivos das chamadas reformas estruturais da economia portuguesa.
Parece-nos, pois, chegado o momento de ser efectuado um amplo debate e um referendo acerca do modelo de desenvolvimento económico que desejamos para o país. Esta é uma iniciativa que terá que ser promovida e suscitada pela sociedade civil, uma vez que o aparelho político e partidário resistirá sempre a encetar e a alimentar tal debate. De facto, a partir daí será o fim das ilusões em que temos vivido, independentemente das opções ideológicas que quisermos assumir.
Com efeito, o futuro, com o actual nível de impostos, implicará, mais cedo ou mais tarde, o surgimento de um estado política e economicamente alicerçado numa filosofia de acção neoliberal, muito próxima do modelo norte-americano. Colectivamente queremos esse modelo? Os que têm a minha idade nunca o experimentaram, mas tal de modo algum significa que ele não seja o modelo de desenvolvimento económico e humano óptimo. Parece-me é que esse debate deve ser feito, com seriedade e responsabilidade.
Porque ou os impostos aumentam (há países na UE em que a carga de impostos corresponde a 60% do rendimento bruto!), e aí é possível manter e alimentar o estado social, ou os impostos se mantêm (e eventualmente diminuem), mas o estado social será reduzido ao mínimo (é a filosofia do utilizador-pagador e afins)...
Governo do Quênia fala em "genocídio": mortos chegam a 300
A notícia é 1ª página em muitos jornais e agências noticiosas.
Não é suposto a União Europeia, e Portugal em concreto, encetar todos os esforços diplomáticos para resolver ou tentar pacificar a situação?
É que, ainda há umas semanas atrás, realizou-se em Lisboa, com pompa e circunstância, uma importante cimeira consagrada ao desenvolvimento económico e humano da África e, na altura, os líderes mundiais consideraram o acontecimento da mais elevada relevância...
1.1.08
Ainda sobre o nosso desenvolvimento cultural...
A entrada em vigor da nova lei que proíbe o consumo de tabaco em locais públicos fechados parece-me uma excelente ideia e uma medida corajosa e acertada.
Fiquei estarrecido com algumas respostas de fumadores a questões colocadas pelos jornalistas, na véspera da entrada em vigor da nova lei:
"Sim, vou continuar a fumar e considero uma descriminação não o poder continuar a fazer à mesa do restaurante!"
Pois é, está provado cientificamente que o tabaco mata e o povo continua na sua teimosia cega, prejudicando-se (é um direito individual, dirão alguns!), e, mais do que isso, prejudicando, com o seu egoismo, os outros, que têm que respirar o mesmo ar...
Parece-me que estas opiniões insensatas não estão muito longe da falta de civismo que se nota em muitos dos condutores portugueses, ou da falta de respeito mínimo com que muitos se tratam nos mais variados espaços.
Dirão alguns: é a especificidade do povo português!
Espero bem que seja um fenómeno passageiro e que o país MUDE e se desenvolva culturalmente, pois é, por aí, que a mudança das mentalidades (e toda a aceitação do outro que não tem que ser necessariamente igual a mim) pode ter lugar!
Um Bom Ano para todos!
Para que precisamos de um canal público de televisão?
O programa da passagem de ano de 2007-2008 foi absolutamente fascinante nos vários canais televisivos de sinal aberto.
Os canais privados brindaram-nos com concursos televisivos nos quais tivemos de aguentar um conjunto de aprendizes de cantores de 4ª categoria, com muita canção de gosto duvidoso. O que foi salvando a noite foi a possibilidade de ir fazendo zapping. Mas a pérola ficou reservada para o canal estatal: se a aposta na equipa do Gato Fedorento prometia alguma acção, a opção por um remake do reveillon de 1984-85 (?!???), com piadas desgastadas e tótós, deixa-nos um grande desconforto. Parece que, definitivamente, batemos no fundo!
(Salvou-se a RTP 2, com um filme, que deixou de lado a própria noção da passagem).
Se os canais televisivos podem ser considerados uma boa caixa de ressonância do estado de um país e do nível do seu desenvolvimento cultural, o novo ano só mostra que há ainda um longo caminho a percorrer...
E a questão coloca-se: para que precisamos de um canal público de televisão que é igual, no pior sentido, à concorrência privada?
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