11.11.09

Palavra do dia

Recuperando um post aqui colocado há tempos pelo meu Amigo Hydra, hoje lembrei-me de pesquisar o dicionário Priberam da Língua Portuguesa e eis que me deparo com a seguinte palavra do dia:
mamata
(mamar + -ata)
s. f.
1. Empresa ou administração pública em que políticos e funcionários protegidos auferem lucros ilícitos.
2. Exploração ou lucro que resulta de suborno ou tráfico de influências. = comilagem, ladroagem
3. Pop. Negociata, roubo.
4. Emprego lucrativo sem grande esforço. = conezia, mama, sinecura, teta, tribuneca, veniaga
5. Ganho ou coisa pouco lícita. = expediente, marosca
6. Propina.
7. Comezaina.
Fiquei a pensar o porquê esta selecção e deste destaque...

7.11.09

Acabei de ler A Perfect Waiter, de Alain Claude Sulzer. Emocionei-me.
Gostei da história pela sua simplicidade, mas também pelo contexto em que ocorre. No fundo, é a história de um empregado de mesa de um hotel suíço, que vive uma vida insignificante e monótona, mas que se apaixona perdidamente e que, mesmo traído, continuará a amar com paixão e intensidade. Esta é, porém, uma história com um final triste. Ernest jamais recuperará Jakob, precisamente porque o sentimento de um não era entendido como tal pelo outro.
Todavia é uma história muitíssimo bem escrita, que se lê com voracidade e que joga com planos temporais distintos: os anos 30, nas vésperas da II Guerra Mundial, e 30 anos mais tarde, a percepção madura (e, em larga medida, saudosa) desse grande amor.
O que retirei dessa narrativa e que me tocou mais: a necessidade de, em tempo útil, aprender a comunicar as emoções e a dizê-las explicitamente.
Uma boa sugestão para os presentes de Natal que se aproximam!

18.10.09

Bloggers contra a pobreza

Manifestamos que:

1. A pobreza e a exclusão social não são uma fatalidade, mas antes o resultado de um mundo injusto e desigual e não se resolvem apenas com sobras ou gestos de generosidade esporádica. As causas da pobreza e da exclusão social só podem ser eliminadas modificando os factores económicos, sociais e culturais que geram e perpetuam as condições favoráveis a elas. A pobreza é um atentado aos Direitos Humanos, que deve ser erradicada em todos os países;

2. A campanha Pobreza Zero luta contra as causas estruturais determinantes da pobreza e da exclusão social, e desafia as instituições e os processos que perpetuam a pobreza e a desigualdade no mundo. Trabalhamos pela defesa dos direitos humanos, pela equidade de género e pela justiça social;

3. O mundo em que vivemos é um mundo de abundância e nunca como hoje foi tão possível erradicar a pobreza – nunca houve tantos recursos financeiros e tecnológicos disponíveis que permitam erradicar para sempre a pobreza extrema do nosso planeta. Deve também reconhecer-se que a pobreza em Portugal, tal como a nível mundial, não é devida à falta de recursos. O problema reside no facto de a pobreza continuar a ser vista como uma questão periférica, pretensamente resolúvel por políticas e medidas periféricas e residuais;

4. Na nossa acção queremos pressionar os governos para que erradiquem a pobreza, diminuam drasticamente as desigualdades e alcancem os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio.

Pedimos:

* Prestação pública de contas, governação justa e o respeito pelos direitos humanos;
* Justiça no comércio global;
* Aumento substancial na quantidade e na qualidade de ajuda (0,7% do RNB até 2015) e no financiamento para o desenvolvimento;
* O cancelamento de dívidas dos países mais pobres e de rendimento médio;
* A tomada de medidas politicas que visem a mitigação das alterações climáticas, de forma a que os países poluidores paguem os danos causados no meio ambiente;
* O apoio internacional à concretização de medidas de adaptação às alterações climáticas, nos países e comunidades mais vulneráveis, com recursos adicionais aos da ajuda pública ao desenvolvimento;
* O fim dos bloqueios culturais e comportamentais que a pobreza persistente gera nos pobres, comprometendo a sua capacidade de vencer a situação e de utilizar os meios postos ao seu dispor;
* Integrar, nas diferentes políticas públicas, objectivos, estratégias e instrumentos que visem a remoção das causas estruturais da pobreza e da exclusão;
* Promover a mudança de mentalidade dos não-pobres, superando preconceitos acerca da pobreza e suas causas e estimulando comportamentos mais solidários;
* Que a equidade de género seja reconhecida como elemento central na erradicação da pobreza.

Por isso agimos, mobilizando a sociedade civil, para que, unida nesta luta, pressione o governo português e as instituições poderosas para que:

» Incluam nas suas agendas o objectivo da erradicação da pobreza no mais curto período de tempo;

» Adoptem níveis salariais, pensões e prestações sociais mínimas que não fiquem aquém do limiar da pobreza e aumentem a eficácia e eficiência das transferências sociais e demais políticas sociais;

» Reduzam drasticamente as emissões de gases de efeito de estufa e proporcionem recursos adicionais (para além dos 0,7% do RNB) para o apoio a países em desenvolvimento;

» Acabem com os conflitos armados, ocupações, guerras e as violações sistemáticas dos direitos humanos que as acompanham, e trabalhem com vista à desmilitarização de modo a assegurar a paz e a segurança humana;

» Todos os governos prestem contas aos seus povos e tenham transparência no uso dos recursos públicos, desenvolvam estratégias anti-corrupção pró-activas e consistentes com as convenções internacionais;

» Protejam jurídica, física, social e economicamente os direitos das crianças, incluindo as crianças afectadas por conflitos e/ou catástrofes e carentes de acesso a serviços públicos de qualidade;

» Garantam o direito à informação e à liberdade de expressão, incluindo a liberdade de imprensa e de livre associação;

» Assegurem a participação da sociedade civil nos processos de orçamentação;

» Assegurem serviços públicos universais e de qualidade para todos (saúde, educação – incluindo a alfabetização de adultos – água e outros);

» Promovam regras de comércio internacional e políticas nacionais de comércio que assegurem modos de vida sustentáveis, os direitos das mulheres, crianças e povos indígenas, conduzindo à erradicação da pobreza;

» Garantam um aumento substancial na qualidade e na quantidade de recursos necessários para a erradicação da pobreza, a promoção da justiça social, a realização dos ODM, a equidade de género e a garantia dos direitos das crianças e dos jovens;

» Revertam a fuga de capitais dos países pobres para os países ricos, identifiquem e repatriem os activos roubados, por meio de acções contra paraísos fiscais, instituições financeiras, multinacionais e outros actores que facilitem esse processo.

Pretendemos mobilizar o máximo de pessoas possível, de modo a mostrar o poder da sociedade civil unida na luta por uma causa global e solidária. É preciso pôr um fim à pobreza. Juntos somos capazes de acabar com a pobreza!

Junta-te a nós!

Levanta-te durante o tempo desta música que agora toca e passa a palavra!

Quem aderir a esta iniciativa de propagar/bloggar esta mensagem, por favor informar a Ka para que a contagem dos bloggers contra a pobreza seja contabilizada.

13.10.09

Ai mulher louca, mulher louca...

Sempre tive o maior respeito pelos visitantes de outras culturas e de outras línguas. Sempre tive o maior respeito pelos que partilham a nossa cultura e a nossa língua.
Porém, espantei-me profundamente com este video e com a parvoíce e falta de tino que ele exibe, tanto mais que a senhora que nele aparece protagonizando afirmações inusitadas e comentários infelizes é / foi alguém relativamente conhecido dos écrans portugueses.
Cá na minha terra, estas situações recebem um alto e sonoro vocábulo em vernáculo que faria corar (e muito) a dita senhora. Como facilmente compreenderão, não o vou fazer.
Direi apenas que me entristece muito (e acredito que entristeça também muito os nossos compatriotas e amigos brasileiros) ver esta louca a proferir estas insanidades!

3.10.09

Gostei! E muito!!!

Gostei muito de ver as montanhas, que se materializavam a cada momento no horizonte imenso que era nosso. Gostei de observar os campos verdes e as casas que sinalizavam a vida nesses lugares imensos do velho continente.
Gostei muito das delícias d'aquém e d'além mar que saboreamos na nossa viagem de descoberta do mundo.
Gostei. Simplesmente gostei. E muito! Muito mesmo!!!
Não gostei da sinalética de certos caminhos que, fazendo-me olhá-la como obra de arte, me interrogava acerca de tudo e me distraía da sua mais elementar função.
Não gostei de uma louca que nos acompanhou sempre e cuja voz nos fazia tremer e nos calava, a nós, capitães do mar e da terra, conquistadores, descobridores valentes e heróicos!
Não gostei de uma besta que encontrámos e que só sabia falar a sua língua e que se recusava a entender a linguagem humana.
De resto, foi tudo perfeito!
Temos que repetir esta circunavegação, agora por outras rotas e com outras bandeiras! Mas sempre com a mesma Alegria e Emoção a encher-nos o coração!
:)

18.9.09

Atchummmm

Quem apanhar a tão badalada gripe A que se prepare: se for assistido pelos serviços de saúde da Madeira terá que assinar uma declaração que, conforme noticia a imprensa, se destina a ganhar consciência para não contaminar os outros.
É assim, viva a geração dos papéis!!!!!
Ou será que a dita declaração cumpre outro tipo de propósitos?????

12.9.09

É a arte, estúpido!

Cada vez mais este país me deixa estupefacto! Não sei se ria, se chore. A vontade é de dar uma gargalhada estrondosa, para com ela procurar abalar um pouco as mentes empernidas, mas o facto é que, cada vez mais, me sinto muitíssimo bem junto de outros povos, com um horizonte cultural bem mais aberto do que o nosso.
Lendo o jornal Público, deparo-me com uma notícia insólita: o trabalho artístico da designer Catarina Pestana teve que ser retirado da exposição ExperimentaDesign2009 porque continha, imagine-se, um vibrador...
Mas que raio se passa neste país?
Será que continuamos com a mentalidade que, em 1917, obrigou Marcel Duchamp a retirar da Exposição de Artistas Independentes a sua hoje famosa obra de arte, intitulada La Fontaine, e assinada com o pseudónimo R. Mutt?
Censurar as manifestações artísticas? Porquê? Com que autoridade? A que propósito? Cercear a criatividade e a afirmação de outras formas de dizer o mundo? Porquê?
Mas será que ninguém aprendeu nada com as vanguardas artísticas?