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28.12.07

Balanço do ano de 2007

É comum, no final dos anos civis, tecerem-se considerações e desejarem-se, com um optimismo mais ou menos crível, muitos e valorosos empreendimentos para o novo ano que começa. Essa é, com efeito, a atitude politicamente correcta. A bem dizer, todos temos o desiderato que o novo ano seja melhor que o ano que agora está a findar, mas ou o caos reduz de intensidade ou o poder do capital descapitaliza com veemência ou temo que o novo ano venha a afastar cada vez mais a criatura do seu Criador. Sei que esta afirmação se presta a equívocos, mas não vou explicitar muito mais do que agora afirmo. Os meus leitores, de quadrantes e tendências plurais, merecem-me este respeito. Procedamos, pois, à atribuição dos galardões relativos ao ano que agora finda: Galardão Nome mais piroso dos últimos tempos atribuído ao novíssimo produto de consumo da marca phone-ix da companhia CTT. Galardão O que tu queres sei eu atribuído aos ditadores da América Latina, da Ásia, da África e de outras regiões do planeta Terra. Galardão Liberdade e respeito pelos direitos cívicos dos cidadãos atribuído aos lideres que emergiram no pós-11 de Setembro e para os que os sustentam e apoiam. Galardão Second Life atribuído a todos os líderes mundiais especializados em criar e acreditar que a política se faz em ambientes virtuais e longe da realidade do povo que governam. Este ano é tudo. No próximo, se obtivermos um alto patrocínio e se o mundo ainda continuar a ser um espaço minimamente habitável onde a crítica construtiva possa ter lugar, cá estaremos para mais uma grandiosa cerimónia de atribuição dos óscares deste nosso kaos. E essa terá direito a transmissão worldwide. -

A senhora Benazir Bhutto foi assassinada

No admirável e inusitado mundo em que vivemos, por acaso, alguém tivera alguma dúvida que este era o destino mais do que previsível da senhora Bhutto? Exilada e autorizada a regressar para participar nas eleições presidenciais, alvo de um atentado mortífero, coagida na campanha eleitoral, pode agora a sua morte ser particularmente útil dado que plenamente confirmadora da necessidade de repressão dos direitos cívicos e da liberdade do povo paquistanês. Tinha razão o senhor Musharraf quando impôs a lei marcial e justificou a sua presença no poder para combater o terrorismo. Qual será o resultado das eleições do próximo dia 8 de Janeiro? Alguém tem dúvidas? A capacidade nuclear do país assim como a sua localização geo-estratégica são demasiado importantes para se andar a brincar às eleiçõezinhas.

26.12.07

Pequeno livro do grande terramoto: a história da árvore torta

Era uma vez um gato maltês, cagou-te nas barbas e não soube o que fez.
Não, não é é este o começo da minha história!
Ora, vamos lá:
Era uma vez uma árvore que nasceu torta. Era uma árvore grande e frondosa, aonde os pássaros gostavam de repousar as suas asas, mas que, por ignota determinação cósmica, prosseguia outra direcção que não aquela colectivamente definida. O Sol e a Lua conversavam frequentemente com ela, tal como a Manhã e o Tempo, mas a princesa do reino não gostava nada dela. Observava-a sempre à distância e dizia que lhe causava náuseas só de a olhar. Os homens sábios acompanhavam a opinião da princesa e argumentavam que a árvore poderia ser prenúncio de males demoníacos a abraçarem o reino, num futuro não muito distante.
A princesa pediu ao pai para mandar derrubar a árvore.
Chegaram então os lenhadores com as suas serras e machados, prontos a transformar esse objecto em algo de útil: a madeira poderia ser aproveitada para aquecer os lares nas noites frias de inverno e o seu espaço, uma vez libertado dessa praga, poderia permitir plantar flores e árvores, essas sim geometricamente ideais e adequadamente prependiculares relativamente ao chão.
Cravaram os seus machados no tronco da sequóia, mas a árvore não se mexeu. Mandaram vir mais lenhadores com outros machados, mas a árvore continuava a olhar o céu. Abraçaram-na e tentaram abaná-la com a força dos seus músculos, mas a árvore permanecia incólume. Lançaram-lhe pedras, algumas de grande porte, insultaram-na com palavras duras e pontiagudas, cuspiram-lhe, mas a árvore continuava a sê-lo. Tentaram então pôr a descoberto as suas raízes, para a asfixiarem, mas elas pareciam ir muito mais fundo que o buraco mais fundo do reino e atravessar todo o planeta até ao outro lado do mundo.
Então, um rapazinho, que ia a passar, comentou que achava a árvore muita bonita e agradável e que era uma pena derrubá-la, ainda mais porque se localizava numa colina onde era hábito reunir-se com outros meninos e outras meninas para, dando as mãos, comungarem todos os sonhos da esperança. Um homem idoso recordou as suas memórias passadas e acenou afirmativamente com a cabeça.
O geógrafo do Rei mandou vir os instrumentos de observação, as bússolas, os microscópios, as lentes, as lupas, os bisturis, o guarda-chuva e a mesa de operações e efectuou cálculos inusitados. Concluiu então que a árvore fazia um ângulo recto relativamente ao chão em que, por ignota determinação cósmica, tinha nascido, e que só era percebida como torta porque o terreno possuia uma leve inclinação.
A princesa olhou e reparou nesse quadro e, desde então, passou a considerá-lo o mais belo dos que fazem parte da sua colecção privada de obras-primas e, secretamente, povoam as paredes do seu quarto.
Assim termina a história da árvore torta.

25.12.07

Hoje é dia de Natal!

Compreender o Natal implica olhá-lo e analisá-lo em, pelo menos, duas perspectivas diferentes: a dos não crentes e a dos crentes. Para os não crentes, o dia de Natal pode ser entendido como um dia qualquer, sem nenhum tipo de significado especial, a não ser o de ser feriado e o de andar, frequentemente, associado, pelo menos nas sociedades ocidentais e capitalistas, a um forte consumismo. Todavia, ao ser considerado feriado, tal significa que a sociedade lhe reconhece algum tipo de importância, nem que seja simbólica... Mas, olhemos para esse acontecimento, com objectividade, e recuperemos o seu contexto histórico: há 2007 anos, num país ocupado pelas tropas romanas, e no contexto de uma migração forçada, uma senhora, com reduzidos recursos, dá à luz um filho, em condições miseráveis. É visitada pelos pobres e por aqueles que não têm poder. Mais tarde recebe a visita de uns reis que vinham de longe e seguiam uma estrela. A criança é filha de um carpinteiro e, nessa perspectiva, profundamente afastada dos bens materiais e simbólicos a que as classes detentoras do poder tinham acesso. Este filho vem a liderar uma revolta, sem precedentes, contra as tropas da ocupação, e lidera essa revolta com base na palavra e no apelo ao amor pelos outros, recusando a violência. Todos sabemos, pela história, como terminou essa revolta: a crucificação, uma forma de morte horrível e reservada para os crimes mais hediondos. Qual foi o crime? Até hoje, a história não o demonstrou a não ser o de veementemente ter lutado contra um certo statu quo instituído (o dos líderes religiosos, económicos e políticos da época). Para os crentes, esse acontecimento foi bastante mais importante e profundo: a criança revelou-se filha de Deus. Ao contrário das religiões politeístas da antiguidade, este é um Deus próximo que envia o seu Filho para junto dos homens, que permite que eles O conheçam e que com Ele convivam. Liderando a revolta contra a opressão, Jesus prega a tolerância, o respeito pelo outro, a não violência e algo que me parece particularmente interessante: o perdão, isto é, a possibilidade de, arrependendo-se dos seus actos, o homem poder regressar ao convívio são com os seus irmãos. A sua morte torna-se, mais uma vez, exemplo da vitória da Vida: a ressurreição mostra-o vivo em cada homem e agindo em qualquer contexto. Comemorar o Natal, numa perspectiva cristã, é, para mim, recordar este acto inaugural da história da humanidade e a possibilidade, atribuída a cada homem e a cada mulher, de mudança de um mundo que, para muitos, infelizmente, é ainda vivido como profundamente opressivo. Bom Natal a todos, crentes e não crentes!

24.12.07

A todos um bom natal!

Desejamos a todos os leitores ou simples visitantes deste espaço um Bom Natal e um Ano de 2008 mais solidário e fraterno, em que as injustiças e as opressões possam ser definitivamente anuladas!

23.12.07

Dos ipods e outras ninharias...

Depois de Nietzsche ter anunciado a "morte de Deus", o século XX viveu ainda preso a muitas ideologias, algumas das quais descambaram numa barbárie incomum. Hoje, nos finais do ano de 2007, as ideologias parecem ter deixado de existir ou, então, terão sido substituídas por uma outra, eivada de algumas variantes: o liberalismo económico, a que frequentemente parece andar associado um certo culto do hedonismo e, paradoxalmente, uma cultura da morte, visível, por exemplo, no terrorismo e suas adjacências...
Mas que tem isto a ver com o título desta crónica, publicada em vésperas de Natal?
Muito simplesmente, me causa, cada vez mais, uma elevada estranheza olhar, com olhos de ver, aquilo que parece estar a passar-se à nossa volta... Nós, os jovens, os homens do futuro, aqueles que os antigos consideram a promessa do que há-de vir, parecemos cada vez mais alienados e alheados do mundo real. Para onde quer que olhemos, com quem quer que nos cruzemos, no comboio, na rua, na sala de aula, no estádio, no trabalho, nas lojas, etc, todos parecemos ter ganho uns estranhos adereços que nos mantêm, como que diria, adormecidos face ao que se passa à nossa volta. Os ipod's, mp3 e afins constituem a nova morfina que nos faz viajar e entrar numa "nice"...
Ideologias, para quê?

11.12.07

Paz também exige justiça econômica, assegura Bento XVI

Agora que a tão propalada cimeira UE-África terminou que tipo de acordos foram alcançados?
Espero bem que, pela Humanidade, tenha sido possível encontrar uma solução diplomática para salvar o Darfur e garantir o efectivo respeito pelos direitos humanos nos dois continentes em causa.
E que, igualmente, tenha sido obtido um acordo acerca do comércio justo e equitativo, de modo a garantir um desenvolvimento sustentado também aos nossos vizinhos do sul. De facto, se um dos problemas com que actualmente se debate o continente europeu é o da emigração, este problema só poderá ser adequadamente resolvido graças a uma distribuição equitativa da riqueza e, neste contexto, todos nós, europeus e africanos, somos responsáveis e devemos ser agentes.
Concordo, por conseguinte, inteiramente com as palavras de Bento XVI quando afirmou que: «É preciso ter em devida conta também a exigência moral de fazer com que a organização econômica não obedeça somente às duras leis do lucro imediato, que se podem revelar desumanas».

Papa lança mobilização global contra comércio de armas

De acordo com os princípios reiteradamente expressos de defesa da vida, o Papa Bento XVI lançou uma mobilização global por uma «eficaz desmilitarização» contra o «funesto comércio» de armas, em particular das armas nucleares.
Parece-nos importante que, no actual contexto de um novo conflito armado entre protagonistas tão poderosos como os que se encontram em clima de guerra quente, esta mobilização entre na ordem do dia. Pois só pela PAZ e pelo reconhecimento da pluralidade de opiniões é que nos será possível sobreviver.
Informação recebida via Zénit.

8.12.07

A sida transmite-se através de uma salada de beterraba?

Esta é a questão colocada por uma crónica assinada por Bárbara Reis, no suplemento Ípsilon, do jornal Público, da passada 6ª feira, dia 7 de Dezembro. Se a questão em si parece risível, foi ela que fundamentou a decisão de despedir um cozinheiro de uma conhecida rede de hóteis.
Esta situação, tratada ao nível da justiça portuguesa, em complemento ao grande circo mediático actualmente instalado na capital, levam-me a perguntar se viveremos num país real ou num país a fingir? É que, pelos montantes envolvidos nesta cimeira UE-África (10 milhões de euros ?!??), pelas excentricidades dos personagens envolvidos (o episódio das tendas e da fauna....), pelo aparato (o bloqueio do trânsito na capital, não numa terrinha de província como aquela que, aparentemente, virá a receber o novo aeroporto; a segurança dos 3000 polícias mobilizados...), pelas benesses e mordomias (o banquete, na sala do trono! para 200 convidados....), pela atitude do politicamente correcto (a recepção, com honras de estado, dos senhores da guerra e de mais meia dúzia de tiranetes, tudo muito bem comportadinho, como é preciso e necessário, sem a presença de nenhum gato preto à mistura), tudo isto me leva a pensar que estamos perante uma produção digna de Hollywood ou, hipótese ainda mais crível, vivemos, de facto, no melhor dos mundos possíveis. Claro que os interesses económicos são mais fortes que esses meros pormenores técnicos dos direitos humanos e o país tem muito a ganhar, cultural, linguística e economicamente com esta cimeira. E se não ganharmos nada, não faz mal, tá-se bem, fica, pelo menos, a referência simbólica (porque esta coisa dos símbolos é, para nós, muito importante), tal como já ficou na história a designação do chamado Tratado Reformador de Lisboa...
Já agora, porque razão a comunicação social noticia a existência de uma cimeira paralela, liderada por organizações não governamentais? Para que é necessária uma outra cimeira se o mega-evento já se destina a resolver todos os grandes problemas que afligem as relações União Europeia-África? Será que coexistem, num mesmo espaço, duas realidades diferentes, retomando a metáfora dos filmes da série Matrix?

5.12.07

TASER: a nova forma eficaz de controlar os desordeiros

O portal do jornal francês Libération apresenta um curioso testemunho acerca dos benefícios desta nova arma de dissuasão de potenciais desordeiros, a ser utilizada com indivíduos com comportamentos anti-sociais.
A não perder! Campanha francesa contra a utilização deste tipo de armamento: Campagne NON au Taser

Ministros do Trabalho e Segurança Social chegam a acordo sobre a flexigurança

Notícia do Diário Económico Online: "Os ministros do Trabalho e da Segurança Social dos 27 chegaram hoje a acordo sobre os princípios comuns da flexigurança, no que diz respeito à adaptabilidade nas empresas, permitindo horários flexíveis e adaptados aos fluxos de menor e maior produção.
(...)
Recorde-se que a flexigurança é definida como uma fórmula global de política do mercado de trabalho que combina disposições contratuais flexíveis - facilitando despedimentos - e que permite que os trabalhadores encontrem um novo emprego e sejam apoiados pela segurança social no caso de desemprego.
Deste modo, um dos princípios hoje aprovados estipula que a flexigurança implica a conjugação deliberada de mecanismos contratuais flexíveis e fiáveis, estratégias abrangentes de aprendizagem ao longo da vida, políticas activas e eficazes para o mercado de trabalho, e sistemas de protecção social modernos, adequados e sustentáveis.
A flexigurança tem como objectivo a modernização do mercado laboral e a criação de mais e melhores empregos, intensificando a aplicação da Estratégia de Lisboa para o Crescimento e Emprego."
"Tous les événements sont enchaînés dans le meilleur des mondes possibles." - Voltaire (1759) Candide ou l'optimisme.

A Rússia envia vasos de guerra para o Mediterrâneo

De acordo com notícias divulgadas hoje pelo jornal Guardian, a agora toda poderosa Rússia, saída de um processo eleitoral que atribuiu uma vitória esmagadora ao senhor Putin, acaba de deslocar 11 vasos de guerra para o mar Mediterrâneo.
Estarão os tambores de guerra já a rufar ou será esta uma iniciativa normal e usual num clima de pós-guerra fria?

Estudo conclui que maioria das pessoas desconfia dos sorrisos dos políticos

Porque será que isto sucede, a acreditar na veracidade do estudo científico, divulgado por artigo publicado no jornal Público?

2.12.07

US says it has right to kidnap British citizens

AMERICA has told Britain that it can “kidnap” British citizens if they are wanted for crimes in the United States. A senior lawyer for the American government has told the Court of Appeal in London that kidnapping foreign citizens is permissible under American law because the US Supreme Court has sanctioned it. The admission will alarm the British business community after the case of the so-called NatWest Three, bankers who were extradited to America on fraud charges. More than a dozen other British executives, including senior managers at British Airways and BAE Systems, are under investigation by the US authorities and could face criminal charges in America. Until now it was commonly assumed that US law permitted kidnapping only in the “extraordinary rendition” of terrorist suspects. A notícia é recente e pode significar muita coisa. Para já, valha-nos a consolação que só se aplica a seres das terras de Sua Majestade, e falantes de inglês....

Estudante de Coimbra está tetraplégico

A questão das praxes académicas resume-se numa palavra: BASTA! Integrar os novos alunos na academia é uma coisa, praxar é outra, completamente diferente. Receber os novos alunos, integrá-los na academia, familiarizá-los com os hábitos, os lugares e as tradições é algo que se fará, no máximo, em 3 dias. Ora praxes em que os novos alunos são humilhados, prepotentemente submetidos e violentados NÃO! Não me parece que a questão se resolva com intervenções dos nossos políticos ou dos tribunais. Pode ser um caminho, mas não é a solução. Aquilo que mais me preocupa é, sem dúvida, o sintoma que o fenómeno da praxe evidencia: a imaturidade dos jovens que frequentam o Ensino Superior e o subdesenvolvimento cultural que os caracteriza. É que a maioria acha natural praxar os colegas caloiros e estes acham que é igualmente um acto comum e corrente sujeitarem-se a umas brincadeiras para poderem aceder ao clube.... Parece que as ideologias forram enterradas e esta geração que hoje frequenta o Ensino Superior não mostra ter uma consciência clara daquilo que se passa para além dos espaços dos campi. Estudar línguas ou exercitar outras competências para além daquelas que são oferecidas pelos curricula que estão a frequentar não é, para a imensa maioria, sequer um desafio a considerar. E nem sequer adianta grande coisa tentar argumentar que essas competências poderão ser-lhes úteis quando tentarem ingressar no mercado de trabalho... Mas para as praxes, aí sim, tem que ser, sim senhor, é necessário....

Ainda o caso da professora britância acusada de insutar o Islão

De acordo com as notícias divulgadas, uma multidão reclama a pena de morte para a professora. Crime: ter permitido que a um urso de peluche fosse dado o nome do profeta Maomé, o que, no entender dos manifestantes, constitui uma blasfémia. Comentário: É triste que, numa sociedade globalizada e que se deseja cada vez mais multicultural, ainda haja países em que ocorrem situações desta natureza. E já agora, não passou pela cabeça destes senhores que dar o nome do Profeta a um urso de peluche pode ser sinónimo de lhe atribuir a maior importância ao ponto de o ter, permanentemente, junto dos objectos mais queridos?