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28.12.08

Regressou a chuva

Está frio.
O Natal já passou e dizem que o novo ano estará prestes a começar. Dizem, porque eu ainda não percebi porque razão se festeja o início de um novo ano. Se é para fazer festa, então faça-se todos os dias e não apenas uma vez por ano!
Se calhar a razão pode ter que ver com a economia. Ou com a falta dela. Mas por aí também lá não vamos, porque tudo aponta que 2009 será bem pior do que 2008.
Pois é, regressou a chuva. O Sol já se foi e com ele o quentinho dos dias.
Este ano o Natal ficou marcado por uma série de acontecimentos que materializam a crise ou, se quisermos, a ausência do Sol.
Se o Natal é a festa da alegria e do convívio. convívio houve, mas foi pelos piores motivos. E a alegria, enfim... um funeral no dia 26 de Dezembro não é propriamente o mais interessante para animar a malta. (Foi de um amigo, mais um que se foi).
A nível pessoal, cada vez me sinto mais distante e menos crente nestes momentos. Só comprei um presente de natal que já ofereci. Não recebi nada. Só mensagens de boas festas, que agradeci entusiasmado, naturalmente. E abraços. E amizade. 
A comunicação social brindou-nos, neste final de ano, com declarações insólitas provenientes do Vaticano e já hoje ficámos a saber que parece que caminhamos, a passos largos, para um conflito bélico de proporções graves lá para as bandas do oriente. E o ano ainda não acabou...

24.12.08

Votos de um Santo Natal, com muita Paz, Alegria e Saúde para todos quantos visitam este espaço! 

17.12.08

Para reflectir

"Não é preciso atirar com os sapatos! O simples acto de os descalçar pode funcionar como bomba dissuasora, pior do que o cheiro das chaminés da co-incineração socrática, ou o odor bombástico de qualquer balneário de ginásio da moda no final da aula para tios."
Publicado em Millenium BCP Crime

O planeta visto do espaço

Quem, por estes dias, tivesse vindo de um qualquer planeta alienígeno e tivesse aterrado por cá, no planeta que todos habitamos, ficaria, no mínimo, profundamente perplexo, para não dizer, chocado.
De facto, a uma África crivada pela fome, pelo subdesenvolvimento e pelas guerras, associa-se uma Europa em plena convulsão política e económica: se muitos já não acreditam nos políticos que os governam, a juventude grega, essa, já passou à luta. Da Rússia Imperial, parece não haver grandes notícias, nem tão pouco da China, mas é conhecido que ambos são países governados com mão de ferro.
Mas o insólito mesmo, capaz de deixar qualquer um espantado, vem das terras do Tio Sam: à bancarrota dos chamados créditos tóxicos, associou-se, nos últimos dias, um esquema fraudulento capaz de fazer inveja a muita Dona Branca, cá da zona (será que não continua a haver???), e, para cúmulo daquele circo, de que falávamos há uns tempos atrás, eis que o senhor presidente por pouco não é atingido pelas singelas armas de um perigoso terrorista. Não deixa de merecer reflexão que seja precisamente um jornalista o autor dessa acção e que o alvo tantas vezes tenha negado crédito às informações que vinham sendo veiculadas pela imprensa livre acerca da "guerra de libertação" em que o seu país esta(va) activamente envolvido.
Naturalmente, e com os princípios da globalização tão veementemente apregoados e defendidos, o fenómeno já correu mundo, e agora é um ver se te avias a tentar ganhar mais pontos do que o concorrente já inscrito.
Por isso, eu não tenho quaisquer dúvidas que, caso um ET decida aterrar por cá, achará os terráqueos seres muito bizarros.
Mas eu temo que os fenómenos insólitos ainda não tenham terminado: até ao fim de 2008 ainda faltam perto de duas semanas e os protagonistas envolvidos, pela qualidade do material de que são feitos, garantem-nos, à partida, infelizmente, mais episódios circenses.

9.12.08

1º Aniversário

O actual mês de Dezembro traduz um ano de acção blogosférica.
Este blogue, de natureza ficcional, começou por aspirar a ser um espaço de intervenção cultural e social, mas os impedimentos múltiplos causados por uma vida profissional algo atribulada, a que se associou alguma desmotivação e cansaço, determinou uma mudança na sua orientação editorial. E foi assim que o blogue, mantendo a faceta ficcional, se aproximou muito mais de um registo pessoal e afectivo.
Valeu a pena?
Sim, sem dúvida!
Graças ao blogue, passei a dispor de um espaço para ir comentando aquilo que, em termos pessoais e afectivos, mais me importava ou me dizia alguma coisa. E foram vários os posts nesse sentido.
O blogue, para além da dimensão terapêutica - eu sei que o termo é excessivo, mas quem me conhece pessoalmente, também sabe que a excessividade é uma das minhas facetas mais visíveis (atenção que isto é metafórico!) - também permitiu conhecer pessoas maravilhosas: algumas, que me visitam e me comentam, e que eu só conheço pelos registos escritos; outras, que comentando-me, eu fui conhecendo via msn e/ou via telefone; outras ainda que, visitando este espaço virtual, pude conhecer pessoalmente. 
Devo confessar, e aqui o registo não é ficcional, que todas me surpreenderam pela positiva. Gostei e gosto muito de todas as pessoas que, até ao momento, tive oportunidade de ir conhecendo. Fiz Grandes e Excelentes Amigos! E também Amigas do melhor que há!
A tod@s, bem-hajam!

28.11.08

Dúvida?

O que me aconselham a fazer quando somos sistematicamente perturbados por criaturinhas que, dado não terem absolutamente mais nada que fazer na vida, se entretêm a perguntarem-nos sempre a mesma coisa, todos os dias?
Já ignorei, já accionei respostas automáticas, do género "vá bater a outra porta", já respondi, mas o raio da criatura não desarma. Ou é muito limitada ou é muito chata. Acho que tem um bocado dos dois atributos, porém não sei exactamente a proporção em que é mais rica.
Depois, o facto de se dar muito bem com o poder instituído e ser arrogante, mal-educada e uma grandessíma vaca, não me ajuda em nada.
Mas a maior agravante (ou, se calhar, a minha sorte!) é que zumbe, como um certo bicharoco à volta de certas coisas, quase todos os dias, lá, na empresa. Digo que é a minha sorte, pois não faz parte do meu círculo de amig@s, porque eu, dessas criaturinhas, a única coisa que quero é DISTÂNCIA!
Que acham que devo fazer?
Colocar a foto de um touro enraivecido à porta do escritório, na empresa?
Colocar a foto da Mona Lisa e vestir o fato do homem invisível?
Ignorar a existência da criatura?
Se questionado sobre a não resposta (sucessiva), argumentar com um qualquer vírus que se terá instalado no sistema informático da empresa?
.....?
 

26.11.08

O presente ideal

Aproxima-se a época consumista do Natal e eu, que, em certas coisas, sou muito conservador, decidi solicitar a ajuda dos meus amigos e das minhas amigas para saber qual o presente que cada um gostaria de receber.
Vale pedir tudo o que se quiser.
Não é que eu seja o Santa Klaus, mas, como bem foi assinalado por um Amigo destas lides cibernéticas, o meu nome tem alguma ressonância com essas áreas. Vai daí, gostaria muito de conhecer aquilo que, para cada um de vós, que me visita e lê o que vou escrevinhando, constituiria o presente de Natal que gostariam de receber.
Aguardo as vossas sugestões e ideias.
:)

19.11.08

Quotidianos XI

A viagem correu muito bem. Cheguei a Madrid, bem disposto e, embora não fizesse a mínima ideia do local onde se situava o hotel, tive a grata surpresa de verificar que consegui ficar alojado bem no centro da cidade, com uma estação de metro a uma distância insignificante. E mais: numa rua onde abundam os bares e os restaurantes.
Está frio, mas o colorido e o bem-estar dos madrilenos supera tudo. E a amizade e a gentileza deste povo é excepcional. Estou a adorar a cidade!
E mais, descobri um restaurante, com uma comida soberba que tenho a certeza que tu vais adorar. 
Machu Picchu diz-te alguma coisa?
Pois bem, na Calle Manuela Malasaña (eu sei que o nome, para nós, portugueses, parece possuir algo de estranho, mas que culpa têm as pessoas dos nomes que lhes atribuem? Orelhudo, que é nome de terra portuguesa, também é horrível!...), há um restaurante de comida peruana, que serve uns pratos soberbos. Chama-se El Dorado (Calle Manuela Malasaña, nº 5) e merece a visita. A comida é económica, mas muito bem servida. A fugir para o picante, como eu gosto, mas sem exageros.
Olha, o convite fica endereçado: aqui, em Madrid, quando tiveres um tempo na tua agenda, ou, lá, do outro lado do atlântico, quando tal te for oportuno.

16.11.08

Quotidianos X

Como era domingo solarengo e nada mais havia para fazer, decidiu subir ao alto da montanha para, a partir daí, poder apreciar as vistas, conhecer os habitantes e familiarizar-se com os seus modos de estar.
Levou quase 1 hora a caminhar, por ruas sinuosas. Não quis levar nem GPS (já tinha tido experiências traumatizantes que chegassem!) nem sequer um mapa. Obviamente que não conseguiu encontrar o caminho, mas, seguindo o seu instinto, e com o auxílio de alguém que lhe apareceu na frente, lá encontrou a Igreja do Salvador. Muito bela, muito interessante, mas não fotografou nada. Sentiu-se intimidado pelos habitantes que aí dentro rezavam.
Prosseguiu o caminho. Chegou à Plaza Mayor, local soberbo onde se encontra a catedral. Pelo caminho devorou literalmente todas as lojas e museus com que se foi cruzando.
O mais interessante de todos, não descurando naturalmente a Fundação Antonio Pérez, foi o Museu de Arte Abstracta. Sim senhor, um excelente e acolhedor espaço, que permite compreender até que ponto vai a arte e as manifestações de anti-arte. De uma das suas janelas, tem-se uma vista magnífica, com as varandas todas em madeira, naquilo que os habitantes da localidade designam como Las Casas Colgadas.
Depois da missa na catedral, com coro, pôde visitar gratuitamente uma soberba exposição consagrada ao Santo fundador da catedral, no séc. XII: Sán Julian.
Terminou o dia num restaurante, muito curioso e muito cultural, de que se partilha uma foto, com uma excelente paella seguida de um bistec de ternera a la plancha e de natillas caseras, acompanhadas, naturalmente, de um copo de bom vinho da região. E nesse contexto, sentiu-se verdadeiramente em casa, pois bastou-lhe uma palavra a fugir para a língua mãe para que a empregada se revelasse: 
- Oi, ocê também é brasileiro?
- Não, sou português.
- Ai qu'alegria! Nossa! Quanto tempo qu'eu não falo português!
Como devem compreender, não revelarei aqui, num espaço público, o resto da interessante conversa tida, numa cidade, bem no centro da meseta ibérica, com uma brasileira de gema!
(Foi a minha vingança face à outra senhora, castelhana de gema, que não me compreendeu quando cheguei).

11.11.08

Quotidianos IX

Viajou todo o santo dia. Chegou, já tarde, ao seu destino, mas chegou bem. A noite mostrava uma bela lua cheia e afigurava-se muito promissora para outros contextos. Não que não lhe apetecesse, afinal, todos somos humanos... mas o insólito e a transformação tiveram lugar nessa noite. 
Chegado ao quarto, começou por se descalçar e pôr-se à vontade. E decidiu vestir algo mais confortável. Contudo, por muito que tentasse - ora com a chave, ora recapitulando e reorganizando os dígitos, a sua mala (aquela onde viajava praticamente tudo, desde a roupa interior à gravata que usaria na importante reunião com os empresários da multinacional com quem se viera encontrar) simplesmente recusava-se a abrir. Era uma mala muito senhora de si, muito guardadora de todos os segredos mais inconfessáveis.
Olhou. Encarou-a. Colocou-a noutra posição. Sentou-se, mirando-a. Levantou-se e olhou-a fixamente. Tentou, mas nada. A tampa simplesmente não abria. A filha da **e já não lhe ligava nada. Nem com chave, nem com dígitos. Nada. 
Ali estava ela, imponente e gozando-se do seu kapitão. Seu, salvo seja!
Recordou-se então das aventuras que já vivera com a menina do GPS e veio-lhe uma fúria que o transtornou e o transformou. Agarrou-se a ela e disse-lhe: vais ter que ceder!
(É preciso acrescentar, para evitar alguns desvarios mais estranhos, por parte dos leitores, que o kapitão se socorreu de uma chave de fendas e que, encontrando um espaço mínimo, a cravou e, qual lobisomem enfurecido e enraivecido, ficou vitorioso ao fim de alguns minutos)
Para criar mais ênfase, poderíamos dizer que, nesse momento, o céu se toldou e a lua deixou de brilhar. Os outros hóspedes sentiram um friozinho na espinha e o nosso kapitão... mas não o faremos, pois seria inteiramente falso.
Bom, já com acesso a tudo quanto necessitava, teve, no dia seguinte, ainda antes da reunião com os empresários, que ir adquirir uma nova mala. Aí a vigança dela fez-se notar com particular clareza e o nosso kapitão que, até hoje, sempre disse não acreditar em bruxas, já decidiu reformular as suas crenças: Yo no credo en brujas, pero que las hay, hay!
De facto, após ter entrado e saído de diversos estabelecimentos comerciais, o nosso kapitão encontrou uma jovem senhora que lhe disse textualmente o seguinte: yo soy española, estoy en España y hablo castellaño. A usted no lo comprendo!
E assim têm sido as deambulações do vosso kapitão por este mundo fora...

4.11.08

Novembro e Dezembro sempre foram meses complicados na minha vida.
Desde logo porque Novembro se inicia pelo célebre dia 1º: um momento para recordar e homenagear todos os amigos e familiares que, sendo importantes nas nossas vidas, já não compartilham conosco o mesmo espaço físico. E eu, infelizmente, cada vez vou tendo mais amigos nestas situações...
Acho que é porque a idade vai avançando. Ou talvez não... Recordo que o primeiro amigo que perdi foi quando eu tinha 13 anos. Foi algo de estranho, até porque eu convivia com o Paulo e com as irmãs quase todos os dias. E um dia, todos deixámos de conviver com ele...
E este ano, Novembro está a ser doloroso também por outras ausências.
Novembro é também o mês do meu aniversário. O mês em que, a cada ano que passa, eu faço promessas e acredito (durante umas semanitas) que vou mudar radicalmente toda a minha vida. Este é o mês em que eu mudo o visual e, de certa forma, altero muitas coisas no meu quotidiano.
O ano passado, foi neste mês que eu conheci uma pessoa especial na minha vida e acreditei que tinha encontrado o grande amor. Vãs ideias, como, aliás, já é hábito! (Esta é também uma das razões pelas quais me irei ausentar, dentro de dias, por forma a tentar escapar desta maldição!)
Novembro e Dezembro trazem-nos noites frias e, às vezes, chuvosas. Se as primeiras me fazem recordar as noites de inverno na aldeia, na infância, as segundas fazem-me recordar as noites bem acompanhadas na cidade, na juventude. E tudo isso, na pluralidade e na aparente não compatibilidade dos contextos, me traz uma grande nostalgia.
E Dezembro, o mês dos doces tradicionais de Natal e da azáfama das prendas para quem nos é querido e importante. Lembra-me a minha família. Lembra-me a minha infância. Lembra-me a minha felicidade inocente. Lembra-me o convívio e a alegria. O grupo. Aquele tempo em que, não tendo nenhum de nós consciência do fluir do tempo, erámos senhores omnipotentes dele... 
Bom, depois desta catarse, é tempo de dar um pouco mais de animação a este espaço. Vou viajar e só devo regressar lá para meados do próximo mês. Que destinos é que me aconselham?

Estou chocado com a crueldade dos seres humanos

A notícia acaba de ser divulgada pela Aministia Internacional, pela BBC e pelo jornal O Sol: uma adolescente de 13 anos, vítima de violação, foi apedrejada até à morte, sob acusação de adultério e com uma assistência de 1000 espectadores. Nenhum dos homens que a violou foi preso. 
Não tenho palavras para expressar a minha abjecção e profundo repúdio perante um acto tão bárbaro e cruel.
Apetece-me dizer, retomando as palavras de Machado de Assis, que prefiro a companhia dos animais à companhia dos homens.

31.10.08

31.10.2008
Fonte: Público
O primeiro-ministro, José Sócrates, fez da sua primeira intervenção na Cimeira Ibero-Americana um momento de promoção do computador Magalhães, presente na mesa de trabalho dos 22 chefes de Estado e de Governo. Durante mais de cinco minutos, Sócrates apresentou o Magalhães como sendo «o primeiro grande computador ibero-americano», dizendo mesmo que é «uma espécie de Tintim: para ser usado desde os sete aos 77 anos».
Uma notícia insólita, surpreendente e lunática acaba de ser divulgada: a de que, como resposta à grave recessão que o mundo começa a atravessar, poderia ser uma boa ideia os EUA iniciarem uma guerra com uma grande potência mundial.
Francamente, não me parece que a notícia possa ser creditada como real ou verídica, mas, dado que já aqui referi que o circo tinha descido à cidade - e cada vez me convenço mais de que isso é inteiramente verdade - , esta poderia ser, sem dúvida, mais uma das múltiplas e inusitadas manifestações que encontramos nos espectáculos circenses e que nos cortam a respiração.
Fica o link para quem quiser aprofundar o assunto.
PLANETAS POLITIK: O General e a Costa Rica, tem tudo a ver!

29.10.08

Hoje, no seguimento de uma conversa agradável que tive com um amigo, que muito prezo, dei por mim a pensar acerca do modo de ser dos conterrâneos, com que convivo e interajo todos os dias. E aquilo que pensei não foi muito abonatório.
Passo a explicar.
Olhando em redor, reparo que os conterrâneos padecem de uma doença, que considero muito grave: todos eles, na sua maioria, gostam, sentem prazer em, volta e meia, mandar uns bitaites! Todos se consideram no direito de dar o seu palpite seja a propósito do que for. Para além de linguarudos e profundamente cuscos, às vezes, são deliberadamente mal-educados e ajem como se fossem os arautos da virtude e do puritanismo. 
Obviamente que todos sabemos que aquilo que nos individualiza tem muito que ver com as nossas concepções culturais acerca do mundo. E quando falamos em cultura, estamos igualmente a falar de ideologia. E nós, portugueses, fomos moldados por uma ideologia judaíco-cristã, por uma vivência cultural de um pequeno país, fechado, durante muito tempo, em si e com reduzidos contactos com outras culturas, com outros povos e com outras maneiras de ver e de olhar o mundo. E mesmo com a globalização, muitos de nós continuamos a ser aculturados segundo perspectivas unidimensionais (os mass-media; as telenovelas; o excesso de uma certa cultura ocidental de natureza consumista, etc, etc).
Ora, os conterrâneos têm uma tendência inata para avaliar os comportamentos do semelhante como se de um alien se tratasse, mesmo que o conheçam desde sempre e com ele partilhem a língua, a cultura e outros atributos que o bom-senso recomenda que não sejam explicitados neste espaço. 
Mas porque razão é que os conterrâneos têm tendência para achar que o demónio são os outros? Pelo contrário, e para colocar as coisas neste prato da balança, não seremos todos uns grandes demónios? Ou anjos de uma brancura imaculada? Ou tão somente homens e mulheres feitos à semelhança de Deus? 
É que estas questões, como pertinentemente opinava o meu amigo, prendem-se naturalmente com o conceito de liberdade e com o seu exercício responsável.
Já deixou de chover, mas o clima está bastante mais frio. Já apetece um cobertor e bebericar um chá verde, de vez em quando (para lubrificar as vias respiratórias e evitar apanhar um resfriado). É verdade, estamos no Outono. É uma estação do ano que me causa sempre uma grande nostalgia. Talvez porque, dentro de dias, iremos recordar os que já não estão fisicamente entre nós. Os que já partiram. Os que... partiram, mas de quem eu espero, com saudade, o regresso. Sim, porque, da mesma forma que a chuva cai e desaparece, e dá lugar ao sol, eu também espero que quem, por motivos vários, teve que se ausentar possa regressar novamente. E espero esse regresso ansiosamente.

27.10.08

Aquilo que verdadeiramente me custa é querer e não poder, é desejar e ainda não ter conseguido alcançar, é não estar a conseguir contribuir, de facto, para que o teu sonho se possa realizar. E acredita que isso me custa. Muito.
Porém, acho que devemos acreditar que, mesmo com as nuvens negras como breu que pairam por todo o lado, e de que as mais recentes quedas nas cotações dos índices bolsistas são apenas uma face visível, haverá sempre janelas que permitirão a passagem da luz e a comunicação com o astro Sol.
E nós faremos tudo o que estiver ao nosso alcance e, se for preciso, moveremos montanhas para que o Sol possa brilhar. Ou então reinventaremos o curso das estrelas. E se for necessário um cataclismo cósmico para que a cor regresse à tua paleta, podes crer que assim sucederá.
Porque tu mereces tudo. E tu és muito mais importante do que eu.

26.10.08

IGF - entretem-se a fiscalizar mensagens de e-mail
Sem comentários.
(Não convém comentar, como devem compreender).
Certo dia, um viajante chegou a uma pequena terra, situada no centro do mundo. Era uma localidade com pouco mais de 3 ou 4 centenas de habitantes que possuia um largo, algumas dezenas de casas, um bar, uma fábrica e uma igreja. A terrejola estava longe de tudo e, nesta história, ainda não havia tecnologia, internet ou telemóveis. Era tudo à maneira antiga.
Pois bem, o nosso viajante, que era um ser bastante curioso, quis saber como é que, perdidos num fim de mundo, sem tecnologia, rádio ou tv, os habitantes sabiam a hora correcta em que se encontravam.
Inicialmente, pensou que os mesmos se orientassem pelos movimentos do sol, mas, inquirindo alguns habitantes, rapidamente constatou que a estratégia para a determinação da hora correcta era outra.
Inquirido o padre, o mesmo referiu que olhava para o seu relógio de pulso e, quando o mesmo indicava meio-dia, ele próprio se encarregava de tocar o sino.
- E como tem a certeza que é mesmo meio-dia?
- Ora, é fácil! A essa hora, toca a sirene da fábrica, do outro lado da cidade!
- Humm, está bem visto!
Inquirido o encarregado da fábrica, o mesmo referiu que olhava para o seu relógio de pulso e, quando o mesmo indicava meio-dia, ele próprio se encarregava de accionar a sirene.
- E como tem a certeza que é mesmo meio-dia?
- Ora, é fácil! A essa hora, toca o sino da igreja, do outro lado da cidade!
- Ah...! Pois...
Tenho, cá, para mim, que esta história não está muito longe daquilo que actualmente se está a passar nos mercados financeiros mundiais: quando uns compram, os outros vão atrás; quando uns vendem, os outros replicam o gesto. E todos convencidos que sabem bem o que estão a fazer...

Nós somos os maiores, pá!

O meu amigo Ângelo partilhou connosco uma autêntica pérola sobre as qualidades do nosso heróico e valoroso povo. 
Com capacidades deste calibre, não necessitamos de nenhum Sebastião ou de Magalhães para irmos bem longe e darmos cartas no mundo!... Tenho cá, para mim, que toda esta questão do Outubro Negro e dos sucessivos crashs bolsistas ainda vai ser resolvida por algum dos nossos mais iluminados espíritos!

20.10.08

Quotidianos VIII

Ficou a semana fechado no gabinete de trabalho. Ler, escrever, ler, pesquisar, escrever, reflectir, escrever, ler, pesquisar, procurar, pensar, preocupar-se. Mas que monotonia!
Quando saiu, isto é, quando os outros o olharam, confessaram que o já não conheciam: Estás diferente. Tens não sei o quê... Outr@s acharam-no muito mais charmoso e enigmático. Continua assim! Nunca mudes!
Recebeu algumas mensagens que, apesar de evidenciarem alguma tensão da parte do remetente, o deixaram mais tranquilo. Graças a Deus, continua bem. Oxalá que consiga alcançar tudo o que merece, e merece muito. Merece tudo, TUDO!
No fim de semana, passou o dia a experimentar a alta velocidade em várias auto-estradas do país. Ao início controlou-se e não ultrapassou os limites. Mas, com o adiantar da hora e a necessidade de falar constantemente uma língua que, naturalmente, não era a sua, quando deu por si, já ia nos 150...
Regressou e bem, sem quaisquer percalços.
E continuou a ler, a pesquisar, a ler, a escrever, a pensar, a ler, a reflectir, a imaginar. Mas que monotonia!
  

12.10.08

Chappatte, «Le Temps», vista aqui
Todo este lamentável episódio que o mundo está a viver me convence, cada vez mais, de que alguém andou, durante muito tempo, a aldrabar meio-mundo. Temo, porém, que as aldrabices continuem: ou porque não haverá estrutura mental para aguentar a verdade ou porque, quando a mentira é repetida à exaustão, ela adquire um estatuto de não contestabilidade. E os actores e autores dessas aldrabices, com o treino que possuem, não será agora que irão renegar toda a sua história. A não ser que lhes dê um grande jeito.

11.10.08

O Circo desceu à cidade, definitivamente.
Tenho acompanhado, com alguma proximidade, os recentes desenvolvimentos nos mercados de capitais e, cada vez me convenço mais, que o Circo já chegou e estará prestes a pegar fogo. Provavelmente já está a arder, mas nós ainda não sabemos.
Obviamente que é importante acalmar as populações e evitar, a todo o custo, actos de desespero. Mas, aquilo que é racional, e com o que concordo, não pode deixar de espantar alguém como eu: estamos no meio do caos, decididamente. A tourada já começou. Com força. Lá, do outro lado do mundo. Depois, numa pequenina ilha, que poucos conheceriam. Mas ainda assim, lá, no meio do mar. E o nosso bacalhau não foi afectado. Por isso, o problema ainda não era nosso.
Por estranho que pareça hoje lembrei-me do pavoroso acontecimento da queda das torres do mundialmente famoso World Trade Center, em Nova Iorque, naquele fatídico dia 11 de Setembro. Eram o símbolo do poderio económico dos norte-americanos. Caíram. E a sua queda surpreendeu muita gente. E levou ao desespero. E à guerra. E ao sofrimento. E...
E hoje essas torres simbólicas - atente-se na sua designação - voltaram a ruir. Ou melhor, encontram-se em fase de decomposição e não parece haver andaime ou estrutura que as sustente ou que as mantenha minimamente estáveis.
Parece cruel.
E, pelos vistos, todos serão afectados. Ou alguns desses todos.
Enfim, não sei o que se virá a passar. Sou optimista e quero acreditar que alguém encontrará uma solução. Mas não a vislumbro, até porque os meus conhecimentos nesse domínio são limitados.
Nacionalizar? Estatizar os prejuízos? Mas haverá estado (finanças públicas) que aguentam tal acção?
Aumentando impostos, naturalmente. Mas isso pode conduzir a uma recessão de consequências inimagináveis...
E, hoje em dia, o caldeirão dos insatisfeitos, dos excluídos, dos marginalizados, dos que são expulsos do próprio país porque, em nome de critérios economicistas que so têm dado prejuízo, não conseguem obter emprego - e falo de pessoas com habilitações académicas muito elevadas e que são jovens - , esse caldeirão encontra-se já em ebulição...
Os próximos tempos poderão trazer ainda muitas surpresas, porque quando a razão a que se apela já não funciona - e toda a argumentação que nos foi vendida acerca dos benefícios do modelo de desenvolvimento económico neo-liberal está prestes a ser enterrada, recuperando os grandiosos valores do colectivismo socialista - , aí já só restarão os actos irreflectidos da loucura.
Leitores, preparemo-nos porque o Circo já desceu à cidade!
(Nota: eu gosto muito do circo, particularmente dos palhaços e dos actos de magia, em que o mágico tira da cartola uma data de coelhos!)
Adenda: já conhecem o boneco voodoo de um dos líderes da Europa? 
Viva o Circo!!!!

6.10.08

Ontem - Hoje I

Conheci o Pedro praticamente desde que nasceu. Era um moço reguila. Bom rapaz. Estupendo. Divertido.
Faleceu abruptamente, na flor da vida. Simplesmente, apagou-se. O coração, que tanto amou, cansou-se e parou. Já não o via há uma data de anos, mas os Amigos não precisam de se ver ou de se falar todos os dias para se saber que existem e que se querem bem. O Pedro era fantástico, sempre bem disposto, com muito humor e muita alegria para dar. Muito melhor que eu. E conquistador, sempre rodeado de belas e interessantes amigas. E amigos: uma legião que não tinha mais fim. Partilhávamos um traço comum: o mesmo dia de aniversário. Isso fazia com que, durante muito tempo, mantivessemos uma espécie de jogo para tentarmos sempre ganhar um ao outro no telefonema que mutuamente fazíamos para desejar um feliz aniversário. Mantivemos este jogo enquanto crianças. Depois crescemos os dois. Ele partiu para prosseguir estudos. Eu fiquei e comecei a trabalhar.
Sinto a falta do meu Amigo.
Já lá vão 4 anos que ele partiu definitivamente.

28.9.08

Quotidianos VII

Um dia já descansado e cheio de sol. Até parece que voltamos a estar em Agosto, tal é o calor que se sente. E ainda bem porque ontem foi um dia cheio de ansiedade. E de preocupação. Não porque tivesse tido que trabalhar todo o dia na empresa - já estou habituado a estas situações que nos alteram os planos previamente concebidos - , mas porque, não recebendo a informação necessitada em tempo real e verificando que o atraso era já claro, me comecei a preocupar. Valeu a tecnologia. E a possibilidade de ficar a saber, a uma distância que os meus passos, mesmo habituados a correr as muitas maratonas da vida, nunca alcançariam, que chegaste bem. E essa foi a minha melhor notícia. 
Agora, só falta esperar por outra notícia que seja, também ela, excelente e confirmadora de tudo aquilo que tu mereces. Acredito que virá em breve.

26.9.08

quotidianos VI

Trabalhar intensa e duramente até às tantas. Ler, reler, compilar, procurar, pesquisar. Ter uma pilha de livros técnicos à minha volta. Estudar. Muito. Paralelamente olhar lá para fora e ver o Sol. Não o conseguir sentir, mas vê-lo. E começar a entristecer. Não porque o sol já se pôs no momento em que escrevo este post, mas porque ele poderá rarear noutros locais. Mas nunca, se eu puder impedir isso! E farei o que estiver ao meu alcance para garantir que o Sol permaneça sempre, com a sua energia, luz e vigor a iluminar determinados locais.
Conversa no msn que me deixou sobejamente feliz. Ter a certeza que o Sol há-de permanecer como astro rei sempre e que as nuvens escuras que, volta e meia, carregam a chuva, o vento e as tempestades, e nos trazem algum temor e desconfiança, partirão, definitivamente lá para bem longe.

21.9.08

Quotidianos V

Philip West
O anzol, 1977

Óleo sobre tela

99,5 x 65 cm

Ex-colecção Cruzeiro Seixas, doação Eng. João Meireles, colecção Fundação Cupertino de Miranda

Mayanna von Ledebur
A preocupação pelo estado de saúde de um amigo. As notícias acerca do seu estado. A leitura ansiosa dos jornais. A busca, com olhar clínico, de ofertas de emprego numa área específica do saber e da acção. A alegria por ir encontrando algumas coisas. Sempre são alternativas, mas o ambiente económico está, infelizmente, muito degradado. Todavia, há-de-se encontrar aquilo que se deseja. O importante é nunca cruzar os braços. É acreditar. E lutar por aquilo em que se acredita. Com veemência. Com fé. Com entusiasmo. Com alegria. Com vontade de vencer.
No fundo, procurando sempre, nos acasos do quotidiano, a Poesia que nos permite olhar o real e sonhar. E acreditar que, pela imaginação, pelo sonho, a Poesia é possível. Visita minunciosa à exposição sobre o Surrealismo, na Fundação Cupertino de Miranda. Redescobrir, nas palavras do comissário da exposição, toda a Poesia que guia a Vida. A provocação. As origens. O pensamento mágico. O acaso. O jogo. O delírio. A arte e a recusa das convenções estéticas vigentes. Aprender com quem sabe e ter gosto nessa aprendizagem. Banho cultural intenso, prolongado, no dia seguinte, por uma visita solitária ao Blindspot, de Mayanna von Ledebur, no Museu da Imagem. Olhar o corpo humano de uma outra forma. Vivenciar o alheamento. A dor. A solidão. Mas também a imaginação  e o campo de possibilidades que o corpo potencia.

17.9.08

Quotidianos IV

O momento doloroso do último adeus. Pensei que viesse a ser muito mais complicado e emotivamente arrasador do que efectivamente foi. Pensei, porque já perdi o meu pai, após um longo e doloroso processo de doença.
Foi um momento doloroso, mas que me ficará gravado na alma e no coração pelo contexto em que teve lugar: numa igreja de traça visigótica, inspirada nos mausoléus bizantinos, acompanhado por um tenor e música sacra. Foi um evento, sem dúvida, singular.
As crises nos mercados accionistas, a falência de bancos e de empresas. As reuniões intermináveis na nossa empresa, em busca de uma fusão com outra, do mesmo ramo, e concorrente, na tentativa de nos salvarmos todos de um destino pouco auspicioso. A agitação, o nervosismo. Os balanços de contas. As auditorias. Os recursos financeiros que, afinal, não correspondem aquilo de que necessitamos com as actuais despesas. É preciso reduzir custos. Ou reclamar, junto da multinacional, mais verbas. Pois sim, claro, reclamemos. Mas que faremos se eles nos questionarem acerca da redução da produtividade? Oh, senhor kapitão, mas acha que eles nos perguntarão isso? É o que eu faria, senhora doutora! Oh, senhor kapitão, então, é melhor não reclamar nada, não acha? Acho que é melhor aumentarmos a produtividade, senhora doutora! E já perdemos 10 minutos nesta conversa que não leva a nada... nem produz riqueza alguma...

11.9.08

Quotidianos III

Viagem. Uma tromba de água terrível, diluviana, apocalíptica. Nunca tinha visto tanta água junta numa auto-estrada. E a visibilidade péssima. E o receio de levar uma pancada no carro. E o maldito do gps que nem se dignou autorizar-me a introduzir as coordenadas da viagem. Livre, dirão alguns. Sim, livre, ao ponto de ter de seguir as indicações dos placards da auto-estrada. E esses placards numa letra tão reduzida e tão pouco visível com a tromba de água diluviana. Olha lá - diz-me o meu companheiro de viagem, tu já vais na auto-estrada para a Corunha! Não era suposto termos virado para Santiago? Pois era, mas eu não percebo esta sinalética! Ah?!?... Tu não percebes a sinalética? Tu???? Tu, que tens carta de condução!... Tu, que estás habituado a trabalhar todos os dias com a semiótica!....  
Afinal, tínhamos virado no sítio certo e depois de uma data de curvas e contracurvas, com visibilidade zero, e uma longa fila de viaturas atrás com os 4 piscas ligados, lá entrámos na cidade do Apóstolo.
Novo suplício para estacionar o carro na garagem do hotel. Nunca percebi porque razão os arquitectos fazem os acessos tão apertados e os lugares tão diminutos. 
- Olha, aqui está escrito "Solo coches pequeños"!
- Claro, é o tamanho do nosso! Mais pequeno é impossível.
- E se disserem alguma coisa?
- Olha, se disserem, disseram. Eu acho que este carro é pequeno! O letreiro não indica a dimensão do carro, pois não?
- .....?!??......
Uma tarde chuvosa, mas muitíssimo agradável. Calcorrear o centro histórico. Sentir a pedra molhada, ouvir as vozes e as línguas diferentes. Absorver o mosaico de culturas e de gentes, uns peregrinos, outros turistas, muitíssimos outros habitantes da cidade. As lojas de recordações. Todas iguais. Todas vendendo os mesmos artefactos aos mesmos preços. Muita gente. Alguns verdadeiramente divertidos, com comentários muito pouco religiosos. 
Mesmo às portas da catedral, a descoberta inesperada de um pequeno objecto capaz de transmitir a quem não pôde vir toda a atmosfera e toda a vivência desta cidade.
A catedral, o Apóstolo, a religiosidade de uns paredes meias com a ânsia fotográfica e turística de outros. Estranho.
O dia seguinte: o trabalho. Proveitoso, intenso. A marcação de nova reunião da multinacional agora para uma outra cidade europeia. O assumir de compromissos. O telemóvel que não pára de tocar. O trabalho e as responsabilidades na nossa filial. 
Regressado a Portugal, a notícia de um amigo que sofrera um ataque cardíaco. Hospital. Urgências. Um familiar consegue aceder aos Cuidados Intensivos e as notícias que traz não são boas. O desfecho deverá ocorrer nas próximas horas.
Estou desfeito. Cansado. Preciso de adormecer.
Adenda: já recebi a informação. Tal como era expectável. Afinal, o tristemente célebre 11 de Setembro abriu mais uma ferida, agora muito mais próxima, e com alguém meu conhecido. 

7.9.08

Quotidianos II

Domingo. Acordar tarde. Um sol quentinho, luminoso, oferecido por quem tem o dom de transformar os meus dias de chuva em dias de luz.
Ouvir e reflectir, na casa que é de todos, que devemos amar os outros como a nós mesmos. Com sinceridade, com entrega, com dedicação. Não ouvi, mas acrescento: com paixão.
Almoçar um excelente bacalhau assado na brasa, num restaurante da cidade de Barcelos. Hummm, d-e-l-i-c-i-o-s-o! Recomendável! Quando vieres por estes lados, tens que o experimentar!
Passeio pelo centro da cidade. Reflexão sobre o modo como o povo entende(u) a justiça feita pelos detentores do poder: foi preciso um galo morto levantar-se e cantar para evitar que um estrangeiro, rapidamente considerado culpado de um delito grave, fosse enforcado. De facto, a lenda do galo de Barcelos dá que pensar. Claro que é uma lenda. Um mito. Uma história. Mas muitíssimo interessante, sob vários aspectos: as relações de poder e de domínio; o olhar dos que são considerados estrangeiros ou não membros da comunidade; a forma como eles são tratados; o papel e o lugar do juiz; os papéis do povo, i. é, dos não detentores do poder, etc, etc.
Leitura. Descanso. Trabalho.

6.9.08

Quotidianos I

Levantar tarde, muito tarde, da caminha. Acordar com o sol, quentinho, a entrar pelo quarto dentro. Ai que bom! Principlamente depois de uma 6ª feira, desgracionada, com o stress do trabalho. E a chuva. E o vento. E o frio que se pôs. E o incomodar de um Amigo.
Hoje, bem disposto, tirar a manhã para o abastecimento semanal da casa. Porque também é preciso adquirir a comidinha. Toda a manhã numa grande superfície. Comprar pão. Comprar bolinhos, para acompanhar o café da manhã. Comprar fruta e legumes, para fazer uma refeição, em casa. Almoçar fora de casa. Parece estranho, mas foi assim. Acordar tarde e tarde regressar implica não cozinhar em casa. Se calhar para o bem de todos. Assim não é necessário que haja fingimentos relativamente à qualidade do cozinheiro. Está-se mais à vontade.
À tarde, visita a um importante espólio de arte rupestre e de arte romana. Gostei. Gostei particularmente da sala consagrada aos templos funerários. Não porque seja algo de mórbido. Mas porque me pus a pensar o que dirão os vindouros, daqui a 2000 anos, acerca de nós e do modo como encaramos a morte. 
Mais à tardinha, consulta ao email. Alegria por duas mensagens recebidas. A de uma rosa, que me encheu de contentamento, e a de um Amigo, que me sossegou. Passeio pelos blogs. Comentários. Leitura de jornais online. Trabalho. Leitura de livros técnicos. Redacção. Reserva de alojamento para Santiago de Compostela. Irritação. A reserva online deixou de funcionar mal os dados foram colocados na página. Temor por algum desvio de informação. Telefonema para o hotel. Reserva via telefone. Mas porque é que eu ainda acredito, piamente, nas vantagens da tecnologia quando tenho que resolver tudo à maneira antiga?
Jantar. Confeccionar o jantar. Comidinha saborosa. Elogio. Acredito que foi sincero.
Recital da Orquestra de Câmara do Minho. Noite agradável e simpática. Alguma nostalgia. Os luagres e as pessoas. Consulta do email. Gargalhadas sonoras com uma mensagem recebida. Registo no blog.

5.9.08

Se fosse vivo Farrokh Bulsara, mais conhecido por Freddie Mercury, faria hoje 62 anos.
Mas apesar de não ser vivo, continuamos a ouvir e a cantar as suas músicas, com entusiasmo e apreço.

1.9.08

Intervalo

Acabaram-se as férias que, este ano, foram geridas em termos maioritariamente pessoais. Longe da confusão dos últimos anos. Longe dos horários impostos por alguém cujo rosto eu não conhecia. Longe das rotinas instaladas e que obrigavam, se se quisesse alimentar o estômago, a ter que acordar a determinda hora e a regressar a uma hora que até poderia não se enquadrar nas horas cristãs, mas que obrigava a estar em condições de poder cambalear, no dia seguinte, até uma certa hora, até junto da sala onde se serviam os pequenos-almoços. Longe dos aglomerados populacionais que, qual horda furibunda, mecanicamente se deslocavam para junto da água e, em momentos temporais cronometricamente definidos, regressavam aos seus locais de pousio habitual. Longe da criançada que, jogando à bola, e berrando a plenos pulmões, obrigavam tudo e todos a participar, mesmo que forçadamente, numa alegria que não era a minha. Longe dos stress inumeráveis pelas longas filas de trânsito para atravessar a ponte. Longe da ansiedade por saber aonde iríamos deixar o carro, e, uma vez estacionado, será que ainda estará intacto quando a ele regressarmos? Longe das pessoas que realmente importavam, porque, sendo Agosto, era imperioso fazer a fotossíntese, e activar uma cortina de invisibilidade, só entrecortada, por momentos de interacção telefónica que, feitas as contas, se mostravam absolutamente contínuos, como se a distância e a ausência fossem tão somente físicas, porque o veio discursivo e emocional, esse, era permanente.
Este ano, tudo mudou.
E agora, que as férias se acabaram, e que o ciclo supostamente se repetiria, decidi que tudo será diferente doravante.
Diferente, desde logo, na forma de olhar o mundo.
Diferente, no modo de encontrar as pessoas que realmente importam e pelas quais vale a pena dizer EU, TU, NÓS.
Diferente na forma de me mostrar e de permitir que os outros, aqueles que realmente importam, me conheçam.
Sei que não é habitual efectuar estes balanços de fim de ciclo no dia 1 de Setembro, mas eu nunca fui igual à massa que me rodeia e na qual eu sou um pontinho minúsculo. Tenho clara consciência que defraudo muitas expectativas. E que surpreendo. Às vezes pela positiva. Outras vezes pela negativa. E que sou provocador. E que me dá gozo provocar. E que muitas vezes perco. E que raras vezes ganho.
(Há uns anos atrás, no milénio passado, quando eu era um miúdo de 20 anos - para quem me conhece e para quem não me conhece, informo que, neste momento, tenho mais uns mesitos face à idade anteriormente referida! - , um dia, percorri, vestido com o traje académico de estudante universitário, uma das ruas de uma certa cidade, e tendo-me cruzado com duas senhoras, de idade já avançada, fui brindado com os seguintes epítetos: "É o diabo! Nossa Senhora, valei-nos!!! É o diabo, é o diabo em pessoa! Virgem Santíssima, é o diaboooo!!!!". Estaquei a caminhada e encarei as senhoras. Obedecendo a técnicas que eu vinha aprendendo no meu curso, sobre como controlar grupos e garantir a liderança, tratei de estabelecer contacto ocular com elas. Ficaram lívidas. Mas já não me brindavam com esses epítetos. Não que eu me importasse, mas, enfim, era preciso um bocadinho de lata a mais... Até que uma, puxa de um terço, e começa a gritar, esganiçada, "Vade Retro, demo!" E a proferir não sei que ladaínha, provavelmente para efectuar algum tipo de exorcismo. Aí, irritei-me e, sorrindo-me, disse-lhes: "Sim, sou o diabo. Em pessoa. E as senhoras foram brindadas com a sua vista." Dei uma gargalhada. "Agora, eu ordeno-vos que me saiam da frente e vão imediatamente ter com um representante da vossa religião e lhe digam que me viram, em pessoa e ao vivo, e que eu vos ordenei que fizessem tal coisa!" Ainda pensei em fazer BUUUU!, mas não foi necessário. As criaturas, olhando-me estarrecidas e ofegantes, afastaram-se às arrecuas, bichanando uma para a outra não sei o quê.)

28.8.08

O meu horóscopo para hoje

Hoje, decidindo iniciar uma nova etapa na minha vida (regresso na 2ª feira ao trabalho, lá na empresa! Tenho que me começar a mentalizar!!!!), pedi que me construíssem o horóscopo. Eis o que deu:
Today, you should have no difficulty keeping amused, because your mind is sharp, alive and ready for all kinds of experiences. Even in the ordinary, everyday aspects of your world you see the possibilities for new knowledge and understanding. Quite frequently this influence indicates one of those days when the telephone never seems to stop ringing. It seems as if everyone wants to get in touch with you, and you have to contact many people too. Important communications from others may very well come by mail, telephone or personal conversation. And you will speak your mind with everyone. It is very important with this influence to let people know exactly where you stand on every issue. Your honesty and forthrightness in what you say will command the respect of others.

The interpretation above is for your transit selected for today:
Mercury Sextile Sun, , exact at 18:46  
Gostei do resultado. Estou fã!

26.8.08

"Assaltaram banco de cara destapada" Expresso, 26 de Agosto
"O assalto foi muito rápido. As pessoas que estavam perto do banco nem sequer se aperceberam de que se tratou de um assalto", concluiu a fonte militar. 
Não admira, com a quantidade de assaltantes com que nos cruzamos todos os dias, já só reparamos neles se vierem mascarados ou se forem portadores de um distíco a explicitar "SOMOS ASSALTANTES"

25.8.08

Remexendo no baú das memórias

Em Julho de 1989, alguns meses antes da queda do muro de Berlim e do fim da União Soviética, tive a oportunidade de conhecer uma pessoa especial e verdadeiramente importante para mim. Foi um conhecimento até certo ponto imprevisto, mas marcante, pois, para além dos souvenirs, que continuo a guardar com afecto, mantivemos uma longa e estimulante conversação. Mas os tempos eram outros. E os anos foram passando... e hoje, que é feito dessa pessoa? Da cumplicidade natural que nos aproximou? Da troca de olhares e de afectos que parecia querer cimentar, para todos os milénios vindouros, as nossas vidas? A actual São Petersburgo chamava-se, na altura, Leninegrado e era a cidade onde essa pessoa especial, que me encheu o coração de alegria e de contentamento, vivia. Hoje, continua lá a viver e por isso quando o amigo João referiu que poucas pessoas sabiam falar português nessa bela cidade eu discordei. Pensava, em concreto, nessa pessoa especial que passara um mês cá, em Portugal, e de quem eu me despedi, com muita saudade, já há tantos anos. Dir-me-ão: mas a que propósito é que o nosso kapitão se põe agora a filosofar sobre pessoas, que nós nunca vimos e cuja existência nunca foi mencionada, e de lugares que já não existem, num tempo que, se calhar, ainda não era o nosso ou era ainda o da nossa infância ou adolescência?
Pois a resposta está exactamente na necessidade de aprendermos com os erros do passado e não os repetirmos no presente.
No verão de 1989, o vosso kapitão julgou poder experimentar um sonho na companhia de alguém especial, mas não o prosseguiu. Era a distância. Eram os custos. Era o medo dos compromissos para toda a vida. Era o medo de falhar. Era o medo de não conseguir garantir a felicidade. Era... enfim, já não sei, se calhar a juventude exuberante.
Hoje, o vosso kapitão está mais experiente - os mais jovens dirão que ele está mais velho (e, certamente, isso é também verdade) - e tem algumas pessoas que são verdadeiramente importantes na sua vida. São pessoas que ele foi conhecendo e cujos laços foi fortalecendo ao longo do tempo. São pessoas de que ele não pode conceber a não existência. De facto, a Amizade que o une a elas, ao contrário do que sucedeu no verão exuberante e exótico de 1989, constitui o granito fundamental para toda a sua vida presente e futura.

23.8.08

Redescobrir Lisboa

Torre de Belém em 1912 (generosa oferta do Pinguim!)
Torre de Belém em Agosto de 2008 (muitos agradecimentos ao Amigo Hydra, pela feliz lembrança)
Frente ribeirinha do Tejo no passado (registada graças ao amigo Pinguim!) Frente ribeirinha do Tejo, em Agosto de 2008, a partir da soberba vista do alto do Padrão dos Descobrimentos. Mosteiro dos Jerónimos - 1878 (Obrigado Pinguim, pela gentil partilha!)
Mosteiro dos Jerónimos - 2008

22.8.08

Uma tarde no museu

Quase todas as obras, cujas fotografias aqui se apresentam, pertencem a autores famosos de renome internacional e encontram-se expostas, com pompa e circunstância, num conhecido museu da cidade de Lisboa: o Museu Berardo, no Centro Cultural de Belém. A última fotografia da obra exposta intitula-se "O visitante em busca de uma imagem" e é, sem dúvida, uma das minhas preferidas (private joke).

18.8.08

Leituras em férias

Margherita OGGERO (2008) La Colega Tatuada. Barcelona: Roca Editorial de Libros. ISBN: 978-84-92429-33-2
"En un mundo desquiciado, de relaciones explosivas y cotilleos gratuitos, los perros - y, en menor medida, los gatos - constituyen un reconfortante valor seguro. Los perros pueden tener pulgas, pero no te buscan las cosquillas diciéndote que si las suyas son más grandes y hermosas que las tuyas: se rascan y basta. Los perros te reciben meneando el rabo aunque pases de lo políticamente correcto, la autoayuda te parezca una capullada o aunque te niegues a mezclarte con los que llaman a los bedeles funcionarios escolares, a los celadores funcionarios de prisiones, a los hospitales instalaciones sanitarias, etcétera. Los perros no hablan, no escriben, no conceden entrevistas a la televisión - de momento - y por eso mismo son un valor seguro." (p.14).
Esta é uma curiosa e agradável leitura para este mês de Agosto, que recomendo vivamente.
Para além das considerações sempre pertinentes e aguçadas sobre o mundo, os homens, as mulheres e as relações humanas em geral, esta obra, muito ao estilo policial, diverte e educa, como diriam os antigos. Basicamente trata-se da história de uma professora de literatura, na casa dos 40 anos, que decide investigar, por sua conta e risco, o assassinato de uma colega de profissão. E a sua investigação levá-la-á a reequacionar a sua relação matrimonial e o seu modo de ver e de olhar o mundo. 
A não perder!

Também somos bons em muitas coisas

Tenho mantido, nos últimos tempos, alguma visão mais crítica do nosso país, mas devo confessar que temos por cá coisas que funcionam muito bem. Só é pena que tenhamos uma grande dificuldade em aprender, com as melhores práticas, dos nossos concorrentes pequenos gestos e pequenas coisas que nos poderiam garantir um forte e decisivo impulso, a todos os níveis.
Fica-nos, porém, a esperança de podermos modestamente contribuir para o bem comum com as críticas que vamos tecendo nestes fóruns.
Mas vamos àquilo que, de facto, funciona muito bem em Portugal.
A Via Verde é um excelente exemplo. Sei que as portagens são caríssimas e contribuem, em muito, para a dificuldade de estímulo à economia, mas a tecnologia subjacente ao sistema é, de facto, extraordinária. E aquilo funciona muito bem quer nos postos de abastecimento (já sei que são do fornecedor que impõe os preços ao mercado!!!), quer no pagamento dos parkings.
O sistema Multibanco é também um excelente exemplo, em que a tecnologia nos é útil e nos permite poupar tempo e dinheiro (confidencia-me um amigo que isto são considerações que, em breve, não se aplicarão mais, pois fala-se de uma taxa a aplicar a quem fizer levantamentos automáticos nas máquinas... respondo que isso se resolve, enchendo, como antigamente, os balcões das agências, para que os senhores banqueiros possam, com inteligência e conhecimento de causa, reavaliar a justeza das medidas tomadas!!!). 
Lanço o repto a quem quiser acrescentar exemplos de coisas que funcionem bem ou muito bem em Portugal, porque, procurando bons exemplos, infelizmente não me consigo recordar de mais nada...
A submissão electrónica do IRS é um suplício... as instruções abrem numa janela que anula aquela em que estamos a fazer a declaração... nada é intuitivo ou friendly... e ainda nos pedem para introduzirmos uma série de códigos que o sistema não disponibiliza e que a cada amigo atribui interpretações diversas... 
A compra de bilhetes electrónicos da CP só funciona para os comboios alfa ou intercidades e se um incauto tiver que adquirir um bilhete urbano, para ajustar horários, só o pode fazer na estação de partida e no próprio dia!!!! 
Penso, volto a pensar, reflicto... enfim, podia acrescentar que a publicação de posts neste blogue funciona muito bem, assim como a gestão do correio electrónico, mas estes serviços, que nos são disponibilizados, não são propriamente nossos....
Enfim...

16.8.08

Portugal e Jogos Olímpicos de 2008

A participação portuguesa nos Jogos Olímpicos desiludiu muito. Se a fasquia era a de ganhar 4 medalhas e não sei quantos pontos, o resultado ficou muito longe. Perdemos. Não ganhámos. Acrescente-se a esta má prestação dos atletas portugueses as declarações infelizes que nos foram chegando através da comunicação social e dos blogues.
Teria sido prudente não embarcar em declarações ficcionais e assumir que iríamos a Pequim ganhar o que fosse possível atendendo ao país que somos e aos investimentos que fazemos nas diversas modalidades. Isso sim, teria sido inteligente. Mas não foi o que sucedeu. Inspirados pela retórica Scolari, afirmámos, à partida, que erámos os maiores e que iríamos lá para trazer X medalhas para o país. Asneira, e da grossa! Aliás, como é hábito!
Uma coisa que sempre me causou imenso espanto reside na nossa incapacidade colectiva para percebermos que, de facto, não somos nem podemos aspirar a ser os melhores em tudo. Se calhar esta ignorância colectiva deriva de alguma lavagem ideológica que teremos sofrido no passado: lembram-se de termos estudado que fomos nós, portugueses, os senhores dos mares e de um império sem igual? O problema é que estas coisas, na altura, até se podiam dizer e afirmar e repetir sem grandes consequências. Não havia termo de comparação. Eramos os maiores e ponto final no caso! Todavia, já nessa época, os espanhóis eram tão maiores quanto nós e aquilo que ficou da história foi que os ingleses, pelos vistos, ainda foram maiores do que quaisquer outros!!! Mas esses eram piratas, e por isso não contavam...
Já agora, porque razão é que, quando certa comunicação social fala de um qualquer jogador português que está a trabalhar num clube estrangeiro se refere a esse clube como sendo a equipa de Cristiano Ronaldo ou a equipa do Figo, etc? Será que ainda não assumimos que nós existimos e que os outros também existem? E que eles até têm maiores capacidades financeiras (por exemplo) do que nós? E que são melhores em múltiplos campos do saber e da acção?
Porquê continuar a tentar esconder o sol com a peneira?
Ou será que, quem diz e promove esta maneira de ser e de agir, está plenamente convicto das suas afirmações? Se assim é, então, vivemos definitivamente no reino de Matrix e das historinhas da carochinha... 

15.8.08

Da retórica à acção: uma nova guerra fria?

A escalada de violência simbólica e verbal, detectável há já alguns meses (lembremo-nos do bloqueio energético imposto pela Rússia à Ucrânia e à Lituânia; a crise do chamado escudo de defesa anti-missil norte-americano na Polómia e na República Checa), conhece, nos dias de hoje, novos desenvolvimentos: às provocações de uns e de outros, a Geórgia vê o seu estado invadido e ocupado e a Polónia vê-se como alvo de um potencial ataque nuclear russo. Paralelamente, o xadrez militar desenrola-se simultaneamente em toda a zona do Médio Oriente. E a China, tecnologicamente evoluída, lá vai mantendo a sua paciência de chinês, provavelmente porque se encontra ocupada com os Jogos Olímpicos.
A Europa parece ter entrado numa nova guerra fria que corre o risco de degenerar numa guerra muito quente.
Os analistas políticos sublinham, todavia, que este será um passo que, a bem de todos, não deverá ser executado, sob pena de uma devastação e de uma espiral de consequências inimagináveis.
Mas, colocando a questão de um ponto de vista mais cínico, recordo-me de um amigo meu que me dizia, com conhecimento de causa, que, em qualquer conflito, há sempre perdedores e ganhadores, e que as guerras são más para os que as sofrem, mas podem permitir que alguns, normalmente poucos, ganhem imenso. Há toda uma indústria que se desenvolve e floresce, criando emprego, a qual, aquando da reconstrução dos países devastados, se replica e se transforma, originando afluxos financeiros às empresas e às nações vitoriosas. Ora, todos sabemos que o mundo atravessa actualmente uma grave crise, com incidência mundial: desemprego, fome, injustiças, etc, daí que os impulsos para os conflitos armados não sejam, de modo algum, dispiciendos...
A questão que pode colocar-se é a de saber se um confronto armado às portas da nossa Europa, com o nível de acção que a retórica belicista está a tomar, permitirá que sobreviva alguém para contar a história.
Se sobreviverá alguém ou não, não o sabemos. Nem tão pouco se tal conflito virá alguma vez a acontecer. Pela nossa parte, esperamos e rezamos para que um tal conflito não venha nunca a ter lugar!
Porém, a história da humanidade demonstrou, até hoje, que muitas guerras, algumas delas bem crúeis e profundamente devastadoras, foram já travadas e que sempre alguém sobreviveu. E que muita gente sofreu. E que alguns ganharam com a morte e o sofrimento alheio. Daí que a tentação seja, infelizmente, grande...

14.8.08

Do reino do simulacro ou da forma como quem detém o poder olha os seus conterrâneos

A cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, para além da grandiosidade do evento, ficou marcada por um assumir explícito e deliberado da capacidade de simulação. Ao que parece a criança que cantou não foi a mesma cuja imagem foi difundida pela comunicação social, bem como os fogos de artíficio terão sido, em larga medida, manipulações realizadas em computador.
Se isto demonstra, aos olhos dos ocidentais, que a China já detém a capacidade tecnológica para poder vir a ditar leis e formas de agir num futuro próximo, ultrapassando aquelas que são, hoje, consideradas nações tecnologicamente evoluídas, este acto mostra-nos também que vivemos, definitivamente, no reino do simulacro: o importante é vender uma determinada ideia ou situação e convencer os outros que essa é a realidade. Aliás, a realidade, cada vez mais, reside naquilo que se mostra (ou naquilo que a televisão exibe). 
Ora, este domínio da imagem e particularmente da imagem simulada, da imagem manipulada por alguém que detém o poder, configura um acto que pode, eventualmente, ser considerado atentatório da dignidade humana. Pois aquilo que eu vejo não é necessariamente aquilo que, de facto, sucede. Daqui decorre que, com legitimidade, podemos acreditar que vivemos no reino do circo. Se a informação de que eu disponho é/pode ser potencialmente manipulada e simulada, que me resta, em termos de acção? Somente o alheamento, a descrença total naquilo que me é oferecido...
Tenho, para mim, que a metáfora apresentado pelos filmes da série Matrix não está muito longe.

12.8.08

Estou chocado!

Hoje, numa sociedade globalizada, quando punha as leituras dos jornais em dia, chega-me a notícia que uma mulher de 47 anos, cidadã da Arábia Saudita e residente nesse país, foi detida por agentes da Comissão de Promoção da Virtude e de Prevenção do Vício, pelo crime de...   conduzir uma viatura. Não que o carro tivesse sido furtado ou que a senhora tivesse desobedecido à ordem para parar ou se tivesse recusado a fazer o teste de alcoolémia. O crime é que, de acordo com a notícia divulgada, estava precisamente no facto de a senhora conduzir a viatura sozinha, com total liberdade de movimentos e esse facto poderia, à luz dos doutos membros dessa comissão, originar um contacto da senhora com um cavalheiro, facto de que adviria, sem sombra de dúvida, a corrupção dos valores familiares...
Mas em que planeta é que nós vivemos? Está tudo doido???
Então o problema está nela? E os homens? São uns anjinhos????
E quem são esses doutos senhores dessa comissão?
(Já agora, quando será que esse país se abre e se modifica???)
Para nós, ocidentais, e a viver num país livre e democrático, esta é uma notícia que me perturba profundamente.

11.8.08

Estou farto!

O que foi que eu fiz para merecer tamanha falta de consideração???

Explico rapidamente a razão do meu estado à beira de um ataque de nervos. Domingo à tarde, em pleno mês de Agosto, na minha cidadezinha, num centro comercial.
Dirijo-me a uma pastelaria e, após ter inquirido o preço não afixado do produto, solicito à funcionária, que me mirava com olhos de carneiro mal morto, uma fatia de bolo. Embora a fatia de bolo fosse estupendamente minúscula e escandalosamente cara (1, 75€), a possibilidade de a dividir com uma pessoa especial animava-me a adquiri-la. Vai daí, informei a funcionária que desejaria adquirir a dita fatia de bolo e solicitava que a mesma fosse acompanhada de 2 talheres (para mim e para a minha amiga). E aí começaram as complicações:
Funcionária - Dois talheres para uma fatia de bolo??? Mas nem pensar! Uma fatia, um jogo de talheres; duas fatias, dois jogos de talheres!
Kapitão - Como???
Funcionária - É assim mesmo, respondeu a vaca. E ainda teve o desplante de acrescentar: se quiser, pode adquirir um jogo suplementar de talheres pela módica quantia de 2,00€.
Kapitão - E os talheres são feitos de que material?
Funcionária - De plástico, naturalmente, respondeu a vaca.
Kapitão - Mas a senhora está a gozar comigo???
Funcionária - São as regras da casa, voltou a responder a vaca.
Reflecti: ora bem, hoje é domingo, estamos em Agosto, está um calor de matar, eu estou aqui nesta terrinha de província, e esta parva, que estava sentadinha no seu canto até eu entrar, está a tentar ganhar dinheiro à minha custa…
Resultado: mudámos de sítio e fomos lanchar bem longe daquela vaca exploradora e doida.
(Perdoem-me @s car@s leitores os atributos com que estou a brindar a avantesma, mas estou mesmo muito irritado!)

Hoje, 2ª feira, na mesma cidadezinha, no mesmo centro comercial, numa loja da multinacional Pizza Hut.

Saí-me não uma Fabíola, mas uma Maria João.

A Kaos-mater sentiu uma vontade irresistível por uma certa pizza, que tinha provado, numa recente refeição, no dito restaurante da multinacional: uma pizza mediterrânica, feita com azeite, para proteger o coração.

Como já conhecia as aventuras de um amigo no processo da encomenda telefónica da pizza, decidi deslocar-me pessoalmente ao dito restaurante e trazê-la em mão.

(Mal eu conhecia as aventuras em que iria estar envolvido!!!...)

Chegado ao restaurante, fiz o pedido:

Kapitão - Boa tarde, desejava uma pizza pancenta, tamanho médio, para levar.

Sorridente, a funcionária aproximou-se do mostrador electrónico e, pelo canto do rosto, reparei que o seu rosto perdeu alguma luminosidade.

Voltou-se para mim e respondeu-me que tal não era possível.

Kapitão - Como??? Mas ainda ontem aqui comi uma pizza dessas! Já não têm???

Funcionária - Não, a questão é que não as vendemos para fora.

Kapitão - COMO???? Não as vendem para fora??? Mas qual é a diferença??? Vocês fazem-na, vendem-na ao preço que querem (eu não conhecia o preço dos produtos para levar para casa), não sujam os pratos, não pagam o transporte… E não podem vender para fora????

Chegada a gerente da loja, explicou-me que não, que não vendem, que se quisesse, teria que a consumir dentro da loja.

Argumentos: nenhuns. Foi algo do género: é assim, prontos! (Foi mesmo prontos!!!)

Resultado: não adquiri a pizza, e jurei que não voltava a gastar um cêntimo mais nessa casa! Jantámos uma bela espetada grelhada na brasa.

Mas voltando à questão da recusa de venda de produtos que um consumidor deseja adquirir: não compreendo o que se passa com estes conterrâneos. Têm os produtos, têm o cliente e não vendem.
E depois ainda se queixam que há crise e que os lucros não são tão altos quanto desejariam… Tenho cá para mim que este é um caminho perigoso, e que não augura nada de bom em termos económicos.
Quem devia ter juizinho na cabecinha parece andar despardalado: claro, dir-me-ão, estamos em Agosto, mês dos emigrantes, e as pessoas podem dar-se ao luxo de afugentar clientela.
Não sei se assim será: pela minha parte as duas lojas alimentares estão riscadas do mapa. Pela burrice de quem lida com a clientela.

E isto leva-me a uma outra questão: por que razão é que nesta terrinha há tanta gente estúpida? Tanta gente burrinha? Tanta gente limitada? E gente cusca? Gente que adora falar dos outros, que é linguaruda, e que gosta de dar palpites em relação à vida pessoal de cada um?
Provavelmente, porque é uma terrinha.
O crescimento imobiliário e o desenvolvimento da cidade ainda não trouxeram uma iluminação às consciências e um impulso ao desenvolvimento cultural.
Estou farto!