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31.7.08

Um pouco de António Maria Lisboa...

Eu menino às onze horas e trinta minutos
a procurar o dia em que não te fale
feito de resistências e ameaças - Este mundo
compreende tanto no meio em que vive
tanto no que devemos pensar.
(,,,)
Tanta metafísica eu e tu
que já não acreditamos como antes
diferentes daquilo que entendem os filósofos
- constitui uma realidade
que não consegue dominar (nem ele próprio)
as forças primitivas
quando já se tem pretendido ordens à vida humana
em conflito com outras surge agora
a necessidade dos Oásis Perdidos.
E vistas assim as coisas fragmentariamente é certo
e a custo na imensidão da desordem
a que terão de ser constantemente arrancadas
- são da máxima importância as Velhas Concepções pois
a cada momento corremos grandes riscos
desconcertantes e de sinistra estranheza.
Resulta isto dum olhar rápido sobre a cidade desconhecida.
E abstraindo dos versos que neste poema se referem ao mundo humano
vemos que ninguém até hoje se apossou do homem
como o frágil véu que nos separa vedados e proibidos.
António Maria Lisboa - Poesia

23.7.08

Sabedoria

(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!)
Fernando Pessoa
Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos.)
Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
Mais longe que os deuses.
Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer nao gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
E sem desassosegos grandes.
Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,
Nem invejas que dão movimento demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
E sempre iria ter ao mar.
Ricardo Reis

22.7.08

Serviços úteis: emprego no UK

16.7.08

O que é Ser Português?

O que é ser português?...
E não é que é mesmo isto?!...
- Levar arroz de frango para a praia.
- Guardar aquelas cuecas velhas, para polir o carro.
- Ter o colete reflector no banco do passageiro.
- Lavar o carro na rua, ao domingo.
- Ter pelo menos duas camisas traficadas da Lacoste e uma da Tommy (de cor amarelo-canário e azul-cueca).
- Passar o domingo no shopping.
- No restaurante, largar o puto de 4 anos aos berros e a correr como um louco, a incomodar os restantes Tugas.
- Tirar a cera dos ouvidos com a chave do carro ou com a tampa da esferográfica.
- Receber visitas e ir logo mostrar a casa toda.
- Enfeitar as estantes da sala com as prendas do casamento.
- Exigir que lhe chamem 'Doutor'.
- Exigir que o tratem por Sr. Engenheiro.
- Axaxinar o Portuguex ao eskrever.
- Gastar 50 mil euros no Mercedes C220 cdi, mas não comprar o kitmãos-livres, porque 'é caro'.
- Já ter 'ido à bruxa'.
- Filhos baptizados e de catecismo na mão, mas nunca pôr os pés na igreja.
- Não ser racista, mas abrir uma excepção com os ciganos.
- Ir de carro para todo o lado, aconteça o que acontecer, e, pelo menos, a 500 metros de casa.
- Dar os máximos durante 10 km, para avisar os outros condutores da polícia adiante.
- Conduzir sempre pela faixa da esquerda da auto-estrada (a da direita é para os camiões).
- Cometer 3 infracções ao código da estrada, por quilómetro percorrido!
- Ter três telemóveis.
- Gastar uma fortuna no telemóvel mas pensar duas vezes antes de ir ao dentista.
- Ir à bola, comprar 'prá geral' e saltar 'prá central'.
- Gravar os 'donos da bola'.
- Ter diariamente, pelo menos 8 telenovelas brasileiras e 2 imitações rascas da TVI na televisão.
- Ser mal atendido num serviço, ficar lixado da vida, mas não reclamar por escrito 'porque não se quer aborrecer'.
- Criticar o governo local, mas jamais se queixar oficialmente.
- Falar mal do Governo eleito e esquecer-se que votou nele.

12.7.08

O estado da nação

O que se passa com um país cujas forças de investigação, depois de serem alvo de uma grande atenção por parte dos media, e de anunciarem, com pompa e circunstância, a constituição de um conjunto de arguidos num processo tenebroso chegam à conclusão que nada mais há para investigar e que tudo não parece ter passado de uma grande cortina de fumo?
O que se passa com um país cujos habitantes, quando lhes dá na veneta, correm para a rua, com caçadeiras e pistolas, e desatam a disparar a torto e a direito contra quem lhes apetece?
Parece que foram identificados e detidos 2 jovens envolvidos nos desacatos. Presentes a tribunal sairam em liberdade com o termo de identidade e residência.
Vale a pena comentar? Eu acho que não.

6.7.08

Da mercantilização de tudo e do esquecimento daquilo que verdadeiramente importa

Temos vindo a assistir a uma crescente mercantilização de tudo: o vocabulário da economia penetra todos os registos e todos os espaços. Os homens e as mulheres são agora encarados como mão-de-obra cuja produtividade tem que ser incrementada, sob pena de uma perda económica gravosa para toda a comunidade. Importa vender e comprar alguma coisa; importa realizar mais-valias. Importa produzir mais e melhor, criar riqueza e aumentar o produto interno bruto.
Tudo o que não se inclui nesta lógica mercantilista do comprar e do vender é olhado com profunda desconfiança e até como algo de suspeito, potencialmente atentador do statu quo instituído.
Dar alguma coisa a alguém, gratuitamente, ou receber algo de uma pessoa é visto como um crime. Se dás algo a alguém significa que queres receber algo em troca, e o inverso também parece ser aceite como verdadeiro pelas cortinas de fumo que nos rodeiam todos os dias. Ninguém pode ir contra a corrente, porque esta é a corrente da Razão, do Progresso e do futuro da humanidade.
E quando pensamos naquilo que significa a felicidade para cada um de nós, rapidamente constatamos que ela é facilmente alcançável. São os pequenos gestos, é a Amizade, é o poder partilhar gratuitamente, sem querer nada em troca. Todavia esta não é a imagem da felicidade que nos vendem todos os dias: a felicidade será alcançável se se acumular riqueza, se se tiver um corpo Danone, se se for muito bem sucedido na vida, se se for uma estrela do cinema ou da política, se se for um senhor da guerra...
Nunca me conformei aos padrões que certas pessoas, crentes num certo poder, nos tentam vender todos os dias. E nunca me conformei porque esse seu poderzinho é facilmente desconstruível e não resiste a uma análise mais detalhada.
Servem estas considerações para responder a um desafio que li algures em blogues amigos: como te auto-defines em 5 palavras?
AUTO-ESTIMA: tenho uma auto-estima elevada e acredito que, se os outros conseguiram, eu também serei capaz de alcançar aquilo a que me proponha. Não quero com isto dizer que me considere arrogante, orgulhoso ou vaidoso. Considero-me humilde e procuro manter esse ponto de vista, mas sempre aceitando que, com determinação e preserverança, alcançarei aquilo a que me propuser.
DETERMINAÇÃO: considero que, para quem não me conhece, o valor da determinação pode, eventualmente, ser lido como teimosia. Mas rapidamente verificará que, se for necessário, moverei montanhas! Esta característica origina que, muitas vezes, a minha maneira de ser se traduza numa certa EXCESSIVIDADE, observável quer em termos verbais (às vezes, é-me difícil manter-me calado), quer em termos de acção (às vezes, começo a fazer coisas e não páro mais....)
HONESTIDADE
LEALDADE
OPTIMISMO
Este desafio fica aberto a quem quiser desenvolvê-lo!

Big Brother is watching you!

A notícia vem dos EUA e alerta todos os utilizadores de telemóvel para uma nova e perturbadora forma de vigilância. A acreditar naquilo que a internet nos dá a ler, seria possível ouvir, sem conhecimento do próprio utilizador, uma qualquer conversa, mesmo que o aparelho se encontre desligado. O telemóvel funcionaria assim como um mecanismo de gravação e de retransmissão da informação.
Dentro de um espírito semelhante, ficamos a saber que, nos EUA, num espírito de combate à fraude e à fuga ao pagamento de royalties, os cibernautas poderão vir a ser responsabilizados por visualização indevida (sem pagamento dos correspondentes direitos de autor!) de videos disponibilizados no site YouTube.