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31.10.08

31.10.2008
Fonte: Público
O primeiro-ministro, José Sócrates, fez da sua primeira intervenção na Cimeira Ibero-Americana um momento de promoção do computador Magalhães, presente na mesa de trabalho dos 22 chefes de Estado e de Governo. Durante mais de cinco minutos, Sócrates apresentou o Magalhães como sendo «o primeiro grande computador ibero-americano», dizendo mesmo que é «uma espécie de Tintim: para ser usado desde os sete aos 77 anos».
Uma notícia insólita, surpreendente e lunática acaba de ser divulgada: a de que, como resposta à grave recessão que o mundo começa a atravessar, poderia ser uma boa ideia os EUA iniciarem uma guerra com uma grande potência mundial.
Francamente, não me parece que a notícia possa ser creditada como real ou verídica, mas, dado que já aqui referi que o circo tinha descido à cidade - e cada vez me convenço mais de que isso é inteiramente verdade - , esta poderia ser, sem dúvida, mais uma das múltiplas e inusitadas manifestações que encontramos nos espectáculos circenses e que nos cortam a respiração.
Fica o link para quem quiser aprofundar o assunto.
PLANETAS POLITIK: O General e a Costa Rica, tem tudo a ver!

29.10.08

Hoje, no seguimento de uma conversa agradável que tive com um amigo, que muito prezo, dei por mim a pensar acerca do modo de ser dos conterrâneos, com que convivo e interajo todos os dias. E aquilo que pensei não foi muito abonatório.
Passo a explicar.
Olhando em redor, reparo que os conterrâneos padecem de uma doença, que considero muito grave: todos eles, na sua maioria, gostam, sentem prazer em, volta e meia, mandar uns bitaites! Todos se consideram no direito de dar o seu palpite seja a propósito do que for. Para além de linguarudos e profundamente cuscos, às vezes, são deliberadamente mal-educados e ajem como se fossem os arautos da virtude e do puritanismo. 
Obviamente que todos sabemos que aquilo que nos individualiza tem muito que ver com as nossas concepções culturais acerca do mundo. E quando falamos em cultura, estamos igualmente a falar de ideologia. E nós, portugueses, fomos moldados por uma ideologia judaíco-cristã, por uma vivência cultural de um pequeno país, fechado, durante muito tempo, em si e com reduzidos contactos com outras culturas, com outros povos e com outras maneiras de ver e de olhar o mundo. E mesmo com a globalização, muitos de nós continuamos a ser aculturados segundo perspectivas unidimensionais (os mass-media; as telenovelas; o excesso de uma certa cultura ocidental de natureza consumista, etc, etc).
Ora, os conterrâneos têm uma tendência inata para avaliar os comportamentos do semelhante como se de um alien se tratasse, mesmo que o conheçam desde sempre e com ele partilhem a língua, a cultura e outros atributos que o bom-senso recomenda que não sejam explicitados neste espaço. 
Mas porque razão é que os conterrâneos têm tendência para achar que o demónio são os outros? Pelo contrário, e para colocar as coisas neste prato da balança, não seremos todos uns grandes demónios? Ou anjos de uma brancura imaculada? Ou tão somente homens e mulheres feitos à semelhança de Deus? 
É que estas questões, como pertinentemente opinava o meu amigo, prendem-se naturalmente com o conceito de liberdade e com o seu exercício responsável.
Já deixou de chover, mas o clima está bastante mais frio. Já apetece um cobertor e bebericar um chá verde, de vez em quando (para lubrificar as vias respiratórias e evitar apanhar um resfriado). É verdade, estamos no Outono. É uma estação do ano que me causa sempre uma grande nostalgia. Talvez porque, dentro de dias, iremos recordar os que já não estão fisicamente entre nós. Os que já partiram. Os que... partiram, mas de quem eu espero, com saudade, o regresso. Sim, porque, da mesma forma que a chuva cai e desaparece, e dá lugar ao sol, eu também espero que quem, por motivos vários, teve que se ausentar possa regressar novamente. E espero esse regresso ansiosamente.

27.10.08

Aquilo que verdadeiramente me custa é querer e não poder, é desejar e ainda não ter conseguido alcançar, é não estar a conseguir contribuir, de facto, para que o teu sonho se possa realizar. E acredita que isso me custa. Muito.
Porém, acho que devemos acreditar que, mesmo com as nuvens negras como breu que pairam por todo o lado, e de que as mais recentes quedas nas cotações dos índices bolsistas são apenas uma face visível, haverá sempre janelas que permitirão a passagem da luz e a comunicação com o astro Sol.
E nós faremos tudo o que estiver ao nosso alcance e, se for preciso, moveremos montanhas para que o Sol possa brilhar. Ou então reinventaremos o curso das estrelas. E se for necessário um cataclismo cósmico para que a cor regresse à tua paleta, podes crer que assim sucederá.
Porque tu mereces tudo. E tu és muito mais importante do que eu.

26.10.08

IGF - entretem-se a fiscalizar mensagens de e-mail
Sem comentários.
(Não convém comentar, como devem compreender).
Certo dia, um viajante chegou a uma pequena terra, situada no centro do mundo. Era uma localidade com pouco mais de 3 ou 4 centenas de habitantes que possuia um largo, algumas dezenas de casas, um bar, uma fábrica e uma igreja. A terrejola estava longe de tudo e, nesta história, ainda não havia tecnologia, internet ou telemóveis. Era tudo à maneira antiga.
Pois bem, o nosso viajante, que era um ser bastante curioso, quis saber como é que, perdidos num fim de mundo, sem tecnologia, rádio ou tv, os habitantes sabiam a hora correcta em que se encontravam.
Inicialmente, pensou que os mesmos se orientassem pelos movimentos do sol, mas, inquirindo alguns habitantes, rapidamente constatou que a estratégia para a determinação da hora correcta era outra.
Inquirido o padre, o mesmo referiu que olhava para o seu relógio de pulso e, quando o mesmo indicava meio-dia, ele próprio se encarregava de tocar o sino.
- E como tem a certeza que é mesmo meio-dia?
- Ora, é fácil! A essa hora, toca a sirene da fábrica, do outro lado da cidade!
- Humm, está bem visto!
Inquirido o encarregado da fábrica, o mesmo referiu que olhava para o seu relógio de pulso e, quando o mesmo indicava meio-dia, ele próprio se encarregava de accionar a sirene.
- E como tem a certeza que é mesmo meio-dia?
- Ora, é fácil! A essa hora, toca o sino da igreja, do outro lado da cidade!
- Ah...! Pois...
Tenho, cá, para mim, que esta história não está muito longe daquilo que actualmente se está a passar nos mercados financeiros mundiais: quando uns compram, os outros vão atrás; quando uns vendem, os outros replicam o gesto. E todos convencidos que sabem bem o que estão a fazer...

Nós somos os maiores, pá!

O meu amigo Ângelo partilhou connosco uma autêntica pérola sobre as qualidades do nosso heróico e valoroso povo. 
Com capacidades deste calibre, não necessitamos de nenhum Sebastião ou de Magalhães para irmos bem longe e darmos cartas no mundo!... Tenho cá, para mim, que toda esta questão do Outubro Negro e dos sucessivos crashs bolsistas ainda vai ser resolvida por algum dos nossos mais iluminados espíritos!

20.10.08

Quotidianos VIII

Ficou a semana fechado no gabinete de trabalho. Ler, escrever, ler, pesquisar, escrever, reflectir, escrever, ler, pesquisar, procurar, pensar, preocupar-se. Mas que monotonia!
Quando saiu, isto é, quando os outros o olharam, confessaram que o já não conheciam: Estás diferente. Tens não sei o quê... Outr@s acharam-no muito mais charmoso e enigmático. Continua assim! Nunca mudes!
Recebeu algumas mensagens que, apesar de evidenciarem alguma tensão da parte do remetente, o deixaram mais tranquilo. Graças a Deus, continua bem. Oxalá que consiga alcançar tudo o que merece, e merece muito. Merece tudo, TUDO!
No fim de semana, passou o dia a experimentar a alta velocidade em várias auto-estradas do país. Ao início controlou-se e não ultrapassou os limites. Mas, com o adiantar da hora e a necessidade de falar constantemente uma língua que, naturalmente, não era a sua, quando deu por si, já ia nos 150...
Regressou e bem, sem quaisquer percalços.
E continuou a ler, a pesquisar, a ler, a escrever, a pensar, a ler, a reflectir, a imaginar. Mas que monotonia!
  

12.10.08

Chappatte, «Le Temps», vista aqui
Todo este lamentável episódio que o mundo está a viver me convence, cada vez mais, de que alguém andou, durante muito tempo, a aldrabar meio-mundo. Temo, porém, que as aldrabices continuem: ou porque não haverá estrutura mental para aguentar a verdade ou porque, quando a mentira é repetida à exaustão, ela adquire um estatuto de não contestabilidade. E os actores e autores dessas aldrabices, com o treino que possuem, não será agora que irão renegar toda a sua história. A não ser que lhes dê um grande jeito.

11.10.08

O Circo desceu à cidade, definitivamente.
Tenho acompanhado, com alguma proximidade, os recentes desenvolvimentos nos mercados de capitais e, cada vez me convenço mais, que o Circo já chegou e estará prestes a pegar fogo. Provavelmente já está a arder, mas nós ainda não sabemos.
Obviamente que é importante acalmar as populações e evitar, a todo o custo, actos de desespero. Mas, aquilo que é racional, e com o que concordo, não pode deixar de espantar alguém como eu: estamos no meio do caos, decididamente. A tourada já começou. Com força. Lá, do outro lado do mundo. Depois, numa pequenina ilha, que poucos conheceriam. Mas ainda assim, lá, no meio do mar. E o nosso bacalhau não foi afectado. Por isso, o problema ainda não era nosso.
Por estranho que pareça hoje lembrei-me do pavoroso acontecimento da queda das torres do mundialmente famoso World Trade Center, em Nova Iorque, naquele fatídico dia 11 de Setembro. Eram o símbolo do poderio económico dos norte-americanos. Caíram. E a sua queda surpreendeu muita gente. E levou ao desespero. E à guerra. E ao sofrimento. E...
E hoje essas torres simbólicas - atente-se na sua designação - voltaram a ruir. Ou melhor, encontram-se em fase de decomposição e não parece haver andaime ou estrutura que as sustente ou que as mantenha minimamente estáveis.
Parece cruel.
E, pelos vistos, todos serão afectados. Ou alguns desses todos.
Enfim, não sei o que se virá a passar. Sou optimista e quero acreditar que alguém encontrará uma solução. Mas não a vislumbro, até porque os meus conhecimentos nesse domínio são limitados.
Nacionalizar? Estatizar os prejuízos? Mas haverá estado (finanças públicas) que aguentam tal acção?
Aumentando impostos, naturalmente. Mas isso pode conduzir a uma recessão de consequências inimagináveis...
E, hoje em dia, o caldeirão dos insatisfeitos, dos excluídos, dos marginalizados, dos que são expulsos do próprio país porque, em nome de critérios economicistas que so têm dado prejuízo, não conseguem obter emprego - e falo de pessoas com habilitações académicas muito elevadas e que são jovens - , esse caldeirão encontra-se já em ebulição...
Os próximos tempos poderão trazer ainda muitas surpresas, porque quando a razão a que se apela já não funciona - e toda a argumentação que nos foi vendida acerca dos benefícios do modelo de desenvolvimento económico neo-liberal está prestes a ser enterrada, recuperando os grandiosos valores do colectivismo socialista - , aí já só restarão os actos irreflectidos da loucura.
Leitores, preparemo-nos porque o Circo já desceu à cidade!
(Nota: eu gosto muito do circo, particularmente dos palhaços e dos actos de magia, em que o mágico tira da cartola uma data de coelhos!)
Adenda: já conhecem o boneco voodoo de um dos líderes da Europa? 
Viva o Circo!!!!

6.10.08

Ontem - Hoje I

Conheci o Pedro praticamente desde que nasceu. Era um moço reguila. Bom rapaz. Estupendo. Divertido.
Faleceu abruptamente, na flor da vida. Simplesmente, apagou-se. O coração, que tanto amou, cansou-se e parou. Já não o via há uma data de anos, mas os Amigos não precisam de se ver ou de se falar todos os dias para se saber que existem e que se querem bem. O Pedro era fantástico, sempre bem disposto, com muito humor e muita alegria para dar. Muito melhor que eu. E conquistador, sempre rodeado de belas e interessantes amigas. E amigos: uma legião que não tinha mais fim. Partilhávamos um traço comum: o mesmo dia de aniversário. Isso fazia com que, durante muito tempo, mantivessemos uma espécie de jogo para tentarmos sempre ganhar um ao outro no telefonema que mutuamente fazíamos para desejar um feliz aniversário. Mantivemos este jogo enquanto crianças. Depois crescemos os dois. Ele partiu para prosseguir estudos. Eu fiquei e comecei a trabalhar.
Sinto a falta do meu Amigo.
Já lá vão 4 anos que ele partiu definitivamente.