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28.11.08

Dúvida?

O que me aconselham a fazer quando somos sistematicamente perturbados por criaturinhas que, dado não terem absolutamente mais nada que fazer na vida, se entretêm a perguntarem-nos sempre a mesma coisa, todos os dias?
Já ignorei, já accionei respostas automáticas, do género "vá bater a outra porta", já respondi, mas o raio da criatura não desarma. Ou é muito limitada ou é muito chata. Acho que tem um bocado dos dois atributos, porém não sei exactamente a proporção em que é mais rica.
Depois, o facto de se dar muito bem com o poder instituído e ser arrogante, mal-educada e uma grandessíma vaca, não me ajuda em nada.
Mas a maior agravante (ou, se calhar, a minha sorte!) é que zumbe, como um certo bicharoco à volta de certas coisas, quase todos os dias, lá, na empresa. Digo que é a minha sorte, pois não faz parte do meu círculo de amig@s, porque eu, dessas criaturinhas, a única coisa que quero é DISTÂNCIA!
Que acham que devo fazer?
Colocar a foto de um touro enraivecido à porta do escritório, na empresa?
Colocar a foto da Mona Lisa e vestir o fato do homem invisível?
Ignorar a existência da criatura?
Se questionado sobre a não resposta (sucessiva), argumentar com um qualquer vírus que se terá instalado no sistema informático da empresa?
.....?
 

26.11.08

O presente ideal

Aproxima-se a época consumista do Natal e eu, que, em certas coisas, sou muito conservador, decidi solicitar a ajuda dos meus amigos e das minhas amigas para saber qual o presente que cada um gostaria de receber.
Vale pedir tudo o que se quiser.
Não é que eu seja o Santa Klaus, mas, como bem foi assinalado por um Amigo destas lides cibernéticas, o meu nome tem alguma ressonância com essas áreas. Vai daí, gostaria muito de conhecer aquilo que, para cada um de vós, que me visita e lê o que vou escrevinhando, constituiria o presente de Natal que gostariam de receber.
Aguardo as vossas sugestões e ideias.
:)

19.11.08

Quotidianos XI

A viagem correu muito bem. Cheguei a Madrid, bem disposto e, embora não fizesse a mínima ideia do local onde se situava o hotel, tive a grata surpresa de verificar que consegui ficar alojado bem no centro da cidade, com uma estação de metro a uma distância insignificante. E mais: numa rua onde abundam os bares e os restaurantes.
Está frio, mas o colorido e o bem-estar dos madrilenos supera tudo. E a amizade e a gentileza deste povo é excepcional. Estou a adorar a cidade!
E mais, descobri um restaurante, com uma comida soberba que tenho a certeza que tu vais adorar. 
Machu Picchu diz-te alguma coisa?
Pois bem, na Calle Manuela Malasaña (eu sei que o nome, para nós, portugueses, parece possuir algo de estranho, mas que culpa têm as pessoas dos nomes que lhes atribuem? Orelhudo, que é nome de terra portuguesa, também é horrível!...), há um restaurante de comida peruana, que serve uns pratos soberbos. Chama-se El Dorado (Calle Manuela Malasaña, nº 5) e merece a visita. A comida é económica, mas muito bem servida. A fugir para o picante, como eu gosto, mas sem exageros.
Olha, o convite fica endereçado: aqui, em Madrid, quando tiveres um tempo na tua agenda, ou, lá, do outro lado do atlântico, quando tal te for oportuno.

16.11.08

Quotidianos X

Como era domingo solarengo e nada mais havia para fazer, decidiu subir ao alto da montanha para, a partir daí, poder apreciar as vistas, conhecer os habitantes e familiarizar-se com os seus modos de estar.
Levou quase 1 hora a caminhar, por ruas sinuosas. Não quis levar nem GPS (já tinha tido experiências traumatizantes que chegassem!) nem sequer um mapa. Obviamente que não conseguiu encontrar o caminho, mas, seguindo o seu instinto, e com o auxílio de alguém que lhe apareceu na frente, lá encontrou a Igreja do Salvador. Muito bela, muito interessante, mas não fotografou nada. Sentiu-se intimidado pelos habitantes que aí dentro rezavam.
Prosseguiu o caminho. Chegou à Plaza Mayor, local soberbo onde se encontra a catedral. Pelo caminho devorou literalmente todas as lojas e museus com que se foi cruzando.
O mais interessante de todos, não descurando naturalmente a Fundação Antonio Pérez, foi o Museu de Arte Abstracta. Sim senhor, um excelente e acolhedor espaço, que permite compreender até que ponto vai a arte e as manifestações de anti-arte. De uma das suas janelas, tem-se uma vista magnífica, com as varandas todas em madeira, naquilo que os habitantes da localidade designam como Las Casas Colgadas.
Depois da missa na catedral, com coro, pôde visitar gratuitamente uma soberba exposição consagrada ao Santo fundador da catedral, no séc. XII: Sán Julian.
Terminou o dia num restaurante, muito curioso e muito cultural, de que se partilha uma foto, com uma excelente paella seguida de um bistec de ternera a la plancha e de natillas caseras, acompanhadas, naturalmente, de um copo de bom vinho da região. E nesse contexto, sentiu-se verdadeiramente em casa, pois bastou-lhe uma palavra a fugir para a língua mãe para que a empregada se revelasse: 
- Oi, ocê também é brasileiro?
- Não, sou português.
- Ai qu'alegria! Nossa! Quanto tempo qu'eu não falo português!
Como devem compreender, não revelarei aqui, num espaço público, o resto da interessante conversa tida, numa cidade, bem no centro da meseta ibérica, com uma brasileira de gema!
(Foi a minha vingança face à outra senhora, castelhana de gema, que não me compreendeu quando cheguei).

11.11.08

Quotidianos IX

Viajou todo o santo dia. Chegou, já tarde, ao seu destino, mas chegou bem. A noite mostrava uma bela lua cheia e afigurava-se muito promissora para outros contextos. Não que não lhe apetecesse, afinal, todos somos humanos... mas o insólito e a transformação tiveram lugar nessa noite. 
Chegado ao quarto, começou por se descalçar e pôr-se à vontade. E decidiu vestir algo mais confortável. Contudo, por muito que tentasse - ora com a chave, ora recapitulando e reorganizando os dígitos, a sua mala (aquela onde viajava praticamente tudo, desde a roupa interior à gravata que usaria na importante reunião com os empresários da multinacional com quem se viera encontrar) simplesmente recusava-se a abrir. Era uma mala muito senhora de si, muito guardadora de todos os segredos mais inconfessáveis.
Olhou. Encarou-a. Colocou-a noutra posição. Sentou-se, mirando-a. Levantou-se e olhou-a fixamente. Tentou, mas nada. A tampa simplesmente não abria. A filha da **e já não lhe ligava nada. Nem com chave, nem com dígitos. Nada. 
Ali estava ela, imponente e gozando-se do seu kapitão. Seu, salvo seja!
Recordou-se então das aventuras que já vivera com a menina do GPS e veio-lhe uma fúria que o transtornou e o transformou. Agarrou-se a ela e disse-lhe: vais ter que ceder!
(É preciso acrescentar, para evitar alguns desvarios mais estranhos, por parte dos leitores, que o kapitão se socorreu de uma chave de fendas e que, encontrando um espaço mínimo, a cravou e, qual lobisomem enfurecido e enraivecido, ficou vitorioso ao fim de alguns minutos)
Para criar mais ênfase, poderíamos dizer que, nesse momento, o céu se toldou e a lua deixou de brilhar. Os outros hóspedes sentiram um friozinho na espinha e o nosso kapitão... mas não o faremos, pois seria inteiramente falso.
Bom, já com acesso a tudo quanto necessitava, teve, no dia seguinte, ainda antes da reunião com os empresários, que ir adquirir uma nova mala. Aí a vigança dela fez-se notar com particular clareza e o nosso kapitão que, até hoje, sempre disse não acreditar em bruxas, já decidiu reformular as suas crenças: Yo no credo en brujas, pero que las hay, hay!
De facto, após ter entrado e saído de diversos estabelecimentos comerciais, o nosso kapitão encontrou uma jovem senhora que lhe disse textualmente o seguinte: yo soy española, estoy en España y hablo castellaño. A usted no lo comprendo!
E assim têm sido as deambulações do vosso kapitão por este mundo fora...

4.11.08

Novembro e Dezembro sempre foram meses complicados na minha vida.
Desde logo porque Novembro se inicia pelo célebre dia 1º: um momento para recordar e homenagear todos os amigos e familiares que, sendo importantes nas nossas vidas, já não compartilham conosco o mesmo espaço físico. E eu, infelizmente, cada vez vou tendo mais amigos nestas situações...
Acho que é porque a idade vai avançando. Ou talvez não... Recordo que o primeiro amigo que perdi foi quando eu tinha 13 anos. Foi algo de estranho, até porque eu convivia com o Paulo e com as irmãs quase todos os dias. E um dia, todos deixámos de conviver com ele...
E este ano, Novembro está a ser doloroso também por outras ausências.
Novembro é também o mês do meu aniversário. O mês em que, a cada ano que passa, eu faço promessas e acredito (durante umas semanitas) que vou mudar radicalmente toda a minha vida. Este é o mês em que eu mudo o visual e, de certa forma, altero muitas coisas no meu quotidiano.
O ano passado, foi neste mês que eu conheci uma pessoa especial na minha vida e acreditei que tinha encontrado o grande amor. Vãs ideias, como, aliás, já é hábito! (Esta é também uma das razões pelas quais me irei ausentar, dentro de dias, por forma a tentar escapar desta maldição!)
Novembro e Dezembro trazem-nos noites frias e, às vezes, chuvosas. Se as primeiras me fazem recordar as noites de inverno na aldeia, na infância, as segundas fazem-me recordar as noites bem acompanhadas na cidade, na juventude. E tudo isso, na pluralidade e na aparente não compatibilidade dos contextos, me traz uma grande nostalgia.
E Dezembro, o mês dos doces tradicionais de Natal e da azáfama das prendas para quem nos é querido e importante. Lembra-me a minha família. Lembra-me a minha infância. Lembra-me a minha felicidade inocente. Lembra-me o convívio e a alegria. O grupo. Aquele tempo em que, não tendo nenhum de nós consciência do fluir do tempo, erámos senhores omnipotentes dele... 
Bom, depois desta catarse, é tempo de dar um pouco mais de animação a este espaço. Vou viajar e só devo regressar lá para meados do próximo mês. Que destinos é que me aconselham?

Estou chocado com a crueldade dos seres humanos

A notícia acaba de ser divulgada pela Aministia Internacional, pela BBC e pelo jornal O Sol: uma adolescente de 13 anos, vítima de violação, foi apedrejada até à morte, sob acusação de adultério e com uma assistência de 1000 espectadores. Nenhum dos homens que a violou foi preso. 
Não tenho palavras para expressar a minha abjecção e profundo repúdio perante um acto tão bárbaro e cruel.
Apetece-me dizer, retomando as palavras de Machado de Assis, que prefiro a companhia dos animais à companhia dos homens.