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29.10.08

Hoje, no seguimento de uma conversa agradável que tive com um amigo, que muito prezo, dei por mim a pensar acerca do modo de ser dos conterrâneos, com que convivo e interajo todos os dias. E aquilo que pensei não foi muito abonatório.
Passo a explicar.
Olhando em redor, reparo que os conterrâneos padecem de uma doença, que considero muito grave: todos eles, na sua maioria, gostam, sentem prazer em, volta e meia, mandar uns bitaites! Todos se consideram no direito de dar o seu palpite seja a propósito do que for. Para além de linguarudos e profundamente cuscos, às vezes, são deliberadamente mal-educados e ajem como se fossem os arautos da virtude e do puritanismo. 
Obviamente que todos sabemos que aquilo que nos individualiza tem muito que ver com as nossas concepções culturais acerca do mundo. E quando falamos em cultura, estamos igualmente a falar de ideologia. E nós, portugueses, fomos moldados por uma ideologia judaíco-cristã, por uma vivência cultural de um pequeno país, fechado, durante muito tempo, em si e com reduzidos contactos com outras culturas, com outros povos e com outras maneiras de ver e de olhar o mundo. E mesmo com a globalização, muitos de nós continuamos a ser aculturados segundo perspectivas unidimensionais (os mass-media; as telenovelas; o excesso de uma certa cultura ocidental de natureza consumista, etc, etc).
Ora, os conterrâneos têm uma tendência inata para avaliar os comportamentos do semelhante como se de um alien se tratasse, mesmo que o conheçam desde sempre e com ele partilhem a língua, a cultura e outros atributos que o bom-senso recomenda que não sejam explicitados neste espaço. 
Mas porque razão é que os conterrâneos têm tendência para achar que o demónio são os outros? Pelo contrário, e para colocar as coisas neste prato da balança, não seremos todos uns grandes demónios? Ou anjos de uma brancura imaculada? Ou tão somente homens e mulheres feitos à semelhança de Deus? 
É que estas questões, como pertinentemente opinava o meu amigo, prendem-se naturalmente com o conceito de liberdade e com o seu exercício responsável.

2 comentários:

Emanuel disse...

Acho engraçado o sentido de oportunidade cósmico...ainda esta semana um colega de curso ficou com a boca aberta porque usei um simples ditado popular "dar pérolas a porcos" e ficou chocado porque estavamos a falar de bairros sociais...muitas vezes os demónios não são os outros, fazem de nós os demónios isso sim...falando em demónio, curiosamente O Demónio e a Senhorita Prym de Paulo Coelho teriam muito que dizer sobre este post também...

Kapitão Kaus disse...

Emanuel, obrigado pela visita:)