Ocorreu um erro neste dispositivo

25.8.08

Remexendo no baú das memórias

Em Julho de 1989, alguns meses antes da queda do muro de Berlim e do fim da União Soviética, tive a oportunidade de conhecer uma pessoa especial e verdadeiramente importante para mim. Foi um conhecimento até certo ponto imprevisto, mas marcante, pois, para além dos souvenirs, que continuo a guardar com afecto, mantivemos uma longa e estimulante conversação. Mas os tempos eram outros. E os anos foram passando... e hoje, que é feito dessa pessoa? Da cumplicidade natural que nos aproximou? Da troca de olhares e de afectos que parecia querer cimentar, para todos os milénios vindouros, as nossas vidas? A actual São Petersburgo chamava-se, na altura, Leninegrado e era a cidade onde essa pessoa especial, que me encheu o coração de alegria e de contentamento, vivia. Hoje, continua lá a viver e por isso quando o amigo João referiu que poucas pessoas sabiam falar português nessa bela cidade eu discordei. Pensava, em concreto, nessa pessoa especial que passara um mês cá, em Portugal, e de quem eu me despedi, com muita saudade, já há tantos anos. Dir-me-ão: mas a que propósito é que o nosso kapitão se põe agora a filosofar sobre pessoas, que nós nunca vimos e cuja existência nunca foi mencionada, e de lugares que já não existem, num tempo que, se calhar, ainda não era o nosso ou era ainda o da nossa infância ou adolescência?
Pois a resposta está exactamente na necessidade de aprendermos com os erros do passado e não os repetirmos no presente.
No verão de 1989, o vosso kapitão julgou poder experimentar um sonho na companhia de alguém especial, mas não o prosseguiu. Era a distância. Eram os custos. Era o medo dos compromissos para toda a vida. Era o medo de falhar. Era o medo de não conseguir garantir a felicidade. Era... enfim, já não sei, se calhar a juventude exuberante.
Hoje, o vosso kapitão está mais experiente - os mais jovens dirão que ele está mais velho (e, certamente, isso é também verdade) - e tem algumas pessoas que são verdadeiramente importantes na sua vida. São pessoas que ele foi conhecendo e cujos laços foi fortalecendo ao longo do tempo. São pessoas de que ele não pode conceber a não existência. De facto, a Amizade que o une a elas, ao contrário do que sucedeu no verão exuberante e exótico de 1989, constitui o granito fundamental para toda a sua vida presente e futura.

7 comentários:

fj disse...

...de volta, por cá ;)


Se este Mundo que eu continuo a afirmar de virtual, q me perdoem os mais cépticos, existisse nessa altura, será q estavas agora aqui a relembrar um momento, esse contacto teria continuado??
Não, não se sabe, foram outros tempos, outras vontades, outros quereres de uma juventude que não voltará nunca mais acontecer a cada um de nós.
Quem sabe, neste momento, possa estar ela a pensar no mesmo, quiçá ainda 100querer através de uma simples busca "ler" este post.
Era engraçado, lá isso era ( para ti, claro) dps conta-nos se acontecer. ;)
um abraço


ps: primeirosssssss!!!!!!

Kapitão Kaus disse...

Olá FJ:)
Acho que estás coberto de razão!
Se fosse hoje, com a net, com o MSN, tudo teria sido diferente e a minha Natacha seria minha, de facto.
Pode ser que, graças a este post, nos voltemos a reencontrar. Seria bem interessante, oh, se seria!!!!
Quem sabe...

Abraço:)

pinguim disse...

Este post é-me particularmente grato, pois, pese embora eu seja mais velho que tu, e graças a esse maravilhoso desenvolvimento da informática e não só, eu posso encarar com algum menor desconforto o peso da distãncia, e assim ter encontrado a felicidade junto de alguém que vive longe e em mundos diferentes; e até encarar, cada vez mais devido à quebra de barreiras que em 1989 nnem sequer eram equacionadas, um futuro em conjunto; quem sabe?
Abraço.

Socrates daSilva disse...

Uau!
Que bonito post! Uma boa reflexão sobre o que é importante.

Abraço!

Paulo disse...

este texto é um hino soberbo à amizade e um reconhecimento do que realmente importa. como costumo dizer: águas passadas não movem moinhos e, portanto, o facto de reconheceres a falha e de recordares essa pessoa com melancolia já é um passo para a "cura". quem sabe não é possível reatar essa amizade de tempos idos? contudo, tudo tem um tempo e há laços irrecuperáveis. provavelmente porque o que havia para "resolver" resolvido está, missão cumprida! depois há os outros que chegaram, sem esquecer, como dizes de "aprendermos com os erros do passado e não os repetirmos no presente".

grande abraço, Kapitão!

Kapitão Kaus disse...

Pinguim, espero bem que esse teu desejo e esse vosso sonho se concretize:) Abraço:)

Socrates da Silva, obrigado pelas tuas palavras! Abraço!

Paulo, muito obrigado pelas tuas gentis palavras escritas e verbalizadas! De facto, para mim, os Amigos são o melhor que há:) Ainda hoje, deambulando pelas ruas da grande cidade, li algo que me tocou fundo: "não tenho qualquer receio face ao futuro desde que saiba que estou acompanhado dos meus amigos". É assim que eu me sinto hoje e devo-o, em grande medida, aos Amigos que fui fazendo ao longo dos tempos. E digo-te: descobri, nesta realidade virtual, excelentes pessoas. E não me refiro às suas qualidades virtuais: falo de pessoas concretas, de carne e osso, que me ouvem pacientemente, que me apoiam, que me recebem gentilmente e que me fazem uma pessoa feliz:)
Grande abraço:)

Paulo disse...

reconheço-me plenamente nas tuas palavras, acredita que sim, inclusive (e sobretudo) no ponto relativo às pessoas concretas, de carne e osso! por muitas vantagens da virtualidade, esses são os melhores e inigualáveis e insubstituíveis, etc., etc.