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26.12.07

Pequeno livro do grande terramoto: a história da árvore torta

Era uma vez um gato maltês, cagou-te nas barbas e não soube o que fez.
Não, não é é este o começo da minha história!
Ora, vamos lá:
Era uma vez uma árvore que nasceu torta. Era uma árvore grande e frondosa, aonde os pássaros gostavam de repousar as suas asas, mas que, por ignota determinação cósmica, prosseguia outra direcção que não aquela colectivamente definida. O Sol e a Lua conversavam frequentemente com ela, tal como a Manhã e o Tempo, mas a princesa do reino não gostava nada dela. Observava-a sempre à distância e dizia que lhe causava náuseas só de a olhar. Os homens sábios acompanhavam a opinião da princesa e argumentavam que a árvore poderia ser prenúncio de males demoníacos a abraçarem o reino, num futuro não muito distante.
A princesa pediu ao pai para mandar derrubar a árvore.
Chegaram então os lenhadores com as suas serras e machados, prontos a transformar esse objecto em algo de útil: a madeira poderia ser aproveitada para aquecer os lares nas noites frias de inverno e o seu espaço, uma vez libertado dessa praga, poderia permitir plantar flores e árvores, essas sim geometricamente ideais e adequadamente prependiculares relativamente ao chão.
Cravaram os seus machados no tronco da sequóia, mas a árvore não se mexeu. Mandaram vir mais lenhadores com outros machados, mas a árvore continuava a olhar o céu. Abraçaram-na e tentaram abaná-la com a força dos seus músculos, mas a árvore permanecia incólume. Lançaram-lhe pedras, algumas de grande porte, insultaram-na com palavras duras e pontiagudas, cuspiram-lhe, mas a árvore continuava a sê-lo. Tentaram então pôr a descoberto as suas raízes, para a asfixiarem, mas elas pareciam ir muito mais fundo que o buraco mais fundo do reino e atravessar todo o planeta até ao outro lado do mundo.
Então, um rapazinho, que ia a passar, comentou que achava a árvore muita bonita e agradável e que era uma pena derrubá-la, ainda mais porque se localizava numa colina onde era hábito reunir-se com outros meninos e outras meninas para, dando as mãos, comungarem todos os sonhos da esperança. Um homem idoso recordou as suas memórias passadas e acenou afirmativamente com a cabeça.
O geógrafo do Rei mandou vir os instrumentos de observação, as bússolas, os microscópios, as lentes, as lupas, os bisturis, o guarda-chuva e a mesa de operações e efectuou cálculos inusitados. Concluiu então que a árvore fazia um ângulo recto relativamente ao chão em que, por ignota determinação cósmica, tinha nascido, e que só era percebida como torta porque o terreno possuia uma leve inclinação.
A princesa olhou e reparou nesse quadro e, desde então, passou a considerá-lo o mais belo dos que fazem parte da sua colecção privada de obras-primas e, secretamente, povoam as paredes do seu quarto.
Assim termina a história da árvore torta.

2 comentários:

Will disse...

Eu também gosto de torta.

fj disse...

:))
uma estória interessante!!!e interessante, penso q sejam tb os teus posts, pq irás pertencer á equipa do Dicionario100Palavras.