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11.2.08

Da necessidade de não quebrar a corrente…

Manhã cedo, dia de sol estupendo, levantei-me cheio de vontade de ir trabalhar. Mas eis que, quando ponho o meu carro a trabalhar, me deparo com um cenário rocambolesco: o fecho automático das portas ora abria ora fechava, num delírio surrealista. Ainda conduzi um bom bocado a caminho da minha empresa, mas a sensação de estar ora fechado ora aberto, com a indicação luminosa, no painel de controlo, permanentemente a piscar e uma luz encarnada que me aconselhava a deslocar-me, com urgência, ao stand que me vendeu a viatura, levou-me a abandonar os planos de uma manhã altamente produtiva. Segui, por conseguinte, a alta velocidade, para o stand.
No caminho ia cogitando a razão do bizarro acontecimento: seria esta uma das pragas que a B. me tinha lançado? Ou seria sinal de alguma coisa que ainda estaria para me acontecer?
Bom, entreguei a viatura, do outro lado do mundo, e, sem carro, lá me decidi a regressar ao meu mundo, caminhando e perscrutando atentamente todos os locais por onde passava.
Foi um momento deveras longo e agradável, pois tive a rara oportunidade de rever locais a que já não ia há demasiado tempo.
Vinha eu num desses momentos perdido na minha fértil imaginação quando sou abordado por um cavalheiro que me mete nas mãos uma folha de papel com uns hieróglifos estranhos. Olhei para o papel e dizia qualquer coisa do tipo “É preciso não quebrar a corrente. Faça 100 cópias desta oração (??? Qual ?!!???) e distribua-a aos seus amigos, conhecidos e familiares. Em troca obterá sorte no Amor e no Dinheiro. Caso quebre a corrente, sofrerá a infelicidade eterna!”
Fiquei parado a olhar para o papel.
Em seguida, olhei para o cavalheiro, que se sorriu para mim. E, solícito, me dirigiu a palavra, pedindo-me qualquer coisa em troca.
(Qualquer coisa ?!???)
Olhei em redor, suspeitando que estaria a ser filmado. Isto devia ser uma daquelas cenas dos Apanhados!
Entretanto, o cavalheiro voltou a insistir.
Parei, mirei o meu interlocutor de cima abaixo. Olhei-o demoradamente. Ainda pensei que pudesse ser uma brincadeira dos meus amigos cibernéticos, destes que me lêem, mas que eu não conheço pessoalmente.
Olhei-lhe para o rosto e para as mãos: pareceu-me vislumbrar nele alguns dos traços desse meliante que roubou a jante do Hydra-Móbil. Mas da jante, nem sinal!
Quando a situação começou a ficar insustentável – eu, parado, a olhar para um moço dos seus 25 anos que me olhava e se sorria para mim, no meio de uma rua movimentada, quase no centro do mundo, sem que entre nós, ou, pelo menos, da minha parte, houvesse uma “química” -, decidi agir: devolvi-lhe o hieróglifo e continuei feliz a minha viagem.
Ele ainda argumentou que queria umas moedinhas, mas eu, que já tinha lido o papelucho e que não estava disposto a arriscar a perda do meu Amor e do meu Dinheiro, decidi que o melhor mesmo era não quebrar a corrente…
Moral da história: nunca tentes lutar contra o Destino!

5 comentários:

Hydrargirum disse...

Hydra-gargalhada!!!!!

Evocares o meu Cardeal Richelieu, esse sacana que me furtou foi demais:D...e da jante nem vê-la!!!Maldita que darás à costa em Carcavelos!!!:D

E fizeste tu mto bem...onde é que já se viu...é por mail, é in loco...malditas correntes!!!
Truque: Rebuçados do Ikea!lol..."Um na testa do meliante, e você segue esfusiante"

Abraço Grande:)

:D

Olá!! disse...

hahaha essa nunca tinha ouvido falar...
Arranjam cada uma para nos melgar
Beijos KK

Kapitão Kaus disse...

Car@s Amig@s,
É a mais pura verdade, sem rodeios. Foi a 1ª vez que me aconteceu uma tal coisa.
Mas acho que até fui simpático: não quebrei a corrente e dei-lhe a oportunidade de poder ganhar uns trocos com outro incauto. Comigo é que, infelizmente, não funcionou...
Ainda mexi nos bolsos, mas rebuçados não os tinha; só encontrei um maço de lenços de papel, ainda por cima dos das lojas dos 300, e isso acho que ele não quereria receber em troca.

Abraços e beijos.
KK

Paula disse...

Essa realmente é demais!
Já sabes:se entregares o papelucho a alguém e deres umas moedinhas a um desconhecido que tem mais que fazer, que ir trabalhar, tens amor, sorte e dinheiro.
Senão...senão, meu amigo, estás condenado ao inferno e à solidão eterna!!!
Enfim...
Há com cada maluco...
Bjs!

rato do campo disse...

LOL LOL LOL! Mas que lata tem certa gente, caramba! Fizeste muito bem! Abraço!